RODANDO DE LAMBRETTA

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CARLOS FRANCO

A marca Lambretta saiu de cena em 1982, mas não tem jeito, está na boca e na memória de muitos ao redor do mundo. É o típico caso de quando a marca é mais forte que o fabricante e ainda continua a existir mesmo quando saiu de circulação.

É o que acontece no Brasil, por exemplo, com a PanAir, cada vez que Milton Nascimento ou Elis Regina, voam nas asas dessa companhia aérea. Com a Lambretta não é diferente, a marca virou sinônimo desse tipo de veículo.

A história da Lambretta começou após a II Guerra Mundial, quando Ferdinando Innocenti, enfrentou o árduo trabalho da reconstrução de sua fábrica de tubos de aço sem costura situada em Lambratte, Milão, que havia sido reduzida a uma pilha escombros e fumaça.

Innocenti percebeu naquele momento que as necessidades primárias de seu país eram duas: a primeira era a de começar a produção de equipamento industrial e maquinaria pesada; e a segunda prover de um método barato e seguro o transporte da população. Ele, então, se uniu ao engenheiro PierLuigi Torre que idealizou um veículo de baixo custo de produção, barato de se manter, e com proteção melhor que uma motocicleta para as mudanças de tempo (chuva, frio, neve, etc.): a Lambretta.

A produção começou em 1947, depois de um ano gasto com desenvolvimento e teste do novo produto. A primeira Lambretta foi nomeada naturalmente de Modelo UM, que tinha como característica um motor de dois tempos com um único cilindro, e eficiente pistão de 52 a 58 mm de diâmetro. Isto dava ao novo modelo, 123 cc de potência, fazendo com que desenvolvesse 33 quilômetros com 1 litro de gasolina, um ponto forte de venda, em uma Itália escassa em combustível.

Este primeiro modelo foi inspirado em um veículo militar modelo “Cushman”, empregado pelo exército americano durante a II Guerra que era utilizado para transporte individual de uma divisão motorizada. A fábrica italiana cessou sua produção em 1971, porém a Lambretta continuou a ser produzida sob licença na Argentina, Brasil, Chile, Índia e Espanha, algumas vezes sob a marca Lambretta e em outras não.

A Lambretta foi a primeira fábrica de veículos do Brasil, saindo na frente até mesmo da indústria automobilística. A implantação da fábrica Lambretta do Brasil S.A. em 1955, como uma licenciada da Inocentti, no bairro da Lapa em São Paulo, coincidiu com a moda mundial da motoneta (scooter), na década de 50. A produção entre 1958 e 1960, o apogeu da marca, superou a quantidade de 50.000 unidades/ano. A partir de 1960 foi lançado o modelo LI (corresponde ao modelo “série 2 ” que foi lançado pela Innocenti na Itália em outubro de 1959).

Em 1971, numa tentativa de melhorar o mercado, a Lambretta lançou uma moto híbrida com motoneta, a Xispa, com projeto e componentes totalmente nacionais em versão de 150cc e 175cc que ficou em linha até 1979. Mas a indústria automobilística já tinha se implantado e o mercado das motocicletas se aquecia com a entrada das marcas japonesas. A Lambretta quase fechou.

Finalmente em 1979, como último suspiro, lançou a Lambretta Br Tork nas versões 125P, 125T e de 150cc, voltado para o segmento de veículos populares com preços acessíveis. A fábrica faliu em 1982. Hoje a Lambretta ainda é produzida na Índia pela “S.I.L” ( Scooters India Ltd).

A máquina ainda vive na memória e nas mãos de colecionadores e os dicionários onde a expressão lambreta está grifada prometem ainda manter essa tradição. Neste caso, a marca foi bem mais forte que a própria indústria.

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Carlos Franco

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