Cinema contempla a diversidade

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Jia Zhang-Ke, maior nome atual do cinema chinês, e a revelação francesa Jean-Paul Civeyrac ganham retrospectiva; premiado no Oscar e em Cannes, Claude Lelouch terá seleção de seus filmes; debate sobre a crítica terá como base o pensamento do francês Serge Daney

A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo chega à sua 31ª edição com uma seleção de mais de 400 filmes e mantendo o objetivo de contemplar a diversidade da produção cinematográfica da atualidade, reunindo filmes de todas as partes do mundo que permitam uma visão aberta e pluralista da realidade e novas experiências estéticas.

Além da seção Perspectiva Internacional, que reúne o melhor da produção de diretores veteranos, muitos deles conhecidos de outras Mostras, a seção Competição abarca os diretores estreantes, que estão até no seu segundo longa-metragem e concorrem ao Troféu Bandeira Paulista, concedido pelo Júri. Retrospectivas e seleções de grandes diretores, exibições especiais com acompanhamento cênico ou musical, lançamento de livro, debates e uma grande lista de convidados internacionais em São Paulo completam o programa.

 


Retrospectivas

Entre as retrospectivas, dois jovens cineastas, um chinês e outro francês, e um grande diretor terão sua obra revista. Ambos virão a São Paulo para acompanhar a homenagem da Mostra.


JIA ZHANG-KE

O cineasta chinês Jia Zhang-Ke, de 37 anos, feroz crítico da globalização e seus efeitos na juventude de seu país, terá todos os seus documentários e longas de ficção exibidos na 31ª Mostra. Zhang-Ke ganhou o Prêmio da Crítica da 29ª Mostra com O Mundo e o Leão de Ouro em Veneza por Em Busca da Vida. Entre os filmes, seu mais recente longa-metragem, o documentário Inútil (Useless), prêmio de melhor documentário da Mostra Horizontes em Veneza 2007, sobre o trabalho da estilista chinesa Ma Ke e o irônico caminho percorrido pelas roupas no mundo globalizado, daqueles que a produzem até aqueles que as vestem.

CLAUDE LELOUCH

O cineasta francês Claude Lelouch começou na carreira jornalística, filmando a vida cotidiana dos cidadãos da União Soviética. Desde 1961, ano em que realiza seu primeiro longa, Le Propre de l’homme, ele constrói uma das carreiras mais prolíficas do cinema francês, hoje com 50 filmes no currículo como diretor (além de obras como produtor, roteirista e ator), entre os quais o premiadíssimo Um Homem, Uma Mulher (1966) – Palma de Ouro em Cannes, Oscar de melhor filme e indicação a melhor diretor; e Retratos da Vida (Les Uns et les Autres, 1968) – Competição do Festival de Cannes, que ficou mais de um ano em cartaz em São Paulo.

Conhecido como por seu método fino e muito pessoal de direção de atores, Lelouch é um dos adeptos e precursores do filme-coral e sua superposição de personagens e histórias dentro de um único filme. O diretor terá uma seleção de seus melhores filmes exibidos na Mostra – além dos dois filmes premiados citados acima, há ainda Itinerário de um Aventureiro (Itineraire d’un Enfant Gâté, 1988), Tudo Isso pra Isso?! (Tout ça por ça, 1993), Os Miseráveis (Les Misérables, 1995) e seus dois longas mais recentes, A Coragem de Amar (2005) e Crimes de Autor (2007). Lelouch virá a São Paulo acompanhar a seleção de seus filmes.

JEAN-PAUL CIVEYRAC

Jean-Paul Civeyrac, 43 anos, é uma promessa do cinema francês e uma das grandes revelações da Mostra. Nenhum de seus filmes até hoje foi lançado no Brasil. Seu curta-metragem A Vida segundo Luc (91), sobre um jovem delinqüente e prostituído da periferia parisiense, competiu no Festival de Cannes. Estreou em longas-metragens em 1996 com Nem de Eva nem de Adão, e com seu terceiro longa, Fantasmas (Fantômes), sobre pessoas que desaparecem de maneira inexplicável, venceu o Grande Prêmio do Júri do Festival de Belfort. Dirigiu ainda o drama Todas Essas Belas Promessas (2003, seleção da 27ª Mostra), com Jeanne Balibar e Bulle Ogier.


