1968: Cenas da Rebeldia

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O cineasta Sílvio Tendler, os compositores Sérgio Ricardo e Théo de Barros e os jornalistas José Hamilton Ribeiro e Assis Ângelo serão as figuras centrais do evento multimídia “1968: Cenas da Rebeldia”, que o Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 – Centro – fone: (85) 3464.3108) realiza no período de 1º a 31 de julho, para marcar os seus dez anos de existência.
Gratuito ao público, o evento tem início na próxima terça-feira, 1º, com a abertura do seminário avançado de arte “As Repercussões do Ano 1968”, às 18 horas, e da exposição “A Música de 1968”, às 20 horas. O seminário prossegue até a quinta-feira, 3, sempre às 18h, com as participações de Théo de Barros (dia 1º), José Hamilton Ribeiro (dia 2) e Sérgio Ricardo (dia 3), que ministrarão palestras e depoimentos mediados por Assis Ângelo, também curador da exposição (em cartaz até 31 de julho). E no próximo dia 8, às 19h, o cineasta Sílvio Tendler debaterá o tema “1968: Cenas da Rebeldia”, no programa Papo XXI.
O evento abrange, ainda, a realização de três mostras cinematográficas, que exibirão documentários e filmes em curta e longa-metragem sobre o tema. De quarta-feira, 2, até sábado, 5, o programa Imagem em Movimento traz a mostra “Marcas de 68”, exibindo os longa-metragens “Partner” e “Os Sonhadores”, ambos do cineasta italiano Bernardo Bertolucci, e os brasileiros “Cabra-Cega”, de Toni Venturi, e “Barra 68 – Sem Perder a Ternura”, de Vladimir Carvalho. Os filmes serão exibidos em três diferentes horários, a partir das 10h25, no cineteatro do CCBNB-Fortaleza (2º andar). Nos dias 2, 9, 16, 23 e 30, os filmes serão exibidos na Casa da Comédia Cearense, sempre às 19h30.
Antes dos longas, filmes de curta-metragem serão exibidos pelo programa Curta Antes, que apresenta a mostra “Cinema de Resistência”, também de quarta-feira, 2, até sábado, 5, no cineteatro do CCBNB-Fortaleza, a partir das 10h15. Integram essa mostra os curtas “Resistir”, “O Último Dia de Sol”, “Vou-me Embora Protestando” e “Meus Amigos Chineses”.
Por sua vez, o programa Arte e História em Documento traz a mostra “Sílvio Tendler”, exibindo, aos sábados de julho (dias 5, 12, 19 e 26), sempre às 10h15, uma seleção de quatro documentários dirigidos pelo cineasta carioca, cujos filmes são resgates da memória brasileira e inspiram seus espectadores à reflexão sobre os rumos do Brasil, da América Latina e do mundo em desenvolvimento.
Tendler é detentor das três maiores bilheterias de documentários na história do cinema brasileiro: “O mundo mágico dos Trapalhões” (1,8 milhão de espectadores), “Jango” (um milhão) e “Anos JK” (800 mil). A mostra “Sílvio Tendler” apresenta os filmes “Os Anos JK: Uma Trajetória Política” (dia 5), “Jango: Como, Quando e Porque se Depõe um Presidente da República” (dia 12), “Memória do Movimento Estudantil” (dia 19) e “Glauber o Filme, Labirinto do Brasil” (dia 26).

SEMINÁRIO “AS REPERCUSSÕES DO ANO 1968”
DE TERÇA-FEIRA, 1º, ATÉ QUINTA-FEIRA, 3, ÀS 18H
(Inscrições abertas até a próxima terça-feira, 1º)

O ano de 1968 terminou e dele só restam lembranças boas e más de um tempo tumultuado, em todos os setores da vida cotidiana, no Brasil e no mundo todo. Mas, claro, ainda é importante lançarmos algum olhar sobre ele, para que o exorcizemos de uma vez por todas. Sim, é claro que ele nos deixou lições. A principal delas é que não podemos deixar de sonhar, e que temos de lutar para conseguirmos nossos intentos. 1968 foi um ano de lutas, mudanças e esperanças que não devem morrer, mesmo diante de das intempéries. Os debates e depoimentos que ocorrerão no Centro Cultural BNB, em Fortaleza, deverão nos mostrar isso.

