INVASORES SEGUNDO FREDERICO DALTON

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Já tinha acontecido antes: no meio da noite, acordo para ir ao banheiro e vejo pela fresta da porta do meu quarto que a luz da sala estava acesa. Por duas vezes, eu mesmo tinha me esquecido de apagá-la, ao ir para a cama, exausto, depois de passar horas e horas no computador. Mas de repente meu estômago gela. E se não fosse isso desta vez? E se meu apartamento realmente tivesse sido invadido? Um assassino? Um espírito? Eu precisava ir ao banheiro. Morava sozinho há 30 anos. Por que estava com medo agora? Num gesto rápido demais para um covarde, escancarei a porta e vi uma pessoa no meio da sala. De pé. Um homem. Ou uma espécie de homem. Com listas ensanguentadas nas costas como se tivesse sido açoitado, e muito magro, o morto-vivo vai se virando aos poucos. Mas não vejo seu rosto. Estou fechando meus olhos com tanta força que acho que vou desmaiar. Para sempre.

 

Calma! Você não está triste, só está dando espaço à tristeza. Ela é muito metida, invade mesmo. Acha que é superior às outras emoções. Também, pudera! O Catolicismo é tão triste, belo e poderoso. O Oscar de melhor atriz sempre vai para mulheres atormentadas (Cate Blanchet em “Blue Jasmine”, Kate Winslet em “O Leitor”, Meryl Streep em “A Escolha de Sofia”). E quando estamos tristes, sempre temos a esperança de que alguém perfeito nos resgate, o que, com a trilha sonora certa, ficaria lindo.

 

Caiu um mito: os black blocs invadiram o Palácio do Governador! Esta era a motivação que eu precisava para mudar meus métodos como street photographer. Agora não tenho mais inibições. Chego na cara das pessoas e clico. Melhor ainda quando estão se beijando, ou quando um marido está com a mão na bunda da esposa. Fotografo as brigas entre moradores de rua, trocadores urinando nos pneus dos seus ônibus, mães acima do peso amamentando no metrô. Sou tão abusado que chegam a ter medo de mim. Minha câmera é um dedo na ferida dos outros, uma mosca na sopa do mundo, uma merda no ventilador. Meus dias estão contados.

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