KALACHE, A VOZ DA LONGEVIDADE

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O II Fórum da Longevidade reuniu cerca de 300 pesquisadores de todo o mundo para debateram as diferenças de gêneros, buscando compreender fatores comportamentais que alinhavam as políticas e práticas que podem permitir uma vida mais saudável e ativa depois dos 60 anos.

O II Fórum Internacional de Longevidade encerrado, em outubro, no auditório do Grupo Bradesco Seguros,  no Rio de Janeiro, deve divulgar até o fim de 2014, início de 2015, uma carta aberta, assinada por representantes de organizações dos cinco continentes, em defesa da “equidade de gêneros num mundo que envelhece”. No documento, serão destacados os compromissos com os quatro pilares essenciais para governos, empresas de cidadãos se unirem em favor de projetos de qualidade de vida ativa a todos ao longo dos anos, levando em conta as diferenças entre homens e mulheres (os seus ciclos de vida), diante da realidade e da visibilidade que o envelhecimento populacional tem hoje em todo o mundo.
Os quatro pontos cruciais são o capital financeiro, necessário para suprir as necessidades básicas e assegurar qualidade de vida, o capital social (a manutenção e o estreitamento dos laços afetivos com amigos, familiares e colegas do atual ou dos antigos ambientes de trabalho e estudo); o conhecimento continuado, que estimula a vida ativa e a troca de experiências; e a saúde e assistência capazes de assegurar equidade entre os gêneros e reduzir os custos do envelhecimento.
O médico e gerontólogo Alexandre Kalache, presidente do ILC-Brasil e consultor do Grupo Bradesco Seguros para assuntos relacionados a longevidade, destacou que alguns temas foram recorrentes nos debates, independentemente das realidades dos cinco continentes: os direitos dos idosos, o acesso ao conhecimento e a saúde. “Os direitos de homens e mulheres longevos é um ponto essencial para o desenvolvimento e o progresso, assim como o conhecimento, capaz de manter a mente em atividade e a saúde”, disse e complementou: “Doenças todos teremos, mas o importante é manter a saúde física e mental em sintonia com os ciclos da vida”, explicou o médico que é membro da Academia de Medicina de Nova York. No Fórum de 2013, Kalache entrevistou, ao vivo, a atriz Jane Fonda (na foto), imagem de quem sabe envelhecer e merecerá, em breve, um capítulo a parte sobre o tema.
Pesquisadora da Universidade de Surrey (Reino Unido), Sara Arber, disse que  três tipos de recursos são essenciais no envelhecimento de forma a manter o indivíduo ativo por períodos cada vez  mais longos: materiais (renda e bens),  saúde e assistenciais. Com foco na questão assistencial, Sara Arber alertou para a importância dos dados demográficos, que têm a função de estabelecer cenários e o desenvolvimento de políticas mais eficazes diante do enorme desafio que o rápido envelhecimento da população em países emergentes como o Brasil. Outro fator importante é a mudança na estrutura familiar, com a mulher fortemente atrelada ao mercado de trabalho e quase ausência de crianças nos lares, o que quebra a tradição de filhos cuidando dos pais no período do envelhecimento. Essa presença da mulher no mercado de trabalho tão tem um importante peso, pois a sua renda é menor que a dos homens.
Alexandre Kalache diz que, na média global, pois é uma realidade que se replica em todos os países, independente da riqueza, a mulher recebe em idade ativa cerca de 15% menos que os homens, porcentual que sobe para 40% na aposentadoria, uma vez que ela dedica um tempo da idade ativa para a gestação e criação dos filhos. A maternidade ou mesmo os cuidados com familiares cobram depois o seu preço e ele é pago com o comprometimento da aposentadoria ou o recebimento de pensões dos entes familiares, também mais baixos do que a aposentadoria em si.
Para  Sara Aber, existe ainda outro fator com implicações diretas sobre o atual cenário, que são as migrações, a busca dos mais jovens por oportunidades de trabalho, que deixam os mais velho sem cuidadores no local de origem.
 O  holandês Willem Adema, economista-sênior da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico),  ressaltou em sua apresentação focada nos fatores econômicos que o Brasil é um dos países do mundo que  apresenta ainda um gasto adequado com pensões e aposentadorias como proporção do PIB, mas que os chamados cuidados de longa duração ainda são praticamente nulos. De acordo com o economista, as mulheres ainda recebem menos que os homens em termos de pensões no mundo, mas essa realidade começa a mudar em países mais ricos e com grau de instrução maior.
Hoje, disse Willem Adema, alguns casais já definem, pelo nível de renda, qual dos dois vai parar de trabalhar para cuidar mais dos filhos e da casa, tanto faz se o homem ou a mulher. Ou seja, o planejamento familiar começa a ter alterações significativas e que também terão impacto muito em breve nas políticas públicas e mesmo no mercado de previdência tanto social como privada. Já para o idoso, ainda falta a definição clara de quem irá cuidar, mas esse deve ser o próximo passo.
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