RIO 2016: RODRIGO PESSOA A CAMINHO DO PÓDIO

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Por Marcelo Brandão/Repórter da Agência Brasil

Cerimônia de abertura das Olimpíadas de Londres 2012: o cavaleiro Rodrigo Pessoa, dono do primeiro ouro conquistado pelo hipismo brasileiro, lidera a delegação nacional na entrada no Estádio Olímpico, papel já desempenhado por atletas do calibre de Aurélio Miguel, Joaquim Cruz e Robert Scheidt.

O ouro em Atenas, em 2004, foi o terceiro pódio olímpico de Pessoa. O cavaleiro já havia conquistado dois bronzes nos saltos por equipes, nos Jogos de 1996, em Atlanta, e de 2000, em Sidney, além da prata, também nos saltos por equipes, no Pan-americano de Guadalajara (2011). Nascido em Paris, o brasileiro já participou de seis edições dos Jogos Olímpicos e conta que, todas as vezes, tem a impressão de que é a primeira.

Rodrigo Pessoa não escolheu o hipismo por acaso. Ele é filho de Nelson Pessoa, outro ícone do hipismo brasileiro que conquistou o quinto lugar na Olimpíada de Tóquio, em 1964. Apaixonado por automobilismo, Pessoa tem como ídolo Ayrton Senna e adora andar de kart. Nesta entrevista, ele fala de como o hipismo ainda precisa de reconhecimento no país do futebol e da necessidade de investimento nas crianças para estimular o esporte como um todo.

Agência Brasil: Qual é a sensação de subir em um pódio olímpico?

Rodrigo Pessoa: É uma sensação única. O sonho de qualquer atleta é estar nos Jogos Olímpicos e conseguir uma medalha, então, é realmente muito especial. É uma honra para mim poder ter tido esta sensação já por três vezes. Sem dúvida, cada momento desse é inesquecível.

Agência Brasil: O que representa ser medalhista olímpico no Brasil, um país onde os atletas, principalmente no começo de carreira, ainda têm muita dificuldade para viver só treinando e competindo?

Pessoa: Infelizmente hoje no Brasil, e no mundo todo, a vida de atleta ainda é muito difícil, dependemos de patrocínio, material esportivo, bons equipamentos, no meu caso, o cavalo, que a cada dia está mais caro conseguir um de alto nível.

Agência Brasil: Em Londres 2012, você foi o responsável por conduzir a bandeira brasileira na cerimônia de abertura. O que significou esse momento para você?

Pessoa: É um momento único estar dentro da cerimônia de abertura do Jogos Olímpicos, guiando todo o grupo de atletas do seu país e com a sua bandeira. Foi sem dúvida muito especial e, ao mesmo tempo, sei que não acontecerá de novo, então tentei aproveitar ao máximo cada segundo daquele momento.

Agência Brasil: Qual o cenário da prática de hipismo no Brasil? É possível popularizar o esporte no país?

O cavaleiro Rodrigo Pessoa, ouro no hipismo nos Jogos de Atenas em 2004
Nascido em Paris, Rodrigo Pessoa diz que nunca pensou em defender outras cores que não o verde e o amarelo. Divulgação/Comitê Rio 2016

Pessoa: Hoje os cavaleiros brasileiros que disputam os principais torneios do circuito mundial não ficam no Brasil. É difícil pela distância, pois os torneios mais importantes são na Europa, além do festival de inverno nos Estados Unidos, que acontece no início do ano. Isso dificulta um pouco essa popularização. Além disso, o cavalo não faz tanto parte da nossa cultura como na Alemanha, França e outros países, infelizmente. O Brasil é o país do futebol e é difícil mudar isso.

Agência Brasil: Como você avalia a difusão da prática esportiva no Brasil? Como o país poderia estimular mais o esporte e a revelação de novos talentos em diferentes esportes?

Pessoa: Em outros países, há um incentivo para as crianças desde muito cedo, o que é muito bom para qualquer esporte, especialmente os que podem ser praticados nas escolas. Isso faz toda diferença, existe um preparo melhor, especialmente nas universidades, como bolsas para estudantes atletas, competições universitárias. O Brasil não tem nada parecido, até para ex-atletas faltam investimentos para que continuem trabalhando com o esporte, nem que seja treinando novos talentos. É uma diferença muito grande, tudo no Brasil depende de patrocínio.

Agência Brasil: A meta do Comitê Olímpico Brasileiro para os Jogos do Rio é ficar entre os dez países com maior número de medalhas. É uma meta realista?

Pessoa: O Brasil tem hoje bons nomes em modalidades olímpicas. Atletas que vêm se destacando no cenário mundial e que, claro, acabam chegando aos Jogos com chances de medalha. Acho que a torcida também conta. Competir em casa sempre faz diferença e todos nós, atletas, vamos querer fazer bonito em casa.

Agência Brasil: O que você espera encontrar nos Jogos do Rio em termos de organização e torcida?

Pessoa: Acho que os Jogos do Rio serão incríveis. A cidade está sendo preparada para isso, tem tudo para dar certo e dará. O povo brasileiro sabe receber os estrangeiros. A festa promete ser muito especial.

 

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