OSCAR 2016: BRIE LARSON DO QUARTO DE JACK PARA O PRÊMIO

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A norte-americana Brie Larson, nascida Brianne Sidonie Desaulniers em outubro de 1989, conquistou na noite deste domingo, 28, o Oscar de Melhor Atriz da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, Los Angeles, Califórnia, USA, por seu desempenho em “Room” (O quarto de Jack no Brasil). A atriz, que também é cantora, desponta assim como uma das grandes promessas do cinema por sua atuação sensível num filme que comove plateias com uma história angustiante, mas carregada de esperança.

Por Sandro Alves de França*

Uma experiência cinematográfica intensa. Essa é uma definição apropriada para O Quarto de Jack, filme dirigido pelo irlandês Lenny Abrahamson. De agonia, claustrofobia, comoção, ludicidade, frenesi, expectativa e outra gama se sensações latentes, todas são reflexo do enredo e da construção da narrativa – que fez um brilhante trabalho de humanização das personagens. Nos vemos diante de seus dramas, sonhos, alegrias e aspirações, somos arrebatados e completamente imersos no universo delas.

O filme gira em torno da relação entre mãe e filho confinados num pequeno quarto, sem qualquer contato com o mundo exterior. Interpretada pela Brie Larson, numa performance que é a franca favorita ao Oscar de Melhor Atriz, Joy, a mãe, se esforça ao máximo para trazer ao filho referências alegres e constrói com ele um universo paralelo e lúdico dentro do cubículo onde vivem. Vamos percebendo aos poucos a real natureza desse confinamento, à medida em que somos apresentados a rotina da mãe e do pequeno Jack, interpretado primorosamente pelo Jacob Tremblay numa atuação que impressiona pelas nuances dramáticas e pela verdade e naturalidade que transmite.

Brie Larson and Jacob Tremblay star in "Room." (Ruth Hurl/Element Pictures)

A mãe Joy (Brie Larson) e pequeno Jack (Jacob Tremblay) em cena do filme “O Quarto de Jack”. Com os dois confinados num espaço pequeno, ela cria um universo lúdico para livrar o filho do horror da situação em que os dois vivem.

Mãe e filho são mantidos presos no Quarto por um sequestrador. Ela foi sequestrada aos 17 anos e passou 7 como refém; Jack, o filho de cinco anos, nasceu em cativeiro, fruto do abuso sexual que o homem impôs a sua mãe. Toda essa história tem claramente um recorte dramático e cruel, mas há também o esforço comovente da mãe em livrar o filho dos horrores da situação em que eles estão enredados. Essa primeira parte do filme é um tanto claustrofóbica: o espectador fica perturbado com a situação, se vê na posição das personagens; a empatia é imediata, dada a forma como elas se humanizam e se mostram palatáveis, ainda que numa circunstância deveras atípica.

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O pequeno Jacob Tremblay na pele do menino Jack, em cena do filme. A performance dele impressiona pela maturidade cênica. Para muitos críticos, um desempenho tão bom quanto ou melhor que o de atores adultos.

A fuga do cativeiro, arquitetada pela mãe e operada pelo filho pequeno é um dos momentos de maior expectativa, tensão e frenesi que já se viu na Sétima Arte. É de tirar o fôlego, assim como é na mesma proporção comovente e extasiante o reencontro com a mãe já fora do Quarto. Citado desse jeito, como se fosse “O Quarto”, um mundo próprio, o local onde mãe e filho foram confinados é um elemento-chave na narrativa (o título do filme em inglês é apenas Room, quarto em tradução direta), de onde toda a dramaticidade e a construção estética partem. É difícil conseguir esse efeito num espaço cênico restrito, mas a direção conduz a uma visualidade muito bem-disposta no quadro fílmico (com uma providencial colaboração da fotografia e da direção de arte). Consegue até extrair alguma beleza do lugar.

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Interpretando Joy, a mãe sequestrada que cuida do filho e tenta manter a esperança, Brie Larson tem uma performance excepcional em “O Quarto de Jack” 

Além de um filme sobre o amor entre mãe e filho que consegue transpassar o horror e a crueldade, aliado a uma esperança luminosa, é sobre resiliência, sobre se refazer diante da dor. O processo de readaptação de Joy e de Jack não é fácil. Ele não conhecia outro mundo além do Quarto e ela perdeu as referências que tinha: amizades, prospecções, a configuração da família.

Jack, na sua inocência, sua jovialidade, seu olhar infantil e lúdico para o novo, tem algumas resistências no início, mas vai assimilando bem a nova realidade. Já a mãe se sente deslocada a tal ponto, sem rumo ou perspectivas, que chega a cair numa crise emocional profunda. O mundo real se apresenta mais desolador que o Quarto e ela se vê perdida. O reencontro consigo mesma e com a vida que tinha, agora em outro formato que ela não consegue se adaptar, a faz se diluir emocionalmente e entrar em colapso. Novamente o amor do filho é o que a salva.

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Mãe e filho livres do cativeiro: o amor dos dois como combustível para recomeçar a vida.

O Quarto de Jack é uma obra que mergulha fundo nos limites da emoção humana, nos faz refletir e gera identificação imediata. A performance esplêndida da Brie Larson, intensa e cadenciada na medida do drama que o filme enseja, junto da do pequeno Jacob Tremblay, que envolve pela maturidade e pela espontaneidade cênica presentes num ator tão jovem, tem muita responsabilidade nisso. É essencialmente um filme de atores, cujas personagens são o eixo central, e que flui bem justamente por extrair performances grandiosas do elenco aliada a uma direção segura. A dor é universal, mas a alegria, o amor, a coragem e a resiliência também – e eles podem salvar uma vida. No fim das contas, esse filme é sobre isso.

*Sandro Alves de França é graduado em Letras pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), estudante de Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), professor de Literatura, produtor cultural independente e Editor Geral do site sobre cinema Janela 7. É repórter e colunista do Paraíba Já.

 

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