EL OJO DE IBEROAMÉRICA ROMPEU OS MUROS QUE NOS SEPARAM

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O Festival Internacional El Ojo de Iberoamérica assinou este ano importante e significativa campanha para destacar a importância latina para as Américas, sobretudo neste momento em que discursos xenófobos ganham relevo por meio do destrambelhado candidato republicano Donald Trump. A ação intitulada “Fuck The Wall” foi criada pela agência brasileira Santa Clara, com filme produzido pela boliviana Indómita e trilha sonora composta pela paulistana DaHouse Audio. A meta é chamar a atenção de profissionais da indústria da comunicação latino-americana e ibérica, clamando-os a ignorarem quaisquer ameaças de supostos muros que possam separar latinos das mais diferentes nações, o que poderia diminuir o potencial criativo que é fruto desta diversidade.

A campanha marca o retorno da personagem ChinChin, a Cholita Lutadora, apresentada na comunicação do festival criada para o ano passado. Agora, porém, a ação conta com um discurso inflamado, no qual a heroína questiona: “Sabia que querem construir um muro? Querem dizer que vai existir um lado de lá e um lado de cá”. Produzido em La Paz, na Bolívia, o filme mostra um grupo de jovens fazendo um grafite simultaneamente ao discurso de nossa lutadora. Ao final, descobrimos que o grafite se trata de mensagem bem direta aos separatistas conservadores: “Fuck the Wall”.

“A ChinChin foi um sucesso na comunicação do El Ojo 2015. Por isso, queríamos mantê-la também nesse ano. A busca, então, foi por uma alavanca criativa forte o suficiente para amplificar o potencial da campanha. E encontramos o que procurávamos nos discursos anti-latinos, nessa ideia bizarra de se fazer um muro para separar o México dos Estados Unidos. Sempre buscamos fazer para o El Ojo algo que seja mais do que uma comunicação tradicional de festivais, como o orgulho de ser latino. Então, o argumento criativo foi baseado no poder latino e como a criatividade desse povo precisa transbordar pelo mundo”, afirma Leo Avila, diretor de criação da Santa Clara.

“Conhecer ChinChin e o script de ‘Fuck the Wall’ me fez mudar como diretor. Primeiro porque é uma personagem feminina maravilhosa e segundo porque é um orgulho para a Indomita e para mim representar os Latinos em uma Chola de La Paz, quem tem uma forte mensagem para dar ao mundo: Fuck The Wall”, diz Adriana Montanegro, diretora de cena do filme.

“Em geral, a composição começa pelas melodias. No caso da ChinChin, eu comecei a pensar no que tinha que existir por trás. Colocamos uma banda de Chacarera com baixo africano formando um som de fundo. Essa mescla foi o que formou a base da trilha sonora. Gravamos áudios na rua, juntando outros sons captados fora do estúdio. Acho que dar tanta importância às texturas sonoras foi um dos motivos para o sucesso que tivemos ano passado. Por isso, nesse ano, buscamos seguir o mesmo caminho”, explica Lucas Mayer, sócio fundador da DaHouse, que também foi responsável pela trilha do comercial da campanha El Ojo 2015, que ganhou Ouro na categoria “melhor trilha” na mais recente edição do Festival do Clube de Criação do Brasil, realizado há alguns dias em São Paulo.

Além do comercial, a campanha do El Ojo de Iberoamérica 2016 contou com  banners, anúncios para mídia impressa e ações de ativação em redes sociais. O festival está em sua 19ª edição e foi realizado entre os dias 2 e 4 de novembro no Hotel Hilton de Buenos Aires, Argentina.

“Com esta campanha, o El Ojo de Iberoamérica mantém seu foco principal em destacar a importância do talento latino no mundo e mostrar que essa criatividade está muito mais além dos limites das fronteiras da região. Assim como fizemos na edição do festival no ano passado, com o conceito ‘Se você é um herói local, pode ser um herói global’, continuamos querendo reforçar os valores de nossas culturas, salientando que as ideias latinas são criativas e transformadoras aqui e em toda parte do mundo”, conclui Santiago Keller Sarmiento, presidente do Festival El Ojo de Iberoamérica.

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