Deborah Colker é CRUEL

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No ano em que completa uma década de atividades como uma das melhores salas de espetáculos do Brasil, o Teatro Alfa traz de volta para seu palco, a Cia. de Dança Deborah Colker, um dos mais importantes grupos do país, que estréia sua nova coreografia, Cruel, em São Paulo.
As apresentações da Cia. de Dança Deborah Colker fazem parte da Temporada de Dança 2008 do Teatro Alfa que se iniciou com a Cie. DCA (Decouflé & Complices Associés ou Danse Compagnie d’Art), continuou com o Grupo Corpo, e terá depois do grupo carioca as seguintes atrações: Ballet de L’Opéra de Lyon, quatro apresentações de 23 a 26 de outubro; a estréia da São Paulo Cia. de Dança, quatro apresentações entre 6 e 9 de novembro; e La Maison, três apresentações de 21 a 23 de novembro.
Em Cruel, Deborah Colker propõe um enigma: uma série aberta de elementos narrativos que só se completa com o olhar do espectador. Corpos em movimento que exigem a decifração, um novo jogo entre o Acaso e a Necessidade. Histórias ordinárias, daquelas que se repetem invariavelmente na vida das pessoas, e que envolvem amores, amantes, família, laços que atam e desatam. Histórias quase sempre cruéis. Foi assim que nasceu seu novo espetáculo, com estréia em São Paulo marcada para o dia 12 de setembro no Teatro Alfa.
“As histórias estão ali para serem apreendidas por cada um de um modo bem particular”, explica Deborah. É nos movimentos e na expressão dos 17 bailarinos da companhia que a companhia lança as peças do jogo, sem qualquer compromisso com a explicitação do sentido, mas sim com a exigência de sua produção. Mas está tudo na cena. Com o auxílio do diretor de teatro Gilberto Gawronski, os movimentos expressivos ganharam forma e intensidade.
Foi em Nó, espetáculo que estreou na Alemanha em 2005, partindo depois para cidades brasileiras, que Deborah sentiu uma mudança na sua linguagem: a presença mais forte da dramaturgia, de metáforas e sentidos. Hoje ela entende, era um caminho sem volta. “Depois de Nó, onde já trabalhamos com a narrativa a partir de diversas fontes, Cruel era uma direção natural”, diz Deborah, que entre um trabalho e outro ainda criou, em 2006, Maracanã, por ocasião da Copa do Mundo.
A cultura teatral já estava impregnada no trabalho de Deborah Colker há pelo menos 24 anos. Foi em 1984 que a coreógrafa desenvolveu seu primeiro trabalho com a dramaturgia, fazendo a direção de movimento de “A irresistível aventura”, espetáculo de Domingos de Oliveira, estrelado por Dina Sfat.  Depois disso, atuou como diretora de movimento em diversas peças. Era, portanto, uma idéia antiga de Deborah e de João Elias, diretor executivo da companhia e parceiro de longa data, trazer essa experiência teatral para os espetáculos do grupo. “Assim, para trabalhar com essas referências do teatro, o que fizemos em Cruel, na inexistência de um libreto, foi carregar os movimentos de intenções e sentidos”, aponta Deborah Colker.
“Todas essas colaborações acabaram servindo como munição nesse processo criativo, sendo absorvidas através da dança e criando uma costura nas situações que se apresentam”, conta Deborah. “Mas o que se verá não é novela, não é teatro. É dança”, pontua a coreógrafa.
O espetáculo de dança, portanto, se desenvolve em quatro principais momentos, em dois atos.
No primeiro deles, há a preparação para um baile, com gestuais, situações e objetos da experiência cotidiana. Assistimos a uma espécie de apresentação dos protagonistas dessas muitas “situações” que entrarão em cena.
Em seguida, à volta de um grande lustre redondo e rendado, que ocupa o centro do palco, e ao som de uma valsa de Vivaldi, de Nelson Gonçalves ou mesmo das palavras leves e roucas de Julie London, transcorre, em clima de reminiscências, o grande baile, com pas-de-deux, movimentos líricos e a lembrança viva dos romances nos grandes salões: a paixão, o arrebatamento, o encontro do par perfeito, da cara metade. Estamos diante de uma formatura? De um casamento? 
Aos poucos, pequenas transformações de climas e intensidades denunciam o curso do tempo. Toma lugar em cena uma grande mesa móvel (de 5 metros de comprimento). É em torno dela que se desenvolvem as relações familiares, os encontros e desencontros que marcam as mutações dos afetos.
Com esse grande objeto em cena, Deborah Colker mantém evidente uma constante em seu trabalho: a relação primordial entre espaço – e a interferência no espaço – e movimento. “É sempre o espaço que propõe para mim uma nova relação com os movimentos”, diz Deborah. Um palco vertical (Velox), uma grande roda (Rota), a estrutura de uma casa tomando conta da cena (Casa) e uma centena de vasos espalhados pelo chão (4 por 4) foram algumas das apostas da coreógrafa nesses quase 15 anos de companhia.
No segundo ato de Cruel, um jogo de grandes espelhos que se movimentam empresta um tom surrealista ao espetáculo. Fragmentos dos corpos atravessam as estruturas, pessoas se entremeiam e se confundem.  Nesse cenário de reflexos e luzes, cada um está mais só e experimentando o acúmulo de suas histórias pessoais. “Em frente ao espelho é só você. E sua história se reflete na sua própria imagem”, sublinha a coreógrafa. Sua nova aposta está no encontro entre o violento e o amoroso, o cruel e o sensível. Esse é também o encontro entre o lúdico e o trágico, o romance e a dor. O encontro entre pessoas.
Os grandes parceiros da companhia estão presentes em Cruel: Gringo Cardia, que assina a direção de arte e cenografia; Jorginho de Carvalho, que comanda a iluminação, e Berna Ceppas, responsável pela trilha sonora que funde composições originais feitas por ele e em parceria com Kassin, colagens de música clássica a expoentes da produção urbana contemporânea, criando um corpo musical ao mesmo tempo diversificado e coeso.
Os figurinos, uma leitura ao mesmo tempo clássica e contemporânea dos trajes de grandes bailes, ficam por conta do estilista Samuel Cirnansck, grande destaque nas semanas de moda de São Paulo, em sua primeira colaboração para o grupo.
Assim, Cruel, o 9º espetáculo da Companhia de Dança Deborah Colker, segue seu próprio caminho – parte de uma história em pleno curso. Neste ano, a Cia. comemora 15 anos de parceria com a Petrobras, sua patrocinadora exclusiva.

