Cine Esquema Novo reinventa-se e passa a ser bienal

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 Em um processo de reorganização iniciado logo após sua última edição, o Cine Esquema Novo está definindo um novo formato de festival, bienal, e que será realizado a partir de 2014. Estas definições são o resultado das reflexões sobre os propósitos e conceitos do CEN ao longo de seus últimos anos, e que se traduz na carta aberta produzida por seus diretores e curadores Alisson Avila, Gustavo Spolidoro, Jaqueline Beltrame, Morgana Rissinger e Ramiro Azevedo. As mudanças propostas pelo CEN para a sua oitava edição refletem o amadurecimento do festival no sentido de se tornar um lugar não apenas de exibição de obras audiovisuais, mas também de pensamento a respeito das práticas artísticas e das transformações do audiovisual no século 21.
 
Realizado desde 2003, o CEN muda porque, segundo a carta divulgada esta semana (veja abaixo), “o que os organizadores desejam do festival, em termos conceituais e práticos, não cabe no que temos hoje”. Ou seja, o CEN passará a abrigar obras audiovisuais de naturezas diversas, explorando múltiplas possibilidades da imagem, que tenham propostas estéticas alinhadas à reflexão que vem sendo proposta pelo festival em suas últimas edições.
 
Para os organizadores do CEN, esta mudança acontece sobretudo porque, ainda conforme a carta, “cinema significava sentar em uma sala diante de uma tela, com o projetor simulando a posição da câmera fotográfica, trazendo uma narrativa de interpretação teatralizada com começo, meio e fim. Para completar, a ação ocorria nos limites de um enquadramento fixo, como uma moldura limitadora. Tudo que não cumprisse estas premissas teve de ser classificado em categorias como ‘cinema experimental’, ‘videoarte’ e tantos outros. Qualquer tentativa de fazer da experiência do cinema algo fora daquilo que o tempo definiu como cinema recebeu outro nome, e com o passar dos anos criou-se a linha divisória que separou aquilo que é percebido como exercício de cinema e exercício de arte”. É para demonstrar a vitalidade da ideia do cinema com suas várias possibilidades e relações que o CEN se permite mudar.
 
O festival passa a ser um espaço de exposição e reflexão sobre a trajetória da imagem contemporânea, naturalmente incluindo o cinema na sua significação tradicional, mas estando aberto não só a filmes como também a outras formas de expressão audiovisual, já feitas ou que venham a ser criadas, independente do modo como serão exibidas. A exibição das obras selecionadas para o Cine Esquema Novo, e não mais a ‘mostra competitiva dos filmes do CEN’, acontecerá portanto em diferentes ambientes que possibilitem a projeção de imagens.
 
Mudanças foram sinalizadas já na edição de 2011
 
Em sua última edição, realizada em abril de 2011, o CEN ocupou galerias de arte para apresentar duas exposições como parte da sua programação: a videoinstalação “ Expiração 02 ”, do artista mineiro Pablo Lobato, que ficou aberta à visitação durante todo o festival no Atelier Subterrânea, e “ Ficções ”, que reuniu na galeria Lunara, na Usina do Gasômetro, obras de artes visuais em vídeo e fotografia dos artistas Cinthia Marcelle (MG), Sofia Borges (SP), Jonathas de Andrade (PE) e Alessandra Sanguinetti (Nova York – EUA).
 
Como já é tradição do festival trazer a Porto Alegre os autores das obras que são selecionadas para as suas edições, os artistas que expuseram na Lunara e no Atelier Subterrânea também participaram do CEN 2011. O produtivo intercâmbio entre os universos do cinema e das artes visuais – duas expressões que têm cada vez mais se aproximado e sido pensadas numa relação de complementariedade – reuniu mais de 50 convidados em PoA, todos artistas e realizadores que estiveram na cidade especialmente a convite do festival. Em sua última edição, o CEN teve também um debate dedicado às interfaces entre cinema e artes visuais.
 
Surge a ACENDI
 
Estas alterações estruturais no festival acontecem na sequência da criação da Associação Cine Esquema Novo de Desenvolvimento da Imagem (ACENDI). O CEN passa a ser sua principal realização, ao mesmo tempo que permite a criação de novos projetos.
 
A ACENDI conta com um conselho consultivo, composto por quatro nomes, que dará suporte à entidade em questões como programação, curadores, atividades especiais e análise de cada edição. São eles Bernardo José de Souza (RS), coordenador de cinema, vídeo e fotografia da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Porto Alegre e professor da ESPM-RS; Fábio Andrade (RJ), editor da revista Cinética, músico e roteirista; Marcus Mello (RS), programador da Sala P.F. Gastal,  diretor-executivo da Associação e Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS) e editor da revista Teorema; e Pablo Lobato (MG), artista visual.

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