#PodemosTirarSeAcharMelhor: ATÉ TU, REUTERS?

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A Reuters, agência de notícias britânica, hoje pertencente ao Grupo Thomson Reuters, após fusão em 2008 com o canadense Thomson Group, expôs as feridas abertas do jornalismo praticado no Brasil na semana passada, com reflexo sobre sua credibilidade construída desde 1850, quando ainda fazia uso de pombos-correios para levar ao mundo informação de qualidade. Menos que um top trend das redes sociais, dando origem inclusive à propaganda de oportunidade da rede fast-food The Fifties, o #PodemosTirarSeAcharMelhor é retrato da subserviência da grande imprensa e sua passividade em relação à corrupção durante os oito anos de governo de Fernando Henrique Cardoso na Presidência da República, de janeiro de 1995 a  janeiro de 2003.

Na segunda-feira 23, a agência publicou entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, assinada por ninguém menos que o jornalista Brian Winter, autor do livro escrito em parceria com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso intitulado “O Improvável Presidente do Brasil”. Até aí, nada demais. Fernando Henrique Cardoso sempre procurou ter boas relações com jornalistas e mais ainda com os donos de jornais, diretores de redação e editores-chefes.

Só que, no sexto parágrafo da entrevista versando sobre a corrupção na Petrobrás, o texto lembra que um dos delatores do esquema, o ex-gerente de Serviços da Petrobrás Pedro Barusco, informou ter começado a receber propinas em 1997, em pleno governo de FHC. Então, entre esse parágrafo e o sétimo, logo após a citação de um dos delatores da corrupção na estatal petroleira, aparece, entre parênteses, a observação “Podemos tirar, se achar melhor”.

#PodemosTirarSeAcharMelhor? Até tu, Reuters? A frase que o historiador Suetônio celebrizou no livro “A vida de Júlio César” é, neste caso, mais que oportuna, mas desta vez outro Júlio, o alemão Paul Julius Reuter, foi o atingido em reputação e imagem pelos profissionais que atuam na empresa que construiu para levar ao mundo informação de qualidade e credibilidade, um jornalismo não de compadrio, mas comprometido com a verdade dos fatos.

A Reuters divulgou lacônica nota oficial: “A Reuters publicou em 23/3 inadvertidamente uma reportagem em português com a pergunta do editor brasileiro ao autor do texto original em Inglês. A pergunta, que deveria ter sido removida do texto, foi publicada acidentalmente. A Reuters em seguida publicou uma segunda versão do texto sem a pergunta. O conteúdo de ambos os textos em Português é exatamente o mesmo, e lamentamos qualquer confusão causada pelo engano”. Lacônica porque não elucida se pretendia remover o trecho que implicava o governo Fernando Henrique Cardoso ou não, mas que diante da distribuição para os assinantes e a publicação da reportagem por clientes que confiam na sua credibilidade, como O Globo, o recuo da informação deixaria ainda mais clara a intenção de poupar o governo de Fernando Henrique Cardoso, como o faz rotineiramente grandes veículos da imprensa nacional.

Se Brutus atacou o imperador romano num conluio com a aristocracia da época, agora foi a vez de a Reuters ferir o maior patrimônio de outro Julius, o alemão que a fundou, naquilo que seu empreendimento sempre teve de mais precioso: a credibilidade.

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Essa facada que atingiu a credibilidade da agência não passou batida no mercado publicitário. Aproveitando a enorme repercussão da gafe cometida pela Reuters, que esqueceu no meio de uma entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a expressão “Podemos tirar se achar melhor”, a Agência Digi criou um post para as mídias sociais da rede de lanchonetes The Fifties em cima do meme da semana #PodemosTirarSeAcharMelhor.

O post mostra a imagem do lanche Pic Americano e uma marcação no alface com a mensagem “podemos tirar se achar melhor”. O resultado é que esse post alcançou mais de 270 mil pessoas, mais de 13 mil interações com o conteúdo e 7,54% de taxa de envolvimento (7.193 mil usuários da rede). Isso mostra que a Agência Digi está totalmente atenta às oportunidades do mercado.

A agência constatou que poucas marcas se apropriaram devidamente do ocorrido e o post está sendo assunto de sites especializados e grupos de discussão do meio publicitário com muitos elogios. Isso é Live Marketing puro.

Para a publicidade foi, de fato, uma oportunidade, Live Marketing puro e saboroso, para a Reuters a credibilidade abalada. E assim caminha a mídia. Certa esta The Fifties que vendeu sanduíches com a história. #PodemosTirarSeAcharMelhor…A Reuters pelo menos ganhou visibilidade nas redes sociais até por aqueles que não a conheciam.

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Sobre o autor

Carlos Franco

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