VERDADES SECRETAS, IL GRAN FINALE!

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A novela Verdades Secretas, de Walcyr Carrasco, trouxe à tona o universo das agências de modelos e produtoras de comerciais de moda, inclusive o famoso book rosa, com o qual trocam o corpo pelo estrelato e o pagamento de fotos que possam abrir o caminho das passarelas. As festas badaladas, os desfiles, os bastidores, o luxo, a luxúria, o amor, o crime e as drogas. O dinheiro que diria uma antiga propaganda de cigarros não compra a felicidade, manda trazer de forma angelical. Será mesmo um anjo, Angel? Um anjo torto, mas um anjo que revelou talentos em horário tardio e prendeu a atenção por trazer justamente as verdades, ainda que secretas, numa direção madura do núcleo da TV Globo dirigido por Mauro Mendonça Filho com atores que também desempenharam os papéis com empenho, talento e ousadia. O último capítulo, que foi ao ar na sexta-feira, 25, estimulou o jornalista Sandro Alves de França a, com olhar atento, escrever essa crítica que orgulhosamente compartilhamos com nossos leitores.

 

POR SANDRO ALVES DE FRANÇA

Verdades Secretas terminou como uma das produções mais impactantes da TV brasileira. Uma aposta numa dramaturgia ousada, mais adulta, sem abrir mão dos elementos clássicos de um folhetim e que deu muito certo.

O último capítulo começou desconstruindo o gancho do anterior: o tiro de arma de fogo fora dado no vaso. Mas a Carolina magistralmente defendida pela Drica Moraes faria o uso fatal da arma num suicídio altruísta, decisão extrema para abrir caminho para a felicidade da filha; a mãe que sacrifica a própria vida.

A cena de Arlete/Angel chorando desesperada sob o corpo ensanguentado da mãe é seguramente uma das sequências mais fortes da história da teledramaturgia. Um soco no estômago, uma faca cravada na garganta do espectador. Esse desfecho já era, em alguma medida, esperado (foi adiantado por alguns jornais e sites) mas vê-lo concretizado em cena foi algo aterrador. Surpreende foi a atitude de Angel em limar seu algoz/paixão Alex/Rodrigo Lombardi, premeditadamente, fazendo justiça a si mesma e a Carolina. Os desfechos do trio Antonny, Ágatha e Maurice e da cafetina de luxo Fanny, defendida por Marieta Severo, foram previsíveis, mas divertidos e bem bolados. A sequência de Larissa, a depende química interpretada por Grazi Massafera, como missionária distribuindo alimento para os viciados da cracolândia foi uma das cenas mais tocantes. Grazi Massafera maravilhosa expressando resignação, generosidade e choque ao ver seu ex-parceiro em estado de franca deterioração, como um espelho do que ela era antes da desintoxicação. E as imagens que se seguiram mostrando vários takes de pessoas vivendo o limite da devastação pela dependência química foram de uma força e sensibilidade abissais; seres humanos à beira do abismo, com sua humanidade presente mas em profundo colapso.

Ao final, a sequência mais emblemática e esteticamente singular: as duas personas que a jovem estreante Camila Queiroz tão bem personificou, a Angel, mulher literalmente fatal, exalando sensualidade e desenvoltura, e a Arlete, menina provinciana e romântica, cheia de idealizações. Essa dubiedade acompanhou a personagem-protagonista do começo ao fim, e no instante último reverberou fortemente. Fuja do olhar da Angel… Essa novela foi um marco televisivo e se firmou como um novo paradigma na construção narrativa em obras de ficção na TV aberta brasileira. Foi o que salvou 2015 do lugar-comum dramatúrgico.

Gran finale!

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