COSTA RICA ATRAIU TURISMO E RENDA COM FIM DOS DESMATAMENTOS

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Por Carlos Franco

Desde o início da década de 1970, quando cientistas e ativistas do meio ambiente deram um grito de alerta sobre o desmatamento das reservas florestais da Costa Rica para a extração de madeira, a criação de gado e a lavoura, o país passou a viver nova realidade. Por pressão interna e externa, implantou leis que impediram esse avanço e a destruição de uma floresta úmida rica em vegetação e animais selvagens que teve mais de 78% de suas reservas arrasadas pela ganância do atraso até então. Hoje, o Parque Nacional Corcovado, criado em 1975, atrai turistas do mundo inteiro e novas iniciativas atreladas ao turismo e à preservação do meio ambiente foram criadas por meio do estímulo aos investimentos privados. O Santuário Animal de Diamante em Guanacaste, que une o litoral à floresta e onde o DIAMANTE Eco Adventure Park foi implantado, é um bom exemplo. Abriu espaço para atrativos investimentos em turismo de aventura, tanto na selva como no mar, gerando receitas e empregos de qualidade em comparação às lavouras arcaicas da exploração. O filme publicitário desse paraíso na terra é o melhor retrato em movimento dessa nova e exuberante realidade da Costa Rica:

A mudança na Costa Rica, onde também se situam as deslumbrantes Coco Islands, foi imensa e hoje o país tem no turismo a sua principal fonte de receita. A miséria e o triste de retrato de um povo explorado no período colonial e, por ingerência dos Estados Unidos no século passado, por empresas como a United Fruit, que cultivava bananas e frutas tropicais se valendo de uma mão de obra barata e da pobreza são hoje, recorrendo à imagem que o poeta Carlos Drummond de Andrade sobre sua Itabira natal, em Minas Gerais, devastada pela exploração de minério de ferro que transformou o morro do Cauê em pó, apenas um retrato na parede. Causa dor e espanto, mas cedeu lugar a uma nova e pujante realidade, onde desde 1995 o turismo representa a primeira fonte de moeda estrangeira da economia e resulta em mais recursos do que banana, abacaxi e café, tradicionais produtos de exportação daquele país, juntos.

Medidas de apoio e estímulo à preservação ambiental foram tomadas e o país que em 1948 aboliu as Forças Armadas e direcionou os recursos com gastos militares para saúde e educação, viu florescer uma nova realidade. Passou incólume pelas ditaduras militares, como as do Brasil, Argentina, Chile, Bolívia e Uruguai, entre outros países da América Latina e Central justamente por ter abolido as tropas militares, e hoje recebe turistas do mundo inteiro. Com o analfabetismo erradicado e a saúde pública e o transporte público de qualidade na pauta do governo, assim como o compromisso com a sustentabilidade e o meio ambiente, a Costa Rica tornou-se porto de atração de investimentos e importante polo de distribuição de renda para seus cidadãos.

Em 2008, por exemplo, a Costa Rica, com 4,8 milhões de habitantes, recebeu 2 milhões de turistas estrangeiros. É este país também quem sedia, no papel de uma das mais sólidas democracias da América do Sul, a Corte Interamericana de Direitos Humanos.

O paraíso existe e está bem próximo. Fica na Costa Rica.

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