ATLETAS E ÍNDIOS TROCAM EXPERIÊNCIAS

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Juntos, eles alcançaram muitas conquistas e levaram as competições a outro patamar. São medalhas olímpicas, títulos mundiais e nacionais e etapas de campeonatos que lhes renderam reconhecimento em suas modalidades. No último sábado, 24, cinco esportistas se encontraram com outros atletas – os indígenas – para contar um pouco de suas trajetórias, aprender sobre as práticas tradicionais e compartilhar a vivência do lado profissional do esporte durante o I Jogos Mundiais Indígenas, em Palmas, no Tocantins.

Por Nathália Mendes/Repórter do Portal EBC

Indígenas de várias etnias receberam o ex-jogador de vôlei Giba, dono de três medalhas olímpicas (ouro em Atenas 2004 e prata em Pequim 2008 e em Londres 2012), o velocista aposentado Robson Caetano, prata nos 200m, o ex-lateral-direito Cafu, consagrado como capitão do penta. Os jovens Felipe Fraga, piloto da Stock Car nascido em Palmas, e Marcus Vinícius D’Almeida, vice-campeão mundial no tiro com arco, também participaram da conversa, que foi aberta ao público em geral

Durante a roda de diálogo sobre experiências e conquistas, que abriu a programação da tarde do sábado na Oca da Sabedoria, os atletas brasileiros falaram do contato que tiveram com a técnica e os esportes tradicionais:

“Eu já assisti e fui desafiado a entrar em uma partida de futebol de cabeça (jikunahati, praticado pelo povo paresi haliti), mas não dou conta. Ontem pude participar de um jogo de futebol onde só podíamos tocar na bola com a coxa. São culturas muito diferentes entre si, e é muito legal ver como os nossos indígenas jogam seus esportes coletivos”, contou Cafu.

“Eu fiquei encantado com o fato de que os índios fazem sua própria canoa, a partir do tronco da árvore. É interessante ver como eles conseguem viver em integração com a natureza e manter suas tradições”, elogiou Giba. “Quero ver as competições de arco e flecha, canoagem, corrida com tora, que tem a ver com o meu esporte. Temos muito o que aprender com os povos indígenas”, defendeu Robson Caetano.

Volta às origens
A paixão dos indígenas pelo futebol ficou ainda mais evidente diante do interesse mostrado por aqueles que fizeram perguntas aos convidados. Um dos indígenas presentes quis saber sobre a possibilidade de contar com escolas do esporte para captação de talentos nas aldeias. O ex-lateral direito ponderou que o esporte tradicional é que deve ser valorizado: “O futebol deve ser uma ferramenta de integração das culturas indígena e não-indígena. Deve ser um caminho para desenvolver habilidades que sejam aproveitadas dentro das aldeias de vocês”, argumentou Cafu.

Robson Caetano também defendeu a valorização das tradições dos primeiros povos do país: “Estou vendo todos vocês com celulares aqui. Saibam que vocês tem um importante meio de comunicação nas suas mãos. Usem para saber mais sobre suas etnias, suas raízes”, cobrou.

Para Cafu, os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas podem ser um pontapé inicial de carreiras profissionais: “Claro que podemos encontrar futuros atletas para o Brasil aqui. Mas depende muito do comprometimento que eles tiverem a partir de agora. Os Jogos servem para mostrar para o mundo que também existem atletas nas aldeias”.

Giba salienta um dos aspectos que diferenciam o esporte indígena do esporte de alto rendimento, que pode gerar cobrança por resultados: “Independente de ser uma confraternização, todo mundo está competindo no esporte e ninguém compete para perder. Mas eu acho que eles têm uma coisa muito pura, que é competir sem precisar de violência, de atingir o oponente. É uma competição saudável. Isso falta muito ao brasileiro”.

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