STREET ART IN EUROPE POR LEO GOULART

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Jornalista, Leo Goulart vive hoje na Alemanha e começou nas ruas desse país e depois nas de outras cidades da Europa a registrar nos últimos dois anos a arte que surge do dia para a noite nos lugares mais inusitados, deixando suas marcas. O resultado dessas observações e de algumas das suas fotografias deram origem ao livro “Street Art in Europe” , onde se pode observar as várias tendências do grafite e as diferentes manifestações dessa arte em várias países, emprestando vida nova aos espaços urbanos. A Revista Publicittà agradece ao Leo Goulart a gentileza do artigo em que ele mesmo descreve a sua experiência e relata um pouco desse papel transformador da arte das ruas.  
POR LEO GOULART,  DA ALEMANHA
Berlim, Paris, Londres, Bruxelas, Lisboa e Amsterdã, entre outras,  acostumadas a atraírem visitantes de todo o mundo pela beleza arquitetônica, ganharam, nas últimas décadas, um reforço com obras de arte e pichações de extrema inteligência e ironia espalhadas por suas ruas. Antes trancada a quatro paredes, reservadas a museus e galerias, a arte ganhou as vias públicas, democratizando o acesso a novos apreciadores e atraindo a atenção de curiosos e artistas de todo o mundo. O grafite, mais do que nunca, ao cobrir muros e paredes dos maiores centros urbanos do planeta, levou irreverência, críticas, cores e alegria para locais antes cinzas e sem graça.
Ao se caminhar pelas ruas de grande parte das metrópoles europeias, é difícil não notar a presença de grafites. Em cada canto, uma sátira, uma pintura, um adesivo. Adicionam ao já vasto imobiliário urbano destas urbes características singulares e dão vida a áreas antes degradadas. Goste-se ou não, estão lá, como um diferencial que somente soma à agitada vida cultural das cidades contemporâneas.
Ao longo dos milênios, a vontade das pessoas em se comunicarem prevaleceu e se evoluiu, chegando ao que hoje embeleza muitos locais e vem sendo, cada vez mais, estimulado. Desde os primórdios, o homem usa a pintura em paredes como forma de expressão, no intuito de transmitir suas ideias e registrar o cotidiano. Esta necessidade desenvolveu-se em diversas formas e, ao longo da história, nos propiciou belíssimas obras de artistas ao redor do mundo. Dessa evolução artística, surgiu o grafite.
Os primeiros registros conhecidos deste fenômeno vêm dos egípcios, gregos e, mais tarde, quando se consolidou como instrumento de comunicação, na era romana. Do termo grego graphein, passou para o italiano graffaro e graffiti, no  plural, forma da qual o idioma inglês popularizou o termo mundo afora. A prática chegou aos nossos tempos atuais e, a partir dos anos 60 e 70, os rabiscos começaram a ser substituídos por trabalhos mais elaborados, já utilizando técnicas como os cartazes e o estêncil. Nascia, aí, a expressão artística que embeleza cidades ao redor do globo atualmente.Alemanha, França , Inglaterra e Estados Unidos passaram a ser os focos de irradiação deste movimento, iniciado nos turbulentos movimentos de contracultura desse período. As latas de tinta spray foram tão importantes quanto as rosas na transmissão das ideias da juventude que protagonizava as transformações da sociedade. Várias novas técnicas de pintura foram desenvolvidas e, assim, esse movimento cultural nascido nas ruas das grandes metrópoles atraiu cada vez mais adeptos, numa explosão de criatividade que parece não ter fim.
Com a popularização da cultura hip hop da Nova Iorque dos anos 70-80, o grafite ganhou maior visibilidade, ganhou novos ícones, como Jean-Michel Basquiat, e, desde então, tem evoluído vertiginosamente. Conquistou espaço não apenas em vagões de trens, paredes e muros, mas também em salas de apartamentos e galerias de arte, comerciais para TV, clipes de música e uma infinidade de outras formas de comercialização.
