O PROFESSOR DE ARTE SEGUNDO FREDERICO DALTON

0

Não sei se é possível “ensinar” alguém a ser artista, mas acredito que o contato permanente com artistas seja ótimo para a criatividade. Por isso trouxe alguns dos meus alunos para morar comigo. Tem um dormindo no corredor. Duas moças de Minas estão na sala. Três rapazes acamparam na varandinha. Minhas despesas aumentaram, mas pelo menos agora tem sempre alguém para esperar pela NET.

 

Como professor de arte eu não devo reprimir ninguém. Mas tem um aluno que insiste em sempre vir com sua calopsita no ombro. Ele é articuladíssimo e tem mil argumentos para justificar a presença do bicho. O problema é que a calopsita tem um olhar extremamente crítico.

 

Logo na primeira aula da minha oficina de Arte & Tecnologia, um aluno muito estranho foi me interpelando. Disse que, se eu quisesse ser “coerente” (palavra dele), meu curso deveria ser dado por um computador e não por um ser humano. Senti um frio no estômago. Ainda bem que ele deu as costas, foi embora e nunca mais voltou. Agora estou desconfiado de que ele era, na verdade, um robô.

Compartilhar.

Sobre o autor

Comentários desativados.