Duchamp no Brasil

0

Em parceria com a Fundação Proa, de Buenos Aires, que inaugurará sua nova sede em novembro com a exposição, e curadoria é de Elena Filipovic, co-curadora da Bienal de Berlim e especializada na obra do artista. Complementando a mostra, a Sala Paulo Figueiredo recebe “Duchamp-me”, com obras de artistas brasileiros inspirados no franco-americano e curadoria de Felipe Chaimovich. O patrocínio
da mostra fica a cargo da Tenaris Confab e do Itaú BBA.

A mostra de Marcel Duchamp celebra o aniversário de 60 anos do MAM-SP com propriedade: teria sido dele a curadoria da primeira exposição do museu se tivesse sido posto em prática o projeto
enviado de próprio punho a Ciccillo Matarazzo, por carta, em 1948. Tal documento será exibido na exposição “Duchamp-me”.

Quarenta anos depois da morte de Duchamp, em 2 de outubro de 1968, a mostra propõe uma reflexão sobre a revolução artística promovida por um dos mais controvertidos artistas de seu tempo,
precursor de diversos movimentos e procedimentos que viriam a ser assimilados ao longo de todo o século 20 pelas artes visuais. Contestador, Marcel Duchamp usou sua obra para negar a idéia de
que a industrialização e a tecnologia seriam responsáveis por uma transformação que levaria a humanidade à evolução e ao desenvolvimento, uma visão quase profética.

Entre as cerca de 120 peças em exibição, figuram marcos cruciais de sua carreira, incluindo “O grande vidro”, nome pelo qual é conhecida “La mariée mise a nu par ses célibataires, même”, obra
inédita no Brasil. O núcleo comemorativo do centenário do artista na 19ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1987, foi a maior exibição de obras do artista realizada anteriormente. Muito mais
modesta (75 peças no total) que a atual exposição, essa mostra não incluía “O grande vidro”.
Essa assemblage, que levou oito anos para ser totalmente construída (de 1915 a 23), ainda hoje suscita estudos por parte dos pesquisadores da obra de Duchamp, em busca de significados
ocultos, uma prática comum do artista, que nomeava seus trabalhos com jogos de palavras e os preenchia com referências de humor refinado, menções arquetípicas e psicanalíticas.Multiplicidade criativa exposta no MAM

Nascido em 28 de julho de 1887 na região da Alta Normandia, na França, Marcel Duchamp rompeu com a arte até então realizada com o objetivo de resgatar a autonomia e o valor do artista plástico,
refutando a idéia de trabalho artístico que visasse meramente o prazer estético e o deleite visual.
Toda sua criação seguiu em busca da resposta à sua pergunta (e que inspirou o título da exposição): “Pode alguém fazer uma obra que não seja uma obra ‘de arte’?”. Por ela compreende-se
sua recusa ao conceito de arte de então, cujos critérios a serem seguidos eram predominantemente cor e forma, em detrimento de tema, intenção ou idéia por parte do artista, desconsiderando o
pensamento inserido na obra.

Flertando com o cubismo e o futurismo para renegá-los, antecipando os dadaístas e inspirando os surrealistas, com os quais nunca se associou totalmente, legando princípios que resultariam na arte
conceitual, na arte pop, no minimalismo, na arte cinética, no Fluxus, nas instalações, Duchamp foi um artista de trajetória ímpar, isolada de regras e cânones dos movimentos estéticos de seu tempo
em sua empreitada para resgatar a inteligência, a vivacidade e o humor na arte e na vida, seguindo acima de tudo a vontade e o prazer da realização artística contra a mecanização do cotidiano e dos costumes.

A mostra que o MAM recebe em primeira mão parte do primeiro passo revolucionário da obra de Duchamp, a criação do primeiro ready-made em 1913, para mostrar de que forma o trabalho de sua vida questionou o papel das instituições, principalmente a artística (museus, galerias etc.), a forma como as pessoas vêem o mundo e a própria arte, além de colocar em xeque a importância da obra
de arte por meio de réplicas e reproduções.


 www.mam.org.br

Compartilhar.

Sobre o autor

Comentários desativados.

000-017   000-080   000-089   000-104   000-105   000-106   070-461   100-101   100-105  , 100-105  , 101   101-400   102-400   1V0-601   1Y0-201   1Z0-051   1Z0-060   1Z0-061   1Z0-144   1z0-434   1Z0-803   1Z0-804   1z0-808   200-101   200-120   200-125  , 200-125  , 200-310   200-355   210-060   210-065   210-260   220-801   220-802   220-901   220-902   2V0-620   2V0-621   2V0-621D   300-070   300-075   300-101   300-115   300-135   3002   300-206   300-208   300-209   300-320   350-001   350-018   350-029   350-030   350-050   350-060   350-080   352-001   400-051   400-101   400-201   500-260   640-692   640-911   640-916   642-732   642-999   700-501   70-177   70-178   70-243   70-246   70-270   70-346   70-347   70-410   70-411   70-412   70-413   70-417   70-461   70-462   70-463   70-480   70-483   70-486   70-487   70-488   70-532   70-533   70-534   70-980   74-678   810-403   9A0-385   9L0-012   9L0-066   ADM-201   AWS-SYSOPS   C_TFIN52_66   c2010-652   c2010-657   CAP   CAS-002   CCA-500   CISM   CISSP   CRISC   EX200   EX300   HP0-S42   ICBB   ICGB   ITILFND   JK0-022   JN0-102   JN0-360   LX0-103   LX0-104   M70-101   MB2-704   MB2-707   MB5-705   MB6-703   N10-006   NS0-157   NSE4   OG0-091   OG0-093   PEGACPBA71V1   PMP   PR000041   SSCP   SY0-401   VCP550   HP0-S42   70-483   101   000-080   1z0-434   CCA-500   CAP   1Z0-804   220-802   70-483   SY0-401   70-980   300-101   c2010-652   ICGB   1Z0-144   101   70-533   000-017   1Z0-060   640-916   9L0-012   MB2-704   9L0-066   2V0-621D   1Z0-144   1Y0-201   74-678   EX200   70-483   700-501   210-260   200-310   100-105  , JK0-022   350-080   300-070   CISSP   810-403   CAS-002   300-206   200-101   OG0-093   000-104   MB6-703   CISSP   1Z0-144   070-461   1Z0-060   SSCP