A ESCALADA DE UM GOLPE NA DEMOCRACIA

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Pedro A. Ribeiro de Oliveira*

Ontem, 17, houve uma escalada enorme no conflito político brasileiro. Há muita coisa a comentar, como o deprimente espetáculo de violação de direitos que foi montado pela TV globo, mas quero levantar um tema que me parece ter ficado em segundo plano: a súbita e massiva rejeição ao PT. Para atingir esse volume, não basta um fenômeno espontâneo, é preciso contar com aperfeiçoados instrumentos de propaganda.

Aí entra uma pista aberta por Luís Nassif, que escreve no jornal eletrônico GGN. Num artigo longo, mas excelente, ele mostra que se reproduz hoje no Brasil a mesma estratégia usada pelos USA para derrubar os governos nacionalistas árabes (a chamada “primavera árabe”). Trata-se de combinar, num momento propício, uma intervenção judicial (que criminaliza quem está no governo), a mídia (que informa seletivamente, ou desinforma quando necessário) e as redes sociais para mobilizar a massa – especialmente as menos politizadas – por meio de agentes fake.

Essa estratégia está sendo aplicada no Brasil desde os movimentos de junho de 2013 (L. Nassif chama a atenção para a inclusão da PEC que deu poder de investigação ao MP, entre os cartazes presentes naquelas manifestações).

Sou avesso às teorias conspiratórias da história, mas os EUA são hoje uma potência mundial em declínio e certamente assegurar o domínio sobre o Brasil é um objeto de estratégia geopolítica para eles. Não esquecer que Lula e Dilma optaram pela China, mudando a política externa de FHC.

Se essa hipótese se confirma, o quadro nacional é muito mais grave do que parece. Basta ver o rastro de destruição que a “Primavera árabe” – como o movimento foi qualificado pela imprensa mundial – deixou na Líbia, Egito e Síria – só a Tunísia, eu creio, escapou… Os EUA não têm o menor interesse em instaurar democracias, mas em assegurar seu acesso a recursos estratégicos como petróleo, água e minérios.

Minha pequenina esperança é Lula como primeiro-ministro. Não é que eu confie nele, mas não vejo outra saída. Com ele é possível mudar a política econômica e retomar o crescimento. Sem ele, entrega-se o governo a um pequeno grupo de concursados do Judiciário, do MP e da Polícia Federal (provavelmente com o respaldo militar) que vai exaurir os recursos naturais do Brasil em proveito das grandes corporações. Quando for exportado todo o petróleo do pré-sal, a Vale tiver transformado nossas montanhas em lamaçais, e a água for privatizada, os jovens que hoje berram contra o PT chorarão lágrimas amargas… Por isso, hoje à tarde vou pra rua manifestar minha adesão à ordem republicana.
*Pedro A. Ribeiro de Oliveira é sociólogo, professor no Mestrado em Ciências da Religião da PUC-Minas e Consultor de ISER-Assessoria.

 

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