UM RÉQUIEM PARA MARIA BARROSO SOARES

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Maria de Jesus Simões Barroso Soares, natural do Algarve, casada com Mário Soares, se foi na última terça-feira,7, encerrando uma bela página de luta pela humanidade e seus direitos. Mulher destemida, carismática, simples e uma brilhante intelectual, teve dois filhos e cinco netos. Licenciada em Histórico-Filosóficas, com o curso de arte dramática do Conservatório Nacional; possui Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Aveiro, pela Universidade de Lisboa e pelo Lesley College de Boston. Foi agraciada com 28 condecorações e outras distinções acadêmicas e honoríficas de que destacamos a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade. Pedagoga, deputada, fundadora do Partido Socialista, pertenceu a 31 organizações portuguesas e internacionais.

Até o fim presidiu a Pro Dignitate – Fundação de Direitos Humanos criada em 1994 por ela e um grupo de personalidades com o objetivo de prevenir a violência e promover os direitos humanos “através de estudos científicos, de planejamento e avaliação de medidas de prevenção e de outras ações dirigidas à defesa dos referidos direitos”. A Fundação segue a inspiração de Maria, que iniciou em finais da década de quarenta um combate sem tréguas pelos direitos humanos, lutando nomeadamente pela liberdade de opinião e de expressão e a instauração de um regime democrático em Portugal. Durante o período em que o seu marido foi Presidente da República [Março de 86 a Março de 96], a luta contra a violência, em particular na televisão, e o apoio às vítimas de guerra nos países de expressão portuguesa, foram áreas privilegiadas na ação plurifacetada que desenvolveu.

Rosa Freire D’Aguiar, com a qual trabalhei na revista Istoé, nos idos de 1980, eu no Rio de Janeiro, ela correspondente em Paris, e a qual tiver o prazer de reencontrar, tempos depois, em longas entrevistas que fiz para o saudoso Jornal do Brasil com Celso Furtado, com quem era casada, postou hoje uma homenagem sensível em rede social a qual compartilhamos com nossos leitores na forma de um réquiem para Maria, essa mulher extraordinária que deixa um importante legado de luta em favor da vida.

 

 

MARIA BARROSO SE FOI – UMA GRANDE DAMA

 

POR ROSA FREIRE D’AGUIAR
Acabo de saber que Maria Barroso morreu em Lisboa, aos 90 anos. Mulher do ex-presidente Mario Soares, há uns dias sofreu uma queda em casa, que a levou ao coma. Maria Barroso teve uma vida muito própria e afirmativa, numa época em que mulheres viviam mais à sombra. Tinha o sobrenome do marido mas fazia questão de se apresentar com o de solteira. Foi atriz — parece que muito boa — de uns poucos filmes do cinema português. Foi uma das fundadoras do Partido Socialista. Viveu com Mario Soares no exílio e, durante as muitas prisões dele, educou o casal de filhos. Depois da Revolução dos Cravos em 1974, foi deputada várias vezes. Nos últimos tempos era uma ativista dos direitos humanos, presidindo a fundação Pro Dignitate.
Lembrei das duas vezes em que conversamos bastante. A primeira, quando o Mario Soares esteve na República Dominicana para a enésima posse do presidente Balaguer, em 1986. Celso e eu também lá estávamos. Eles e nós no mesmo andar de um hotel Hilton. E também Georges Bush, na época vice-presidente dos EUA, e Daniel Ortega, o ex-guerrilheiro que virara presidente da Nicarágua. Por conta desses dois últimos, cada um com seu impressionante aparato de segurança, pegar o elevador era uma dificuldade: Celso, Mario Soares e respetivas senhoras nunca tinham vez. A certa altura Maria Barroso sugeriu que boicotássemos aqueles guardas brutamontes e subíssemos pela escada até uma varanda que havia no último andar. Assim fizemos, bebemos alguma coisa, conversamos muito, até que algum ajudante-de-ordens deu falta dos chefes das delegações do Brasil e de Portugal. E tivemos elevador livre!

Dois anos depois, em 1988, durante uma conferência em Manila sobre as as recentes democracias restauradas (éramos muitas em meados dos 80: Brasil, Uruguai, Grécia, Argentina, Filipinas, Peru, Espanha, Portugal), os dois casais lá estavam de novo. Novamente num andar muito alto de um hotel tipo Hilton. Foram muitos encontros de elevadores, que levaram a cafés da manhã, coquetéis, conversas. Dona Maria Barroso sempre muito elegante, baixinha, com colar de pérolas, discreta, firme, falando sem parar em liberdade, em direitos humanos. Grande dama, bateu saudades. Imagino a dor de Mario Soares.

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Sobre o autor

Carlos Franco

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