A Lambretta morreu. Viva a Lambretta!

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A marca Lambretta saiu de cena em 1982, mas não tem jeito, está na boca e na memória de muitos ao redor do mundo. É o típico caso de quando a marca é mais forte que o fabricante e ainda continua a existir mesmo quando saiu de circulação. É o que acontece no Brasil, por exemplo, com a Pan Air, cada vez que Milton Nascimento ou interprétes de suas canções, como Elis Regina, voam nas asas dessa companhia aérea, levando nós para terrenos de emoção, mesmo quando sequer voamos nessas asas. Com a Lambretta não é diferente, a marca virou sinônimo desse tipo de veículo e mesmo que os mais jovens e fabricantes insistam na categoria scooters.

A Lambretta ainda dá voltas na memória do consumidor. Uma história que começou após a II Guerra Mundial, quando Ferdinando Innocenti, enfrentou o árduo trabalho da reconstrução de sua fábrica de tubos de aço sem costura situada em Lambratte, Milão, que havia sido reduzida a uma pilha escombros e fumaça.

Innocenti percebeu naquele momento que as necessidades primárias de seu país eram duas: a primeira era a de começar a produção de equipamento industrial e maquinaria pesada; e a segunda prover de um método barato e seguro o transporte da população. Ele, então, se uniu ao engenheiro PierLuigi Torre que idealizou um veículo de baixo custo de produção, barato de se manter, e com proteção melhor que uma motocicleta para as mudanças de tempo (chuva, frio, neve, etc.): a Lambretta.

A produção começou em 1947, depois de um ano gasto com desenvolvimento e teste do novo protótipo. A primeira Lambretta foi nomeada naturalmente de Modelo UM, que tinha como característica um motor de dois tempos com um único cilindro, e eficiente pistão de 52 a 58 mm de diâmetro. Isto dava ao novo modelo, 123 cc de potência, fazendo com que desenvolvesse 33 quilômetros com 1 litro de gasolina, um ponto forte de venda, em uma Itália escassa em combustível.

Este primeiro modelo foi inspirado em um veículo militar modelo "Cushman", empregado pelo exército americano durante a II Guerra que era utilizado para transporte individual de uma divisão motorizada. A fábrica italiana cessou sua produção em 1971, porém a Lambretta continuou a ser produzida sob licença na Argentina, Brasil, Chile, Índia e Espanha, algumas vezes sob a marca Lambretta e em outras não.

 A Lambretta foi a primeira fábrica de veículos do Brasil, saindo na frente até mesmo da indústria automobilística. A implantação da fábrica Lambretta do Brasil S.A. em 1955 , como uma licenciada da Inocentti, no bairro da Lapa em São Paulo, coincidiu com a moda mundial da motoneta (scooter), na década de 50. A produção entre 1958 e 1960, o apogeu da marca, superou a quantidade de 50.000 unidades/ano. A partir de 1960 foi lançado o modelo LI (corresponde ao modelo "série 2 " que foi lançado pela Innocenti na Itália em outubro de 1959). Em 1971, numa tentativa de melhorar o mercado, a Lambretta lançou uma moto híbrida com motoneta, a Xispa, com projeto e componentes totalmente nacionais em versão de 150cc e 175cc que ficou em linha até 1979. Mas a indústria automobilística já tinha se implantado e o mercado das motocicletas se aquecia com a entrada das marcas japonesas. A Lambretta quase fechou neste momento. A Lambretta parou de produzir a motoneta (scooter) e passou por uma grande crise.

 Finalmente em 1979, como último suspiro, lançou a Lambretta Br Tork nas versões 125P, 125T e de 150cc, voltado para o segmento de veículos populares com preços acessíveis. A fábrica faliu em 1982. Hoje a Lambretta ainda é produzida na Índia pela "S.I.L" ( Scooters India Ltd) porém somente o triciclo conhecido como "Tuk Tuk" sem a tradicional marca.

E até hoje, a fábrica que já cerrou as portas, ainda vive na memória. É um caso em que o marketing da necessidade virou sinõnimo de uma categoria, e mesmo quando alguém se depara com as scooters, há sempre alguém por perta para dizer que são lambrettas, ou que se parecem com uma lambretta. Os dicionários onde a expressão lambreta está grifada prometem ainda manter essa tradição. Neste caso, a marca foi bem mais forte que a própria indústria. É um belo caso de marketing.

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