BUENOS AIRES SE ESCREVE NO PLURAL

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O governo da cidade de Buenos Aires (GCBA) acaba de lançar uma bela campanha, assinada pela agência Carlos & Dario, em que apresenta uma cidade plural, tanto por dentro; nas suas atrações noturnas, nas conexões humanas que propicia; como por fora; na arquitetura, nos seus parques e nas suas ruas. O filme é um esforço para atrair turistas para cidade. É que a Argentina, no primeiro ano do governo de Mauricio Macri mergulhou rapidamente em péssimos indicadores econômicos e sociais.

No primeiro ano da era Macri, a inflação saltou de 26,5% para 40%, enquanto o desemprego passou de 7,1% para 8,5% e, o mais grave, 1,4 milhão de argentinos ingressaram na zona de pobreza. O peso caiu 42% em relação ao dólar na expectativa e aposta de Mauricio Macri de que os investidores estrangeiros aproveitariam o seu governo para apostarem no país, o que ainda não aconteceu. Mas o câmbio, é claro, favorece o turismo e a prefeitura de Buenos Aires busca mostrar ao mundo o que a cidade tem para oferecer.

O que Macri e políticos do seu naipe, que se apresentam como administradores, com currículo empresarial, ainda que no caso específico de Macri herdado do pai, um dos maiores e mais ricos empresários do país, ainda não aprendeu é que um Estado não é uma empresa. Não basta pegar umas aulinhas, as mais básicas, de macroeconomia ou de administração empresarial e aplicá-las. É preciso medir as consequências sociais que estas medidas podem representar e a capacidade que têm de provocar um imenso estrago em um país, em uma sociedade, desfigurando completamente o papel de bem estar social que um Estado deveria exercer, oferecendo securidade a todos os seus cidadãos.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) é mestre na arte de criar em todo o mundo terra arrasada, como tentou fazer na Espanha, na Itália e na Grécia. Deixa por onde passa amargas lições. Parece que Macri ainda não entendeu iludido pelos aplausos fáceis de agentes do mercado sempre a serviço do caos. Faz uso das mesmas ferramentas que, ao retirar do mercado de consumo o argentino comum, médio, não tem nada a oferecer a não ser empresas e investimentos sem mercado. Mas o mercado, é claro, continuará a aplaudi-lo assim como os economistas fracassados da região. O cântico das aves de rapina sempre consegue ludibriar os medíocres.

Mas o fato é que Buenos Aires, essa bela cidade da América do Sul, resiste. E mostra neste filme que é plural. É essa a sua vocação e é o que a torna atraente aos turistas, que podem preservar os empregos que Macri vem dilapidando com presteza neste seu primeiro ano de governo.

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