Caminhos da Arte

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A partir de 7 de janeiro de 2008, o Espaço Cultural Citi da Avenida Paulista, com curadoria do crítico Jacob Klintowitz, apresenta os trabalhos de quatro artistas que se expressam através de técnicas distintas: Luciana Maas, 23 anos, é pintora; Frank Urben, 26, fotógrafo; Manu Maltez, 30, é desenhista e Luiz Martins, com 37 anos, optou pela escultura.

Ao reunir quatro jovens em início de carreira no mundo das artes plásticas, o Espaço Cultural Citi renova a sua vocação de mostrar obras de arte no centro vital de São Paulo. Desde 2005, passaram por ali nomes consagrados, como Rubens Gerchman, Luiz Paulo Baravelli, Cláudio Tozzi, Gregório Gruber, Romero Britto, Newton Mesquita, Ivald Granato e a ceramista Shoko Suzuki.

Agora, em Caminhos da Arte, Luciana, Frank, Manu e Luiz mostram seus trabalhos no espaço que, atravessando o prédio do Citi, liga a Avenida Paulista à Alameda Santos, um dos principais ícones de São Paulo, e é visitado mensalmente por cerca de 50 mil pessoas.

O experiente Klintowitz comenta: “Observar a obra de quatro jovens artistas, ainda não inteiramente inseridos no circuito artístico, enriquece a percepção da multiplicidade dos possíveis rumos da cultura. O vigor da expressão reforça o conceito de que os limites da arte são estabelecidos, a cada vez, pela criação. Os vetores, a iconografia, os temas, as questões essenciais do ser humano, as indagações, se constituem na verdadeira essência da arte. Talvez não caiba ao artista responder, mas perguntar novamente. É o que estes quatro jovens fazem, com alegria e coragem.

O Espaço Cultural Citi (Av. Paulista, 1111, térreo, fone 11 4009 3000) fica aberto para visitação de segunda a sexta-feira, das 9 às 19 horas; aos sábados, domingos e feriados, das 10 às 17 horas. Acesso a portadores de deficiência física pela Alameda Santos, 1146. A entrada é gratuita. A mostra Os Caminhos da Arte abre em 7 de janeiro de 2008, permanecendo até 22 de fevereiro de fevereiro.

 
Os quatro jovens artistas, por Jacob Klintowitz

 
Desenhista, gravador, músico, compositor, Manu Maltez tem a personalidade complexa de alguns artistas de nossa época, sensíveis aos vários tipos de expressões, cujos exemplos mais evidentes são Paul Klee e John Cage. Curiosamente a nossa época refaz a figura renascentista, talvez devido à atual convergência holística do saber.  O seu desenho busca os assuntos essenciais da ambigüidade instinto e psiquismo, liberdade e repressão, movimento e morte.  No tratamento desses assuntos o artista estabelece sutis relações entre a linha e o espaço vazio, o dentro e o fora, o percurso contínuo e o peso da massa.

De certa maneira, é possível encontrar conotações entre a linha melódica e a tessitura do seu desenho, capaz de criar expansões espaciais e motivos reiterados. O olhar procura, por vezes, estabelecer o verdadeiro contorno destes desenhos, de limites indefinidos justamente por não distinguir o que está dentro ou fora, o fundo e a forma. O que também remete às improvisações do músico no palco, onde a edição instantânea é fundamentada em sólida formação.

A sua série reflexiva, auto-reflexiva, na verdade, de auto-retratos é exercício raro entre jovens.  Manu tem este olhar voltado para dentro, introspectivo, observador de si mesmo. Nesta contínua pesquisa, seguidamente, o artista se encontra com o mito, pois a figura humana torna-se paradigmática. Manu, o olhar para dentro. O homem que se indaga.

Manu Maltez, é desenhista e gravador, além de compositor, formado em música pela Faculdade Santa Marcelina. Como artista plástico foi aluno da desenhista e pintora Ely Bueno, e frequenta o ateliê do gravador Evandro Carlos Jardim no Sesc Pompéia. É ilustrador em publicações literárias, como a revista Ácaro, e o IMS, que publicou dois livros do contista Chico Lopes com desenhos seus. Atualmente faz gravuras que serão parte do novo livro do escritor Marcelino Freire (prêmio Jabuti 2006).