O papel da crítica

Entre os eventos desta 31ª edição, estão previstos debates sobre o papel da crítica no cinema, tomando como base o pensamento do crítico francês SERGE DANEY, editor da revista Cahiers du Cinéma nos anos 70, morto em 1992. Os debates serão conduzidos pelo crítico e escritor Serge Toubiana, diretor da Cinemateca Francesa, do Museu do Cinema de Paris e autor de “Truffaut – Uma Biografia”, que colaborou diretamente com Daney. Jean-Michel Frodon, atual editor dos Cahiers, apontará, dentro da seleção da 31ª Mostra, quais os filmes contemporâneos que seguem o pensamento e as coordenadas estéticas e filosóficas deixadas por Daney.

Ao lado de Georges Sadoul e de André Bazin, Daney tornou-se o pensador de cinema mais influente de seu país, cultuado por escritores como Marguerite Duras e filósofos como Gilles Deleuze. Ele foi o principal responsável por reconduzir os “Cahiers” para o campo da análise cinematográfica, após fase radical de orientação maoísta, de 1968 a 1972, quando a tradicional revista na qual colaboraram Godard, Truffaut, Rohmer, Rivette e tantos outros passou a tratar sobretudo de política.

Lançamento de livro – A Rampa
 
 Acompanhando os debates e a retrospectiva em torno de Serge Daney, a Mostra mantém uma parceria de 5 anos e 8 títulos já publicados com a editora Cosac Naify e lança o livro A Rampa (La Rampe), publicado na França em 1983, que reúne artigos e críticas escritos por Daney entre 1970 e 1982 para a “Cahiers du Cinéma”. É a primeira vez que uma obra de Daney é publicada no Brasil.
 
Os ensaios reunidos em A rampa trazem um enfoque menos ingênuo sobre o poder transformador da linguagem de cinema. O livro constitui uma espécie de “canteiro de obras teórico”, como assinala o prefácio escrito especialmente para a edição brasileira por Jean-Michel Frodon. Exibe fortes marcas de pensadores importantes à época, aliando a análise cinematográfica a conceitos emprestados de Jacques Lacan, Louis Althusser, Roland Barthes e Gilles Deleuze. O livro tem ainda um segundo prefácio escrito especialmente para a edição por Serge Toubiana, posfácio do tradutor Marcelo Rezende e texto de quarta capa de Leon Cakoff.

Exibições especiais

BRAND UPON THE BRAIN
Entre as exibições especiais, a Mostra vai apresentar no Sesc Pinheiros o filme-espetáculo Brand Upon the Brain, de Guy Maddin. O “evento” do diretor canadense, que ganhou retrospectiva da sua obra na 28ª Mostra, estreou no último Festival de Berlim, com projeção em telão e performances de atores no palco da Ópera de Berlim. Em suas apresentações ao redor do mundo, a narração já foi feita por artistas como Isabela Rosellini, Cate Blanchett e Lou Reed.

TABU
O clássico do cinema mudo Tabu (EUA, 1931), de F.W. Murnau, terá uma exibição especial com acompanhamento musical do pianista Paulo Braga, que na 30ª Mostra tocou durante as sessões de Shakespeare Mudo e Histórias Tenebrosas.

Prêmio FESPACO
Por fim, uma mostra de 17 filmes africanos vencedores do prêmio máximo do FESPACO (Festival Pan-Africano de Cinema e Televisão de Uagadugu), festival bienal criado em 1972 em Burkina Faso, em parceria com a Cinemateca África e o ministério francês das Relações Exteriores. São filmes como As Mil e Uma Mãos, de Souhel Benbarka (Marrocos, 1971); Baara, de Souleimane Cisse (Mali, 1978); Tilaï, de Idrissa Ouedraogo (Burkina Faso, 1990); até o mais recente Esperando a Felicidade, de Abderrahmane Sissako (Mauritânia, 2002).

Debate Alemanha

A 31ª Mostra promove ainda, no dia 28 de outubro, um debate no Clube da Mostra com Meinholf Zurhorst, diretor do Departamento de Cinema do canal público alemão ZDF e responsável pela parceria alemã do Canal Arte. Como tema, a co-produção Cinema e TV e o papel da TV pública na produção cinematográfica.

