FOFÃO CONTRA AS DROGAS

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Dona de mais 30 medalhas olímpicas, a campeã mundial de vôlei Fofão atuou na Seleção Brasileira de 1991 a 2008. Encerrou a carreira em 2015, depois de colaborar para o desenvolvimento do esporte nacional. A mais recente contribuição social da expoente jogadora é o seu comprometimento com a conscientização ao abraçar a Campanha “Com consciência, sem drogas”, da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

A ideia é incentivar e conduzir o diálogo entre o pediatra e a família dentro dos consultórios acerca do consumo de álcool e drogas na adolescência, proporcionando trabalho de prevenção e, eventualmente, tratamento.

Com a jornalista Izilda Alves como madrinha, a ação baseia-se em dados alarmantes quanto ao uso dessas substâncias cada vez mais precocemente e, em alguns casos, até mesmo no ambiente familiar.

Os dados são preocupantes: de acordo com estudo piloto realizado no Hospital Universitário da USP, na capital paulista, entre os pacientes, o uso do álcool no consumo familiar é bastante elevado (43,5%), seguido pelo tabaco (34,5%), maconha (27,5%) e crack (11,5%). Os prejuízos à saúde são irreparáveis e incontroláveis, também afetando a esfera social, familiar, emocional e psicológica.

Pesquisa realizada pelo Centro de Referência Estadual em Álcool e Drogas (Cread) constatou que dois terços dos dependentes químicos que os procuram experimentou droga pela primeira vez entre 12 e 17 anos de idade; destes, 37% assumem que o álcool foi a porta de entrada.

Claudio Barsanti, presidente da Sociedade de Pediatria, afirma que a campanha será uma das prioridades da Diretoria da SPSP, devido à gravidade do problema hoje. “Quando nos aprofundamos nos números e na alta incidência, percebemos o quanto esse quadro é preocupante. Se o pediatra estiver bem informado e atento a esta realidade, será possível diagnosticar com mais efetividade e adotar condutas dirigidas”.

Para Izilda Alves, a campanha Julho Branco reforça sua certeza de que a melhor conduta é a prevenção em casos de álcool e drogas. “Devido à relação mais estreita com os pais, o pediatra precisa saber lidar com essa realidade. Sinto-me honrada em fazer parte disto, especialmente por que é a primeira vez que vejo uma sociedade de especialidade médica envolvida com tamanha abnegação na luta contra esta epidemia grave”.

Aconselhamento sobre Drogas em Pediatria
A SPSP tem a visão de que o combate eficaz ao consumo de drogas (lícitas ou não) passa obrigatoriamente pelos consultórios dos especialistas. Com o preparo adequado do pediatra, almeja-se instituir um aconselhamento obrigatório sobre o tema. Ou seja, um tempo específico da consulta voltado à abordagem da questão, favorecendo a intervenção preventiva e até curativa dos usuários.

“É uma luta contínua, que deve ser realizada dia a dia, em todos os ambientes de convívio dos jovens e familiares, completa a dra. Lilian dos Santos Rodrigues Sadeck, 1º vice-presidente da SPSP.

Para João Paulo Lotufo, coordenador do Grupo de Trabalho do Combate ao uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da SPSP, o pediatra, por ser um profissional da linha de frente, deve obrigatoriamente ter bom preparo, um plano de atendimento, uma pesquisa sobre a situação familiar, para então levantar uma discussão saudável, informativa e resolutiva.

Informação
Devido à iniciação cada vez mais precoce da juventude no universo das drogas, o especialista se depara com um cenário que ainda está longe de seu domínio. Em questionário respondido durante Congresso de pediatras e pneumologistas pediátricos, em 2007, notou certo desconhecimento sobre a questão, incluindo o tratamento do tabagismo.

“Nosso objetivo é que as entidades médicas e hospitalares unam forças por esta causa, que é a aproveitar as consultas para transmitir às famílias noções sobre o problema das drogas. Reduzir o consumo é imperioso. Precisamos inovar até em como fazer o melhor aconselhamento sobre drogas”, comenta Lotufo.

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