RELAXAR SEGUNDO FREDERICO DALTON

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É sempre assim: é só relaxarmos, que aquele nome impossível de lembrar inesperadamente volta à memória. Então é isso? A vida é melhor quando não nos esforçamos em “vivê-la”? Por isso agirei “distraidamente” quando estiver perto de você. Como se nada existisse, nem eu, nem você, nem minha carência, nem teus lábios que só eu e mais ninguém em todo planeta saberia beijar. Talvez assim você acabe me notando.

 

Elogio ao sotaque carioca. Se um idioma é um universo, o sotaque carioca é o bocado de céu que recheia minha janela. Se a língua portuguesa é um mundo, o sotaque carioca é o pedacinho da minha cama onde me aconchego. Se minha fala é uma casa, meu sotaque carioca é o espelho onde me vejo. Ah, o sotaque carioca… Este chiado, o mesmo “shhh” que cala nosso amor para ganhar um beijo. O mesmo chiado que tira as arestas do S no final de “arestas”, que suaviza os encontros labiodentais e transforma a frase mais rascante num relaxante vinho do Porto. Depois que meu amor carioca sussurra “Escuta!” no meu ouvido, ele não precisa dizer mais nada.

 

Eu queria ser como você, que além de jovem, lindo e tranquilo, está lendo um livro. Sim, um livro! Como você consegue estar tão concentrado enquanto tanta coisa interessante acontece nesta praia ao nosso redor? Eu também queria ler, mas não consigo. E te invejo, te admiro. Ainda mais porque, além de tudo o que você é e possui, agora você também é o dono do que tenho de mais rico: meu olhar.

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