No dia 29, será debatido o Acordo de Co-Produção Alemanha-Brasil, já ratificado pelo parlamento alemão em 2005, atualmente em tramitação no Congresso Nacional. Além de Zurhorst, o debate contará com a participação de um executivo da Pandora, uma das grandes produtoras e distribuidoras de cinema da Alemanha.

O cartaz da 31ª Mostra
Como já é tradição do evento, o cartaz da 31ª edição será assinado por uma personalidade do mundo do cinema. Neste ano, o escolhido foi Hector Babenco, cujo filme Lúcio Flávio – O Passageiro da Agonia foi exibido na 1ª Mostra, em 1977, e venceu o Prêmio do Público daquele ano.

Babenco idealizou e posou para a imagem do pôster deste ano, um homem-placa do centro de São Paulo. Pensando em um conceito para o pôster, o cineasta quis abandonar os clichês das artes e desenhos sobre cinema (tela, projetor, película etc.), buscar uma imagem urbana e bem-humorada e associar a Mostra a  “uma garimpagem de ouro e preciosidades culturais para a cidade”. Um desenho estilizado da sua figura, de calças pretas, boina e óculos escuros, ilustra a vinheta que vai preceder a exibição dos filmes, numa arte que mimetiza o caos e o dinamismo paulistanos, usando como identidade as cores amarelo e cinza.

Babenco integra agora uma galeria que já conta com cartazes de Michelangelo Antonioni, Federico Fellini, Akira Kurosawa, Manoel de Oliveira, Isabella Rossellini, Aleksandr Sokúrov, Abbas Kiarostami, Takeshi Kitano, e Emir Kusturica, Angeli, Guto Lacaz e Tomie Ohtake.

Cerimônias de abertura e encerramento

A cerimônia de abertura da 31ª Mostra acontece no dia 18 de outubro com início às 21h no Auditório Ibirapuera, com a exibição do filme inédito O Passado, co-produção Brasil-Argentina dirigida por Hector Babenco e estrelada por Gael García Bernal.
A cerimônia de encerramento e anúncio dos premiados ocorre no dia 1º de novembro, também às 21h, desta vez no Memorial da América Latina, com a primeira exibição no Brasil de Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country For Old Men), o novo filme dos irmãos Joel e Ethan Coen, que fez parte da competição do 60º Festival de Cannes.
Oficina de Cinema – Amos Gitai e Marie-Jose Sanselme

A 31ª Mostra Internacional de Cinema promove este ano uma oficina de cinema com o diretor israelense Amos Gitai, conhecido por filmes como Kadosh (1999), Kippur – O Dia do Perdão (2000), Terra Prometida (2004), Free Zone (2005) e do recente Disengagement (2007), com Juliette Binoche e Jeanne Moreau, que faz parte da seleção da 31ª Mostra; e a francesa Marie-Jose Sanselme, roteirista de seus filmes.

A oficina se dará no dia 30 de outubro em período integral, das 9h às 12h e das 14h às 18h, na FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado). O custo da oficina é de R$ 150. Há 20 vagas disponíveis. Para se candidatar, é necessário enviar um currículo e mandar um texto de um parágrafo respondendo a pergunta: “Por que você quer fazer a oficina de Amos Gitai e Marie-Jose Sanselme?”.

As inscrições vão até o dia 12 de outubro pelo e-mail oficina@mostra.org.  Dúvidas e pedidos de informações adicionais sobre a oficina também devem ser enviados para este e-mail. O resultado será divulgado no dia 16 de outubro.

Convidados internacionais

O ator Gael García Bernal (“Amores Brutos”, “Diários de Motocicleta”, “Babel”) virá a São Paulo dentro da programação da 31ª Mostra para divulgar a exibição de três filmes dos quais participa.  Ele é o protagonista do filme de abertura da Mostra, O PASSADO, uma produção Brasil/Argentina dirigida por Hector Babenco, falada em espanhol e baseada no best-seller do argentino Alan Pauls (editora Cosac Naify). O ator mexicano também vai apresentar seu primeiro filme como diretor, o mexicano DÉFICIT, e está ainda no longa SONHANDO ACORDADO (The Science of Sleep), de Michel Gondry, o mesmo diretor de “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”, que também será exibido na Mostra.

 

www.mostra.org

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