FILME BRASILEIRO NO OSCAR 2016 AGITA MERCADO DE ANIMAÇÃO

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O cineasta Alê Abreu teve que interromper suas férias no fim de 2015 para voltar correndo para São Paulo já que a animação, O Menino e o Mundo, foi indicada ao Oscar 2016 e o cineasta passou a ser procurado para entrevistas por jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão, blogs e sites com a oportunidade extraordinária para divulgar a obra e buscar novas salas de cinema, agora interessadas em sua exibição. O filme com orçamento de R$ 2 milhões vai competir com produções que custaram mais de US$ 170 milhões, como “Divertida Mente”, da Pixar. Essa é a primeira vez que uma produção nacional concorre entre os desenhos de longa-metragem, num quesito sempre dominado por filmes de grandes estúdios de Hollywood (entre eles a Disney e a Pixar que agora são parceiras, a Blue Sky e a Dreamworks).

O anúncio de “Boy & The World” é um reflexo direto da ótima fase da animação do país, onde os cursos de animação são cada vez mais procurados, muitos deles com foco em especialização e iniciação em animação, games, produção audiovisual, como é o caso da RedZero, escola brasileira que estimulou a  Full Sail University da Flórida, maior universidade de computação gráfica do mundo a  investir no país. A Full Sail University tem se destacado na área de computação gráfica, animação 3D e pelos ex-alunos premiados com a estatueta do Oscar, entre eles Garry Rizzo, vencedor do Oscar por melhor edição de áudio do filme Inception (com Leonardo Di Caprio) e Sebastian Krys, vencedor de 13 Grammys latinos.

Marcelo Hodge Crivella, diretor executivo da REDZERO, Escola de Criação de Game, sentiu a forte atração que os filmes de animação e os produtos audiovisuais da categoria despertaram entre os brasileiros, como deixa claro nesta entrevista à Revista Publicittà:

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Quais os principais desafios da indústria da animação aqui no Brasil?

Creio que o principal desafio é vencer a barreira de falta de mão de obra qualificada. O Brasil é um gigante mundial em seu consumo por mídia e entretenimento digital mas infelizmente estamos muito atrasados em nossa produção interna. O principal motivo para isso é falta de mão obra excelente – isso afasta investidores e inibe o surgimento de novos empreendedores na área.

Quais as estimativas para o mercado de trabalho do setor aqui no país?

A indústria criativa cresce significativamente e esta na contramão da crise que o pais esta vivendo. No mercado de games, por exemplo, o Brasil vem crescendo de 9 a 15 % ao ano e tem feito isso nos últimos 5 anos consecutivos. Estima-se que até 2018 serão 117 mil vagas para esse setor.

A exemplo da REDZERO, há mercado para escolas de ensino da animação digital por aqui?

Existe muito mercado sim, mas é preciso combater alguns tabus de pais que visualizam esse mercado com certo preconceito e sendo assim orientam seus filhos para carreiras tradicionais a exemplo de advogado, médico, engenheiro e outras. O que temos visto é que a juventude esta descobrindo que é possível sim fazer dinheiro com aquilo que mais gostam como Design, Games, Vídeos e Animações. Os youtubers são um bom exemplo, pois existem muitos brasileiros hoje que ganham nesse mercado muito mais que advogados e médicos formados. Isso é uma demonstração clara de que o mercado está mudando e novas demandas estão surgindo.

 Qual o impacto da propalada crise econômica que a mídia tradicional estampa e faz questão de enfatizar no setor?

Acho que a crise nos leva a uma reflexão e para a necessidade de olharmos para o mundo de forma diferente. Uma pessoa sábia uma vez me disse que se pegarmos a palavra CRISE e retirarmos o S ela se tornaria CRIE. Acho que ela estava 100% correta. É momento de criar novos caminhos e de pensar em quais serão as profissões do futuro. Em momentos onde as pessoas percebem que os seus cargos estão em risco elas naturalmente se movimentam em busca de novas capacitações para assim se tornarem mais competitivas no mercado. Nosso mercado tem atraindo diferentes profissionais assim, homens e mulheres estão percebendo que existem novas áreas promissoras e cheias de oportunidade na indústria criativa.

O Brasil tem potencial para exportar produtos locais ou isso ainda é algo exclusivo para países como Estados Unidos?

O Brasil é o quarto maior consumidor de games do mundo e aqui se encontram grandes eventos de games como o Brasil Game Show, por exemplo, que reúne cerca de 200 mil pessoas todo ano em São Paulo. Temos então um publico extenso de amantes e ávidos consumidores de games e animações. Isso me faz crer que existe muita oportunidade de crescimento para nosso mercado interno e consequentemente externo também. O que produtores locais precisam manter em mente é que os consumidores brasileiros já estão acostumados com o nível de produção norte-americano e, por isso, precisam ser conquistados com produtos de excelente qualidade. Um case brasileiro que está fazendo sucesso é o jogo “Lenda do Herói”, que foi recordista em crowdfunding no Catarse como também reconhecido internacionalmente pelo Steam. Existe esperança. Mas é preciso recuperar o tempo perdido e isso começa na formação de uma nova safra de talentos para esse mercado. Essa é nossa missão na REDZERO

 

 

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