Em algum lugar já teremos encontrado estes objetos? Luiz Martins inventa série de objetos, famílias temáticas, recobertos por epidermes instigantes, verdadeiras peles a indicar semelhanças entre si, ora geométricas, ora vibrações óticas. A atmosfera gerada por estes objetos nos oferece uma ponte com o cotidiano devido aos seus materiais vulgares e ao método de ação do artista, reelaborando a visualidade do conhecido, propondo uma vivência estética. Luiz Martins é um experimentador, inventor de novos seres, criador do inusitado. A invenção metafísica.

Os seus desenhos de grandes formatos, massas abstratas e integras, sofrem a ação de contraste devido a interferências de novos elementos visuais, em diálogos essenciais que indagam sobre a qualidade da abstração. O caráter conceitual do desenho, as relações entre dois elementos diferentes, conferem ao seu trabalho uma clara intencionalidade, afastando a possibilidade da mera manifestação emocional. Nos dois casos, formas tridimensionais e bidimensionais, o artista acentua a intencionalidade de sua pesquisa, a busca de novas visualidades e o desejo do olhar desperto. Vestimenta, vibração, faixas paralelas, ritmos, relações entre partes, corpos diferenciados. O inventor procura um novo olhar.

Nascido em 1970, na pequena Machacalis, em Minas Gerais, Luiz Martins é o mais experiente dos jovens artistas de Caminhos da Arte. Desde 1995, participou de diversas exposições em São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades do país, além de mostras em Portugal e Argentina. Tem obras em acervos nesses dois países e na Áustria, Estados Unidos, Inglaterra e Espanha.

Luciana Maas repõe o lugar da pintura na investigação do artista. Ela escolhe a ação direta da mão e do corpo, recusa o uso da fotografia como desenho de base tão comum na arte atual, utiliza a memória e o sentimento para compor as suas figuras e torna a sua atividade pura criação de um universo particular no qual se configura, em seu conjunto, um formidável e oculto acervo iconográfico.

A capacidade da artista Luciana Maas de tornar pintura as suas intuições é extraordinária. E absolutamente natural. Aparentemente natural, pois articula a sua linguagem a partir da tradição pictórica. Ali está, usando os mais elementares meios, a simplicidade ancestral do pigmento no suporte, a sua personalíssima arte. Na sua pintura a figura é símbolo e parece tratar da verificação da existência, do em si mesmo. Atestado da plenitude. A pintura como um ser. Uma inserção no mundo de um novo mundo, único, vagamente referencial, mas inteiramente humano. Uma visão quase obnubliada, na fronteira entre o sonhar e o despertar. É uma pintura vigorosa que se instala imediatamente como elemento do sensível e a pintora na família artística. Verificação do sentimento. Alvorada.

Luciana Maas é formada em Arquitetura e Urbanismo. Desde 2000, quanto tinha apenas 16 anos, participa de coletivas, destacando-se algumas edições do Chapel Art Show, a mostra Olhar Impertinente no MAC-USP; o I Salão Aberto paralelo à XXVI Bienal Internacional de São Paulo, e a Mostra Internacional de Arte Digital, realizada na Argentina. Em 2005, apresentou uma individual na Câmara Americana de Comércio em São Paulo.

Existe um local obscuro, feito de sombras e entremeado de matizes cromáticas, nos quais habita um olhar que observa um ponto de luz situado entre dois espaços. Uma percepção druídica do momento essencial. Na fotografia de Frank Urben nos encontramos diante deste encontro fundamental, rito de passagem. Frank Urben é um fotógrafo de espaços pouco fotografáveis, sombras, cavernas, desvãos, porões, templos, voltados para uma possível transformação, caminhos para trilhas luminosas. Tramas, entrecruzamento, rede, trançado, malha. Vislumbres de frestas, luz e sombra, portões, sendas, folhagens entremeadas.

É inegável este sentido de rito. Passagens. Ultrapassar a rede, a trama, perceber, ver. Olhar é movimento. Perceber é libertar-se. Refletir é percorrer o trançado. Esta série inusitada, registro e reflexão sobre o mundo exterior, verificação do existente é, ao mesmo tempo, estabelecer e situar o lugar do humano. Topológico. O ser em processo. O homem no seu lugar.

Frank Urben é brasileiro que ostenta também a nacionalidade suíça. Bacharel em Design Gráfico e também em Biologia, participou de diversos cursos e simpósios nessas duas áreas. Trabalha como designer para ONGs e Instituições. Esta é a primeira exposição de seu trabalho como artista plástico.

 

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Sobre o autor

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