A OUTRA SEGUNDO FREDERICO DALTON

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Vidas duplas sempre dão boas estórias. Mas os personagens envelhecem e acabam se acomodando no lado mais convencional da vida. Seu Artur traiu a mulher a vida toda. Aliás, as cinco com quem foi casado. Hoje, aos 76 anos, é o homem mais fiel do mundo. À sua ex-empregada. Com quem se casou ontem. Berenice vai herdar o único bem que sobreviveu às confusões amorosas de Artur: uma quitinete na Praça Cruz Vermelha, pertinho do Instituto Nacional do Câncer.

 

O livro que você levaria para uma ilha deserta é o mesmo que você levaria para uma prisão? E se esta ilha deserta fosse também uma penitenciária feminina? Que pensamentos estranhos! Parece que estou prestes a cometer um crime. Ou será que já cometi? Olho para o homem deitado junto de mim. Ele está totalmente imóvel. E dizem que ele é meu marido. Mas estamos sem transar há três anos. E eu sei que ele tem uma nova amante.

 

Sou muito precavido. Por isso sempre ouço o que os sabonetes me dizem. Vou explicar. Um dia fui tomar banho e vi que no sabonete havia dois longos pelos formando a letra R. Obviamente o primeiro nome que me veio à cabeça foi Ricardo. Contratei um detetive particular e… não deu outra: minha mulher estava me traindo. Recentemente comecei uma nova relação. Lá em casa sabonete líquido não entra.

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