Considerados vândalos na maioria dos países, e perseguidos pelas polícias locais, grafiteiros e pichadores, mesmo com muitas dificuldades, transmitem seus talentos e ideias a um público cada vez mais aberto à esta manifestação artística. Enquanto o mais famoso deles atualmente, o inglês Banksy, com sua famosa arte-guerrilha, segue no anonimato, para não ser preso pela polícia britânica, muitos outros, como os brasileiros Os Gêmeos, alcançaram fama internacional e circulam como estrelas por onde passam.
A Europa, um dos berços da prática, segue como o centro difusor do movimento, ao lado dos EUA, Austrália e, mais recentemente, Brasil. Desde os trabalhos do francês Blek le Rat, popularizados na Paris dos anos 80, e inspiradores de Banksy, estas novas técnicas se difundiram e influenciaram o mundo. O grafite, enfim, saiu da marginalidade, em alguns casos, para se tornar uma exuberante  e democrática manifestação artística.
Há dois anos percorrendo algumas destas cidades, pude fotografar um vasto número de grafites e outras formas de arte urbana que trazem mais vida às ruas destas metrópoles. Muitos já não existem mais, devido à intermitência destas obras, expostas aos caprichos climáticos e à interferência de outros artistas e do poder público, que insiste em apagá-los. Captar estas imagens, para que não sejam perdidas para sempre, é um dos grandes prazeres do projeto, pela documentação do que, em breve, desaparecerá. Um pouco do que foi angariado pode ser conferido no e-book do meu livro.O grafite é uma arte flexível, pois se adapta aos mais diversos locais e superfícies, desde vagões de trens, muros, portas, placas de trânsito, a qualquer canto que possa dar vida à imaginação e, por não ter uma característica duradoura,  voltar ao mesmo lugar e notar a presença de uma nova obra é sempre uma agradável surpresa. As pinturas, assim como as cidades, têm vida. Nascem, morrem, e estão sempre em conjunção com as transformações da sociedade. Hoje, estão lá, amanhã, ou foram removidas, ou substituídas por uma nova, de um  outro artista.
As técnicas atuais também variam muito. Dos simples rabiscos, pichações, lambe-lambes, complexos escritos, das mais variadas formas e cores, a elaborados murais, cada qual com sua específica denominação. Alguns, como em cidades como Bruxelas, na Bélgica, Colônia e Berlim, na Alemanha, são incentivados pelo poder público e estampam paredes onde foram autorizados. Outros, seguem o mainstream da arte de rua, o vandalismo, pois é classificada assim na maior parte dos países. Mesmo proibidos de exporem seus talentos e ideias, artistas de rua continuam atuando freneticamente para o desespero de donos de imóveis, de críticos à prática e das prefeituras, mas para a alegria de quem aprecia este tipo de arte.
Com a superexposição, e ao cair no gosto de muita gente, o grafite faz, agora, o caminho inverso, das ruas para as galerias de arte, materiais promocionais, telas, decorações de interiores e uma infinidade de outras aplicações. O reconhecimento de artistas do mundo todo, com a ajuda da rede mundial de computadores, tem sido fundamental para a propagação deste movimento. Exposições e museus ao céu aberto, além iniciativas para que sejam registrados o maior número possível de obras, têm chamado a atenção de quem antes nem olhava às paredes. As cidades ganharam mais um diferencial do qual possam se orgulhar e, assim, atraírem cada vez mais turistas. A longa jornada do grafite resultou em sua aceitação e sua proliferação mostra que ainda há um longo caminho pela frente.
Desde seu reconhecimento como manifestação artística, no fim dos anos 70 e começo dos 80, quando murais, antes pintados marginalmente em muros, destacaram-se desta superfície e passaram a ser comercializados em galerias de arte, surgiu o debate entre o que é arte e o que é vandalismo. Os limites entre um e outro ainda são incertos e os próprios artistas trafegam entre os dois mundos. Enquanto isso, obras pipocam, sendo autorizadas ou não, por todas as partes do mundo. O que virá depois dessa onda, ainda não está claro, mas, no momento, goza de uma popularidade nunca antes vista.

 

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Sobre o autor

Carlos Franco

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