SITES DE NAMORO GAY SEGUNDO FREDERICO DALTON

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Fiz minha inscrição num site de namoro gay. Tive um trabalhão pra preencher o cadastro. Até precisei pedir uma fita métrica na vizinha do 408. Quando terminei e apertei ENTER (Ui!), veio um aviso: “VOCÊ TEM CERTEZA QUE ESTÁ CAPACITADO A PARTICIPAR DESTE SITE?”. Nossa! Claro que sim. Tô louco pra arrumar um namorado. Então veio outro aviso dizendo que meus dados teriam que passar por uma avaliação. Estou esperando a resposta há seis meses.

 

Boite gay. Interior. Fim de noite. “Qual o seu nome?”, pergunto. “Júnior”. Júnior não é nome, pensei. Ainda repeti a pergunta, na esperança de conseguir algo mais consistente, ainda que não necessariamente real, como Marcelo ou Ricardo, mas ele insistiu em “Júnior”. Como já passava das três da manhã, resolvi ficar com o cara mesmo assim, assumindo todos os riscos que um homem com um “não-nome” podia representar pra mim.

 

Minha primeira tentativa no site de namoro gay foi um desastre total. Fui fazer a pergunta clássica, mas eu estava tão tenso que acabei indagando: “Você é a la carte ou a quilo?”. E eu me enrolava cada vez mais a cada nova investida: “Você é alpino ou pacífico?” “Acrílico ou plausível?” “Antigo ou possível?” “Argila ou pastilha?” “Elétrico ou à pilha?” Desisti. Parei. Morri.

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