FLIP 2015: PERFORMANCE INGLESA NO PALCO

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A inglesa Hannah Silva trouxe à Casa da Cultura um espetáculo performático criado para o festival de poesia de Aldeburgh, que alia feminismo, linguagem corporal e experimentações sonoras em “Schlock! – uma performance poética”. Silva fez do livro Cinquenta tons de cinza a matéria-prima deste trabalho, investigando a sexualidade feminina e a condição da mulher. “Todo o mundo estava lendo o livro, então fiquei curiosa. E fiquei muito triste. Ela não era uma submissiva mas era castigada ainda assim”, afirmou, na conversa que se seguiu à performance.

Autoras de “Brasil: uma biografia”, as historiadoras Heloisa M. Starling e Lilia M. Schwarcz fizeram ontem, na Casa da Cultura, uma síntese da aula dada na programação principal da Flip, mas agora voltada especialmente a professores. Falaram sobre como a história é um exercício de lembrar, mas também de esquecer. “O motor da história é a mudança, mas o que nos interessou foi a ideia de que existe muita continuidade na mudança”, disse Lilia. As linhas de permanência, segundo Heloisa, são a escravidão (e os racismos) e a maneira como os brasileiros construíram e nomearam a ideia de liberdade.

Enquanto as duas historiadores falavam na Casa da Cultura, a Capelinha recebeu “Caminhos de Mário: a dimensão antropológica na cultura”. Na mesa, Alexandre Pimentel, diretor da Biblioteca Parque de Manguinhos; Manoel Vieira, diretor geral do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac); e Maria Pereira, coordenadora do Projeto Turista Aprendiz. Eles falaram sobre o trabalho de pesquisa do patrimônio imaterial que o autor homenageado pela Flip deste ano compilou ao longo de meses de viagem pelo Brasil e que estão em O turista aprendiz, de 1927. Inspiradas justamente nesta obra, oficinas homônimas de criação literária para jovens, no Rio de Janeiro, foram apresentadas por Maria Pereira. A necessidade de fomentar a cultura imaterial, sem eliminar a espontaneidade das manifestações populares, foi outro assunto central no encontro.

Tão disputada quanto a conversa com as autoras de “Brasil: uma biografia” foi a exibição de um episódio da série da Philos TV “Poesia em movimento”, na qual a escritora e cantora Adriana Calcanhoto entrevista o poeta e compositor Arnaldo Antunes. Na gravação, o ex-Titã conta que a canção popular foi sua porta de entrada para o universo da poesia. Comenta também sobre a importância do professor que lhe apresentou a “Caixa Preta” –conjunto de poemas visuais e poemas-objeto manipuláveis de Augusto de Campos, criados em parceria com o artista plástico Júlio Plaza. Fala ainda sobre poetas seminais em sua formação, como Wally Salomão. Ao final da exibição, subiu ao palco e recitou um poema do livro Agora aqui ninguém precisa de si.

A Capelinha recebeu ainda “As gavetas de Mário”, em que Elisabete Marin Ribas, do IEB (Instituto de Estudos Brasileiros da USP) falou sobre a importância que o acervo do escritor modernista teve na formação do órgão. Na mesa, comentou também sobre a expressividade da coleção de Mário, composta por 30 mil documentos, 17 mil livros e uma coleção de obras de arte.

A programação da FlipMais seguiu com o “Noites de cinema”, no qual foi exibido “Vilanova Artigas: o arquiteto e a luz”. Escrito por Laura Artigas, neta do arquiteto, e dirigido por ela e Pedro Gorski, o documentário remonta a trajetória do arquiteto. Retrata sua formação e ressalta projetos icônicos em sua carreira, como “A casinha”, refúgio que Artigas construíu para a futura mãe de seus filhos, Virgínia; o edifício Louveira; o Estádio do Morumbi e o prédio da FAU-USP, faculdade que ajudou a formar e da qual foi afastado durante a ditadura militar.

Coube à Cia dos Bondrés encerrar a programação deste sábado na Casa da Cultura com “Instantâneos”. No espetáculo, o grupo recorre a expressões artísticas distintas, como dança, música e teatro, permeadas por um toque de humor. Trata da existência humana nas várias fases da vida, da infância ao envelhecer, em suas alegrias e agruras.

Reprodução de texto e foto do Blog da Flip

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