EXISTE SAMBA EM FLORIPA

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Por Heloísa Antônia Franco

O primeiro registro fonográfico do samba fez 100 anos em 2016.
Os grandes sambistas da música negra brasileira como João da Baiana, Pixinguinha, Sinhô e Donga produziram muitos encontros, mas foi Donga quem registrou o primeiro samba no Brasil,  ” Pelo Telefone”, em 1916. Foi a primeira vez também que o nome Samba apareceu num disco vinil.

Nesta época, bem próxima da Abolição da Escravidão,  não havia uma política de integração dos negros, então eles se reuniam nos morros, nas praças, muita imigração de baianos que vinham para o Rio de Janeiro, iam formando o que se chamou na época de “Pequena África”.

Tocavam na casa das tias, como eram chamadas as baianas que os acolhiam em casa, muitas vezes lhes dando comida e acolhida. A casa da Tia Ciata foi muito importante para a diversidade do samba. Depois de sua morte em 1924, a sua casa na Pedra do Sal no Rio continuou sendo o ponto de encontro dos sambistas dando origem ao samba carioca, e daí vários gêneros surgiram: o pagode, ponto-alto, samba-enredo, samba-rock e a bossa nova.

Existe Samba em Floripa num pequeno bar, modesto e aconchegante, no qual se entra por uma pequena porta no número 30 da Rua Moacir Pereira Júnior, na Lagoa da Conceição. Lá dentro, ecoa a melhor música de Pixinguinha, Heitor dos Prazeres, Cartola, Ataulfo Alves e em homenagem à nossa mineiridade Ernesto Nazaré em animada roda de samba e de bambas.

Sim. Há samba em Minas Gerais, ou Minas dá Samba! Wagner Tiso, mineiro, músico, compositor está prestando uma homenagem a Minas Gerais: Ataulfo Alves, Geraldo Pereira, Ary Barroso e Sinval Silva,  grandes sambistas mineiros.

Curiosamente o samba era usado como sinônimo de festa e não como gênero musical. O samba era uma oração e a dança era sagrada, uma forma de expressão da fertilidade e conexão com as forças do universo, trazido pelos escravos de origem banto de Congo e Angola.
Viva o Samba!

E se pontuamos que existe samba em Floripa é porque o samba se espalha em vários pontos da Lagoa da Conceição, onde cariocas também se refugiam para desfrutar a velhice com samba no pé. Toda terça-feira, por exemplo, no Bar Varandas, na Avenida das Rendeiras 492, na Lagoa da Conceição,  os excelentes músicos do Projeto Nossa Samba Floripa se reúnem para saudar essas músicas de raiz. A turma já gravou inclusive o seu primeiro disco com sambas históricos, que pode ser conferido no site do projeto aqui. São esses músicos que estão incluindo Floripa na rota do samba que ilustram esta nossa pequena reportagem.

Viva o samba!

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