NIZAN GUANAES: “ENQUANTO ELES CHORAM, EU VENDO LENÇOS”

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Enquanto eles choram, eu vendo lenços. A frase de efeito do baiano Nizan Mansour de Carvalho Guanaes Gomes foi a escolhida pelo jornalista João Wady Cury para dar título ao livro, lançado no ano passado, que, em 192 páginas, narra a trajetória desse publicitário nascido em 9 de maio de 1958 em Salvador e que viria a revolucionar o mercado brasileiro com ousadia. E também raios e trovões como é típico dos filhos do orixá Xangô.

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O livro e a frase ganham peso este ano, quando muitos choram e Nizan Guanaes, hoje um dos mais influentes publicitários do mundo, vende seus lenços e realiza o sonho acalentado por muitos brasileiros de constituir uma rede com projeção no mercado global: o Grupo ABC e sua constelação de agências, entre as quais DM9DDB, Africa, LoduccaMPM, B/Ferraz, Sunset, NewStyle e a norte-americana Pereira & O’Dell entre outras.

O livro editado pela Nova Fronteira, hoje um dos selos da Ediouro, consumiu dois anos de trabalho de João Wady Cury, horas e horas de entrevistas com mais de 80 fontes, incluindo eu (Carlos Franco) e minha querida Marili Ribeiro, citados em honrosa dedicatória do autor além do próprio publicitário e também seus desafetos. Mais do que um detalhado perfil, o que o livro oferece aos seus leitores é uma panorâmica isenta das últimas décadas do mercado publicitário.

Filho de comerciantes libaneses, Nizan sempre foi bom de venda e de conversa. Aluno do Colégio Marista, em Salvador, logo se destacou entre os jovens que organizariam o OPA, um grupo de jovens católicos, mas como todo bom baiano, também se aproximou dos terreiros de candomblé como o do Gantois, de Mãe Menininha. Na Salvador da década de 1970, Nizan ingressou no curso de Administração da Universidade Federal da Bahia,mas seria na agência DM9, de Duda Mendonça, que descobriria a sua vocação atuando como redator.

Não tardou para Nizan fazer as malas e seguir para o Rio de Janeiro, onde na agência Artplan, da família Medina, acabaria por criar um mote pelo qual até hoje a Caixa Econômica Federal é identificada: “Vem para a Caixa você também, vem”. O trabalho rendeu o passaporte para ele desembarcar em São Paulo na então gigante DPZ, onde conviveria com profissionais como Roberto Duailibi, Francesc Petit, José Zaragoza, Washington Olivetto e Murilo Felisberto (e que saudade do nosso Murilinho) que, integrante da equipe pioneira do extinto Jornal da Tarde, do Grupo Estado, sempre cultivou o hábito saudável da generosidade. Da DPZ, Nizan seguiria com Olivetto para a W/GGK (que se tornaria W/Brasil até ser incorporada pela McCann e virar W/McCan). E se deixou a DPZ com Olivetto, Nizan também traçou os passos para ter a sua própria agência.

A oportunidade viria pelas mãos de dois outros baianos, Daniel Valente Dantas e seu primo Guga Valente. Apoiado pelo ex-ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen, de quem foi aluno na Fundação Getúlio Vargas(FGV/Rio), Daniel Dantas geria naqueles anos a fortuna de Antônio Carlos Magalhães, eterno coronel da política baiana, e assumiria, na sequencia, o Icatu de Antonio Carlos Almeida Braga, quando este concluiu a venda da sua seguradora, a Atlantica, para o Bradesco ampliando o raio de atuação da Bradesco Seguros e decidiu abrir um banco de atacado para cuidar da fortuna e desfrutar da vida numa quinta portuguesa, com certeza, nos arredores de Lisboa.

Nizan comprou então, em 1989, associado ao Icatu, a marca DM9, onde estagiara e que pertencia a Duda Mendonça, o homem que seria a cabeça de marketing da bem sucedida campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República em 2002. Detalhe: Duda Mendonça, o DM não tinha nove sócios, mas nove é um número cabalístico, o maior de todos. Na DM9, criou campanhas memoráveis com sua equipe, como os mamíferos da Parmalat, ao lado de Erh Ray, e não parou de conquistar prêmios, inclusive os disputados leões de Cannes, o que chamou a atenção da rede global DDB que, em 1997, se tornaria sócia da DM9. Antes, comandou a campanha vitoriosa de Fernando Henrique Cardoso ao Palácio do Planalto em 1994 e, quatro anos depois, a da reeleição tucana.

Em 2000, no entanto, Nizan vende sua participação na agência e segue para fundar o iG, com Dantas e o banqueiro Jorge Paulo Lehmann (do Garantia, controlador entre outras da AmBev e das Lojas Americanas e hoje o homem por trás, ou na frente, da megafusão entre Heinz e Kraft Foods, criando a maior empresa de bebidas e alimento dos Estados Unidos e a quinta do mundo). Dois anos depois, volta ao mercado e funda a Africa, retoma participação na DM9DDB, onde o Icatu permaneceu sócio e se tornou também parceiro no Grupo ABC por decisão de Katy Almeida Braga, a filha de Braguinha que assumiu os negócios da família e destronou Daniel Dantas que, com o acordo de saída, fundou seu Opportunity.

No propósito de fundar um grande grupo nacional de comunicação comercial, Nizan conquistou novos recursos, como o aporte de fundos de investismento, a exemplo do Gavea, então comandado pelo ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga. E se Nizan tem fome de leão, a frase que intitula o livro é perfeita: enquanto eles choram, eu vendo lenços.

Como Xangô, o seu orixá de devoção, sua missão é sair pelo mundo conquistando reinos, transformando crises em oportunidades com o olhar sempre atento às inovações. E o faz, diga-se, com competência, ainda que com lágrimas dos compradores de lenços que irrigam seu negócio. Vale ler o livro, como o fazem estudantes de publicidade nesse início de ano letivo. É, sem sombra de dúvidas, uma aula a que todo publicitário deveria ter para aprender o pulo do leão bem mais que o pulo do gato. Com as conquistas de suas agências e ampliação do poder global de Lehmann, com o qual Nizan desfruta do convívio desde o iG, pode se dizer que ele vai longe, muito mais longe ainda. O mercado norte-americano, o maior e de referência global, tem tudo para ser sua próxima parada rumo a um império da propaganda. Melhor: com uma dose de genuína baianidade. Nizan sabe como ninguém rodar a baiana no mundo dos negócios e até vender lenços para os adversários sobre os quais marca seus gols de placa.

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Sobre o autor

Carlos Franco

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