ARMÊNIA, O GENOCÍDIO

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A data para aqueles que querem ver sangrar o Brasil e os brasileiros não poderia ser a mais oportuna. Há cem anos o povo armênio era massacrado pelo Império Otomano que o queria escravizado como os que, com o mesmo ódio, desprovidos de valores cristãos de amar o próximo,  deseja o trabalho escravo e em defesa da terceirização saem às ruas para demonstrar ódio e desejo de um país pior para todos.

Para essas tristes figuras de um apocalipse que não está distante de nós, pobre ter casa e andar de avião é, no minimo um acinte. E não falo sem comprovação a não ser que o caráter seja tão fraco para algumas pessoas ou talvez estejam acometidas, o que não desejo, do Mal de Alzheimer precoce, que não se lembrem mais dos seus atos e pensamentos.

Nunca vou me esquecer do dia em que aguardava voo de Brasília para o Rio, nos idos de 1994, quando era repórter especial do Grupo Estado (leia-se o vetusto O Estado de S. Paulo e a Agência Estado que assinava minha Carteira de Trabalho) e o então secretário de Política Econômica do governo Fernando Henrique Cardoso, Winston Fristch, que tanto batalhou para ser professor titular (como o era da Pontifícia Universidade Católica do Rio) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) me disse, apontando para militantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) que ,como nós, aguardava o voo: Se Lula vencer, é essa gente que andará nos aviões, “que horror!”. Não coloco aspas em tudo porque a frase que restou é essa, mas pode não ter sido dita nessa ordem, embora o efeito seja mesmo.

O horror de Fritsch diante da situação é apenas o que ficou na memória, assim como o temor dele de um governo popular, no caso específico o de Lula. Nosso caro professor Winston Fritisch talvez um dia aprenda, se é que não aprendeu, pois há décadas não o vejo, que é essa gente que constrói um país. E é essa gente que muitos querem ver massacrada que, de fato, conta de verdade. Como eu trabalhava como repórter numa espécie de Diário Oficial do governo, talvez por isso, e pela confiança que sempre depositou em minha chefe, Suely Caldas, ele se sentisse mais a vontade para dizer tais sandices, mas foi o seu horror diante do povo o que ficou, lamentavelmente, na minha memória e me fez repensar aqueles senhores do “real” como “salvadores” do povo brasileiro que tanto detestavam.

Talvez também porque ele, o nobre professor Winston Fritsch, estivesse mais preocupado em entender a migração do padrão ouro para o dólar no pós-guerra, a sua tese, do que a realidade ao redor, pois ao perdedor, naquele momento as batatas ainda que em brasa.

Feliz e, então, triste coincidência, do encontro de algozes com suas massas em contraposição  daqueles que lutam pela liberdade em sentido mais amplo. Feliz coincidência de que nós, da Revista Publicittà, recebemos do Consulado da Armênia em São Paulo, a saudação às palavras do Papa Francisco no mesmo dia em que aqueles que querem ver sangrar o Brasil e os brasileiros, sem fé na vida, sem respeito ao próximo, alimentados apenas pelo ódio, saem às ruas para demonstrar que odeiam o Brasil e os brasileiros.

Feliz e triste coincidência, pois não passarão. O mundo não mais permitirá tais barbáries e se, por acaso, permitir, passarinharemos por aí, como diz o poeta gaúcho Mario Quintana, pois por certo eles passarão. O povo armênio esperou 100 anos por este reconhecimento, poderemos, por certo esperar mais cem anos, e por certo poderemos esperar uma justificativa do professor Winton Fritsch em prazo mais curto, ainda que sequer eu saiba por onde ela anda, mas espero, sinceramente, que ele não tenha mais essa visão mesquinha do mundo e daqueles que o rodeiam.

É preciso sempre ter esperança e fé na vida, como o povo armênio que, apesar do genocídio do qual foi vítima e que o Papa Francisco hoje reconhece, esperou tanto tempo por respeito à sua dignidade, ainda que os brasileiros a conquistem, dia a dia,  na forja do trabalho. E ainda que seus algozes o queiram ver novamente na senzala ou subordinados aos seus caprichos como pastores de ovelhas  à espera de um senhor que são os próprios algozes e que se sentem Deus como a triste figura de certos magistrados . Para tais figuras, talvez a melhor solução seja, como num genocídio, matar o povo, mas um povo não se mata, ele passarinha.

Eis, portanto, a carta do consulado:

As palavras de Sua Santidade Papa Francisco ditas hoje, durante missa em memória aos armênios que pereceram no ataque cometido pelo Império Otomano há 100 anos, colocam a questão exatamente no patamar em que sempre deveria estar: não há outra definição para tal massacre senão “genocídio”.

Sua Santidade chama a atenção do mundo para uma questão que permanece em aberto: o reconhecimento da dimensão da tragédia que se abateu sobre a população armênia. Todos aqueles que prezam pela dignidade humana sabem da necessidade de se reconhecer erros históricos e, pelo reconhecimento, trabalhar para que fatos semelhantes nunca mais ocorram.

A história do povo armênio é marcada por uma profunda ligação com os fundadores do cristianismo e com os alicerces da Igreja. Essa ligação também está na raiz das muitas perseguições cometidas contra o povo armênio.

É inegável a sabedoria contida na mensagem de Sua Santidade Papa Francisco: “Ocultar ou negar o mal é como permitir que uma ferida siga sangrando sem enfaixá-la”.

O reconhecimento do genocídio é o primeiro passo para que pessoas, entidades sociais, comunidades, nações, se comprometam não com um passado de sofrimento, mas com um presente de convivência pacífica e um futuro de respeito mútuo. É o passo crucial para curar essa ferida e podermos seguir em frente.

No Brasil, a Comunidade Armênia realiza uma série de eventos para homenagear seus mártires e para chamar a atenção da sociedade para a necessidade de o Brasil também reconhecer, assim como fez o Papa, o genocídio armênio, por meio de uma legislação semelhante à de muitos países que já reconhecem esse fato histórico.

A Comunidade Armênia se reconforta nas palavras de Sua Santidade Papa Francisco e agradece o apoio que tem recebido de milhares de pessoas mundo afora, neste momento de prece e de reflexão.

São Paulo, 12 de abril de 2015

Consulado da Armênia em São Paulo

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Sobre o autor

Carlos Franco

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