 Cia. de Dança Deborah Colker – Cruel – SERVIÇO:
Endereço: R. Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro – 11.5693.4000
Data: 12 a 14 e 17 a 21 de setembro (quarta, quinta, sexta e sábado, às 21h e domingo, às 18h)
Lotação: 1110 lugares
Preços: setor I, R$ 90,00 – setor II, R$ 90,00 – setor III, R$ 70,00 – setor IV, R$ 40,00
Censura: 12 anos
Estacionamento: Valet = R$ 19,00 – Self = R$ 9,00 
Como Comprar:
Os ingressos dos espetáculos promovidos pelo Instituto Alfa de Cultura no Teatro Alfa estarão à venda sempre com 15 dias de antecedência.
Por Telefone: 5693-4000 e 0300-789-3377 (Serviço exclusivo do Teatro Alfa)
Venda efetuada com cartões de crédito (Amex, Visa, MasterCard e Diners Club), de segunda à sábado das 11h às 19h e domingos das 11h às 17h. Em dias de eventos até 1 (uma) hora antes do início dos mesmos. Os ingressos poderão ser retirados no próprio teatro no dia do espetáculo.  Obs.: Sem taxa de conveniência.
Pessoalmente – Bilheteria do Teatro Alfa:
Venda efetuada com cartões de crédito (Amex, Visa, MasterCard, Diners Club), cartões de débito (Visa Electron e Redeshop) ou dinheiro, de segunda à sábado das 11h às 19h e domingos das 11h às 18h. Em dias de eventos até o início dos mesmos.
Site:
www.teatroalfa.com.br

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