QUAL É A CREDIBILIDADE DE UMA AGÊNCIA DDD-?

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Standard & Poor’s, uma companhia DDD-, pois sempre estará, seguindo a lógica da sua escala de rating, em moratória permanente e irrecuperável com aqueles que acreditaram em seu prognósticos e aos quais sequer deu satisfação nem arcou com os prejuízos ao atribuir, por exemplo, nota AAA (o desejado triplo A) de investimento seguro ao banco Lehman Brothers no mês em que a instituição faliu, dominou o noticiário online no Brasil nesta sexta-feira, 28, e ganhou destaque em capas de jornais nesta quarta-feira, 29. É impressionante como uma agência campeã em erros de prognósticos pode conseguir tanto espaço na mídia a favor de especuladores que vivem de seus erros e irrelevantes acertos. Só mesmo o complexo de vira-latas, brilhantemente descrito por Nelson Rodrigues, para explicar a alegria com que veículos estampam que o Brasil pode ser rebaixado pelos padrões pobres, a Standard & Poor’s numa tradução literal, para explicar tal fenômeno.

 

A Standard & Poor’s como bem escreveu o Nobel de Economia Paul Krugman não tem credibilidade para julgar nada e coisa alguma. Em artigo no The New York Times publicado em agosto de 2011, portanto prestes a completar quatro anos, Krugman foi categórico: “esta agência é a pior instituição à qual alguém deveria recorrer para receber opiniões sobre as perspectivas do nosso país”. No caso, o economista refere-se aos Estados Unidos, onde se ergue na ilha de Manhattan o escritório central que abriga a chamada “elite” dessa medíocre agência de risco. Não que as suas concorrentes principais, Moodys e Fitch Ratings sejam lá grandes coisas, cometem os mesmos erros, mas nesse quesito,o de errar, continuar errando e sequer se desculpar publicamente, Standard & Poor’s é campeã, lidera de longe os falsos prognósticos e não conhece sequer os Estados Unidos onde está baseada como observa Krugman.

Deve ser vergonhoso para editores da McGraw-Hill que a controla e publica livros sérios, ler as análises rasas e sem fundamentos dos “meninos”e “meninas”da Standard & Poor’s, pois é chocante a falta de conhecimento que têm da cultura dos países que analisam, mas nos quais conseguem realizar, ao sabor das expectativas que plantam (tal qual nuvens de aves de rapina ou bíblicos gafanhotos) estragos e até, talvez, dormir felizes com o feito a favor de especuladores de ocasião. Afinal, os tradicionais especuladores como George Soros e Warren Buffett já demonstraram não levar muito a sério tais análises sem vínculo com a realidade. É claro que ganham dinheiro com elas, mas preferem fazer suas apostas por vezes ao contrário. Foi assim que, contra a libra esterlina, Soros levou uma bolada de deixar o Banco da Inglaterra de calças curtas se valendo de uma análise culturalmente mais sofisticada, fruto talvez das aulas que teve com Sir Karl Popper (um dos grandes nomes da epistemologia). Conhecer a história e a cultura imprime um padrão melhor de qualidade que os padrões pobres dos meninos da agência DDD- cujo controlador até edita livros que seriam importantes que esse meninos tivessem conhecimento. Mas seria exigir demais de  “meninos”e  “meninas” medíocres, ainda que formados por universidades conceituadas em sua maioria – uma prova que isso nunca quer dizer grandes coisas.

Naquele ano de 2011, a Standard Poor’s rebaixou os títulos dos Estados Unidos mesmo se baseando em dados errôneos, como observou Krugman, Nobel de Economia, em seu brilhante artigo:

“Comecemos pela falta de credibilidade da Standard & Poor’s. Se existe uma única expressão que melhor descreve a decisão da agência de classificação de risco de rebaixar os Estados Unidos, esta palavra é chutzpah (cara de pau) – tradicionalmente definida pelo exemplo do jovem que mata os pais e depois suplica por clemência pelo fato de ser órfão. O grande déficit orçamentário dos Estados Unidos é, afinal de contas, basicamente o resultado da queda econômica que se seguiu à crise financeira de 2008. E, a Standard & Poor’s, juntamente com as outras agências de classificação de riscos, desempenhou um papel importante no que se refere a provocar aquela crise, ao conceder classificações AAA a papeis lastreados em hipotecas que acabaram se transformando em lixo tóxico.
E a má avaliação não parou aí. É notório o fato de a Standard & Poor’s ter dado ao Lehman Brothers, cujo colapso provocou um pânico global, uma classificação A no mês em que aquele banco faliu. E como foi que a agência de classificação de risco reagiu depois que a instituição financeira de nota A foi à falência? Ela emitiu um relatório no qual negava ter cometido qualquer erro.

Então, são essas as pessoas que agora decretam que os Estados Unidos da América não são mais dignos de crédito?

Mas esperem, essa história fica ainda melhor. Antes de rebaixar os papeis da dívida dos Estados Unidos, a Standard & Poor’s enviou um esboço preliminar do seu novo relatório ao Departamento do Tesouro. Os funcionários do departamento identificaram rapidamente um erro de US$ 2 trilhões nos cálculos da Standard & Poor’s. E o erro era daquele tipo que nenhum especialista em orçamento poderia cometer. Após discussões, a Standard & Poor’s admitiu que estava errada – e rebaixou os Estados Unidos assim mesmo, após remover uma parte da sua análise econômica do relatório.”

Então, levar a sério uma instituição sem credibilidade é para os fracos. Os fortes continuarão lendo livros, se informando melhor, alguns inclusive editados pelo controlador dessa agência DDD- em constante moratória com aqueles que têm um pouquinho mais de cérebro.

 

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