E SE FOSSE SEU FILHO A NASCER EM ÁREA DE CONFLITO?

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O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) está promovendo, desde o final do ano passado e em diversas plataformas, sobretudo as digitais, um filme que é um grito de alerta para que todos entendam o drama daqueles que hoje vivem em zona de conflito, sobretudo mulheres grávidas e pais que querem proteger crianças de uma tragédia real e anunciada. O filme Born Into Danger (que no Brasil ganhou a tradução “Nascidos em meio a conflitos”) foi gravado na África e mostra um casal de classe média às voltas com um parto eminente e os riscos à vida deles e da criança. E se fosse seu filho?. A clássica pergunta visa alertar para o fato de que mais de 16 milhões de crianças nasceram em zonas de conflito em 2015. Isso representa 1 em cada 8 nascimentos em todo o mundo. E os conflitos continuam levando pais como os do filme a buscar segurança em outros países. Um alerta que busca também a compreensão de todos para com os refugiados.

“A cada dois segundos, no meio de um conflito, um recém-nascido respira pela primeira vez; muitas vezes em circunstâncias terríveis e sem acesso a cuidados médicos”, diz o diretor executivo do UNICEF, Anthony Lake. “Muitas crianças estão agora começando sua vida em circunstâncias extremas – de conflitos a desastres naturais, pobreza, doença ou desnutrição. Pode haver um pior começo na vida?”

Em países afetados por conflitos, como Afeganistão, República Centro-Africana, Iraque, Sudão do Sul, Síria e Iêmen, ou em viagens arriscadas para fugir dos combates, recém-nascidos e suas mães enfrentam enormes riscos. Mulheres grávidas correm o risco de dar à luz sem ajuda médica e em condições insalubres. Seus filhos têm mais probabilidade de morrer antes de seu quinto aniversário e sofrer estresse extremo – ou “tóxico” –, que pode inibir o seu desenvolvimento emocional e cognitivo a longo prazo.

Além dos conflitos, a pobreza, os efeitos das mudanças climáticas e a falta de oportunidades estão tornando as crianças cada vez mais vulneráveis e têm empurrado milhões em viagens perigosas longe de suas casas.

  • Mais de 200 mil crianças pediram asilo nos países da União Europeia nos primeiros nove meses de 2015, somando-se aos 30 milhões de crianças em todo o mundo forçadas a deixar suas casas em 2014 devido à guerra, à violência e à perseguição. Mais pessoas estão deslocadas agora do que em qualquer momento desde a Segunda Guerra Mundial.
  • Mais de 250 milhões de crianças – ou uma a cada nove – vivem em países e áreas em conflito e enfrentam enormes obstáculos a sua saúde, sua educação e seu bem-estar.
  • Mais de meio bilhão de crianças vivem em zonas onde as inundações são extremamente comuns e quase 160 milhões vivem em lugares onde a gravidade da seca é elevada ou muito elevada.
  • Crianças representam quase metade de todas as pessoas que vivem em extrema pobreza, embora componham cerca de um terço da população mundial.

“Os últimos meses de 2015 viram o mundo se reunir em torno do combate às mudanças climáticas e de uma nova agenda de desenvolvimento global. Esses acordos ambiciosos apresentam uma grande oportunidade se pudermos transformar as nossas promessas em ação para as crianças mais vulneráveis”, disse Lake. “Se abordarmos as razões pelas quais tantas famílias sentem a necessidade de arrancar elas mesmas e seus filhos de suas casas – resolvendo os conflitos, combatendo as mudanças climáticas, expandindo oportunidades –, poderemos fazer de 2016 um ano de esperança para milhões de pessoas – e não um ano de desespero.”

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