Dia 1º, terça-feira, às 18h
Théo de Barros – compositor, instrumentista e arranjador nascido no Rio de Janeiro, no dia 10 de março de 1943. Em 1958 compôs sua primeira música, Saudade Pequenina, mas somente estreou em disco em 1962, com Natureza e Igrejinha, interpretadas por Alaíde Costa. Fez parte do Sexteto Brasileiro de Bossa, como contrabaixista. Seu primeiro sucesso foi Menino das Laranjas, na voz de Elis Regina, em 1965. Em 1966, compôs, com Geraldo Vandré, Disparada, música apresentada por Jair Rodrigues e que findou empatada com A Banda, de Chico Buarque, no II Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela TV Record. Integrou o Quarteto Novo, ao lado de Hermeto Pascoal, Airto Moreira e Heraldo do Monte. Foi diretor musical de diversas produções do Teatro de Arena, de São Paulo, incluindo Arena Canta Zumbi, de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal. Está lançando disco novo.

Dia 2, quarta-feira, às 18h
José Hamilton Ribeiro – jornalista há mais de 50 anos, natural de Santa Rosa de Viterbo, SP, nascido em agosto de 1932. Iniciou a carreira na Rádio Bandeirantes. Cobriu a Guerra do Vietnã, para a revista Realidade. Tem 15 livros publicados. Foi repórter da Folha de S. Paulo e dos programas Globo Repórter e Fantástico, na TV Globo. Está à frente do programa Globo Rural desde o seu início, em 1980. É detentor de muitos prêmios, entre os quais cinco Esso de Jornalismo e um internacional, o mais antigo dos Estados Unidos, concedido pela Universidade de Colômbia, o Maria Moors Cabot, em 2006, junto com o escritor peruano Mário Vargas Llosa.

Dia 03, quinta-feira, às 18h
Sérgio Ricardo – pseudônimo de João Mansur Lutfi, nasceu na cidade paulista de Marília, no dia 18 de junho de 1932. É cantor, compositor e instrumentista. E também cineasta. Cedo, com 17 anos, tentou a carreira e locutor de rádio, em São Vicente, SP. Depois, já em 1952 e no Rio de Janeiro, arrumou emprego como técnico de som e pianista de uma boate em Copacabana, ocasião em que chegou a substituir Tom Jobim. Seu primeiro sucesso como compositor foi propiciado por Maysa, que gravou o samba-canção Buquê de Isabel. Zelão é um de seus maiores êxitos. Participou de muitos shows de bossa nova e excursionou por vários países. É de sua autoria a trilha sonora do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha. Em 1967, durante apresentação no II Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela Record, quebrou um violão e o atirou ao público que o vaiava enquanto cantava a música que inscrevera, Beto Bom de Bola. Sua obra é vastíssima. Está com disco novo.

Mediação: Assis Ângelo – paraibano de João Pessoa, nascido em 1952. Jornalista e autor de vários livros sobre música e folclore, entre os quais A Presença dos Cordelistas e Cantadores Repentistas em São Paulo, O Poeta do Povo (Vida e Obra de Patativa do Assaré) e Dicionário Gonzagueano. Também é estudioso da cultura popular e apresentador de programas de rádio e televisão. Tem participado de filmes e discos, ora como consultor, ora como declamador.

EXPOSIÇÃO “A MÚSICA DE 1968”
Abertura: dia 1º, terça-feira, às 20h
Curadoria: Assis Ângelo
Período: de 1º a 31 de julho de 2008

A exposição mostrará reproduções de capas de jornais, revistas e de discos de músicas censuradas, além de outras que também marcaram aquele ano. Em 1968, os tropicalistas achavam que o absurdo brasileiro só poderia ser devolvido artisticamente pelo choque de elementos dramáticos antagônicos – o moderno e o arcaico, o rural e o urbano, a tecnologia e o artesanato, Ipanema e Iracema, banda e Carmem Miranda -, encenados sob a forma de paródia. O resultado, hipertrofiado, revelava a realidade como o realismo era incapaz de fazê-lo.

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