JOGOS MUNDIAIS DOS POVOS INDÍGENAS: CORES DA DIVERSIDADE

0

Os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI) mostram diversas manifestações culturais em danças, ritos, cantos e adereços. Por toda a vila dos jogos, indígenas caminham de um lado a outro, em um verdadeiro desfile de desenhos estampados em homens e mulheres de várias etnias. E cada arte tem seu significado, nada é por acaso.

 

Por Marcelo Brandão/Enviado Especial da Agência Brasil

Os Tapirapé, dos estados do Mato Grosso e Tocantins, se inspiraram nos cascos dos jabutis para criar um desenho de geometria simples. Os jabutis são importantes para a etnia. O animal é utilizado em um ritual de alimentação aos espíritos. Eles usam essa pintura quando estão prontos para a caça ou para a guerra. É a pintura de um verdadeiro guerreiro Tapirapé.

Palmas (TO) - Adereços e pinturas corporais da etnia Pataxó (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Muitos povos vieram com suas pinturas de guerra, sobretudo para participar das competições. O clima é de paz e congraçamento, mas quando entram na arena para disputa de cabo de força ou arco e flecha, são guerreiros defendendo o nome de sua tribo. Assim são os Pataxó, do sul da Bahia.

“Minha pintura representa nossos guerreiros, os traços pretos e vermelhos também. O amarelo representa o sol, para respingar na nossa força e dar mais energia, mais fogo pra lutar pelos objetivos”, diz o líder Ubiranan Pataxó. O cocar com a cor branca, que representa a paz, também transmite uma mensagem.

“É um mundo colorido; nossa floresta verde, do céu, do mar e dos pássaros cantando. Então, tudo isso que a gente utiliza hoje é homenageando também o ser da natureza e agradecendo a Deus também por tudo que ele nos dá”, explica o Pataxó.

Próximo dali, na Feira de Artesanato da vila, Tukupé, da etnia Kuikuro (Alto Xingu), pinta turistas em um estande, mas seu próprio corpo parece uma tela exposta em vermelho e amarelo. Apesar de atrair mais atenção que os demais kuikuros, Tukupé é tímido. Falando baixinho, revela que as cores foram ideia dele. “Escolhi o vermelho e amarelo para ficar mais bonito”. Os traços, segundo ele, são inspirados em espinhas de peixe. “É um significado que vem de antigamente e até hoje significa uma espinha de peixe, usado na nossa alimentação”.

Os Xerentes, do Tocantins, são outra etnia com pintura ancestral. São traços simples; uma linha na horizontal na altura dos ombros e linhas verticais descendo pelo corpo. O desenho, segundo Silvino Xerente, diferenciava um clã de outro, em uma época onde os xerentes viviam em guerra. “Nossa etnia tem seis clãs. Antigamente, quando nossas etnias brigavam muito, três clãs se juntavam para brigar com os outros três clãs, mas hoje isso não existe mais”.

Palmas (TO) - Índio da etnia Kuikuro (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A tinta vermelha no rosto completa o visual Xerente. “É para ficar mais bonito ainda”, diz Silvino. Hoje, a pintura corporal retrata a cultura e tradições da etnia. “Esse desenho é praticado desde antigamente, nossas crianças aprendem desde cedo. Esse desenho Deus deixou para nós. Nossos antepassados já praticavam desde muito tempo. Estamos valorizando e guardando o que é nosso”, diz, orgulhoso, Xerente.

Os Javaé, por sua vez, recebem uma pintura para cada fase da vida. Jovens, casados e guerreiros, cada um tem sua caracterização. O desenho de Ixati Javaé é o dos guerreiros. Um mosaico monocromático cobre o tronco e vai até a metade das pernas do indígena. São uma formas semelhantes à letra “S” que juntas formam uma espécie de labirinto no corpo.

“A pintura corporal é uma manifestação de cada cultura, cada povo. Ser indígena é ser feliz, sentir orgulho do que é”, diz o xavante Urias Tsumey’wa. Os xavantes, do Mato Grosso, são facilmente identificados na vila dos jogos pelo vermelho vivo espalhado por todo o corpo, inclusive nos cabelos, e pequenas listras pretas. “A pintura representa alguma coisa, fala alguma coisa. O meu povo se pinta totalmente para a guerra, com essa nossa pintura preto e vermelho”.

 

Compartilhar.

Sobre o autor

Comentários desativados.

000-017   000-080   000-089   000-104   000-105   000-106   070-461   100-101   100-105  , 100-105  , 101   101-400   102-400   1V0-601   1Y0-201   1Z0-051   1Z0-060   1Z0-061   1Z0-144   1z0-434   1Z0-803   1Z0-804   1z0-808   200-101   200-120   200-125  , 200-125  , 200-310   200-355   210-060   210-065   210-260   220-801   220-802   220-901   220-902   2V0-620   2V0-621   2V0-621D   300-070   300-075   300-101   300-115   300-135   3002   300-206   300-208   300-209   300-320   350-001   350-018   350-029   350-030   350-050   350-060   350-080   352-001   400-051   400-101   400-201   500-260   640-692   640-911   640-916   642-732   642-999   700-501   70-177   70-178   70-243   70-246   70-270   70-346   70-347   70-410   70-411   70-412   70-413   70-417   70-461   70-462   70-463   70-480   70-483   70-486   70-487   70-488   70-532   70-533   70-534   70-980   74-678   810-403   9A0-385   9L0-012   9L0-066   ADM-201   AWS-SYSOPS   C_TFIN52_66   c2010-652   c2010-657   CAP   CAS-002   CCA-500   CISM   CISSP   CRISC   EX200   EX300   HP0-S42   ICBB   ICGB   ITILFND   JK0-022   JN0-102   JN0-360   LX0-103   LX0-104   M70-101   MB2-704   MB2-707   MB5-705   MB6-703   N10-006   NS0-157   NSE4   OG0-091   OG0-093   PEGACPBA71V1   PMP   PR000041   SSCP   SY0-401   VCP550   HP0-S42   70-483   101   000-080   1z0-434   CCA-500   CAP   1Z0-804   220-802   70-483   SY0-401   70-980   300-101   c2010-652   ICGB   1Z0-144   101   70-533   000-017   1Z0-060   640-916   9L0-012   MB2-704   9L0-066   2V0-621D   1Z0-144   1Y0-201   74-678   EX200   70-483   700-501   210-260   200-310   100-105  , JK0-022   350-080   300-070   CISSP   810-403   CAS-002   300-206   200-101   OG0-093   000-104   MB6-703   CISSP   1Z0-144   070-461   1Z0-060   SSCP