O SUBMUNDO ALEMÃO SEGUNDO FREDERICO DALTON

0

Sempre achei que conhecia Düsseldorf muito bem. Mas estranhamente me perdi e agora chego a um cruzamento onde as ruas deixam de ser limpas e asfaltadas. Um cheiro de esgoto faz com que eu me vire. Vejo casas improvisadas, algumas feitas de restos de outras construções. No alto de um poste onde colaram o anúncio de uma cartomante há um novelo de fios elétricos. Meu deus, uma favela!

 

Odeio todos os michês brasileiros de Düsseldorf. Com exceção de Y.  Deve ver porque ele inventa umas brincadeiras legais. Um dia, Y propôs um jogo chamado “Conte-me algo que não sei”. Quem contasse a estória mais maneira ficaria com o Rolex que ele ganhou de um cliente. Estávamos cheirando com Luiz, o mexicano que contou que falsifica bilhetes do metrô, e com Haluk, um turco que revelou que sempre coloca urina na água benta da Marienkirche. Então Y confessou que o Rolex na verdade foi roubado do tal cliente. E eu completei que além de roubar o relógio, eu sabia que Y também tinha matado o cara. Ganhei o jogo e o Rolex de Y. Valeu, Y!

 

Meu dinheiro acabou e eu não quero pedir ao Sr. Schröder novamente. Ele me humilha. Só me deixa dormir lá quando ele não tem mais nenhuma louça limpa para usar e só posso sair depois de limpar a casa toda. Aí ele me dá 50 euros e me diz que conheceu um nicaraguense que faria tudo de graça e ainda por cima nu. Não vou mais lá. Prefiro pedir na Igreja Católica. Eu invento pros padres que estou voltando para o Brasil amanhã e que gastei todo meu dinheiro com a passagem para o Rio.

Compartilhar.

Sobre o autor

Comentários desativados.