Jardim das oliveiras no Brasil

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A Embrapa Clima Temperado unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento irá testar cerca de 25 cultivares de oliveira nos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina .A idéia segundo o pesquisador Enilton Flick Coutinho e que no máximo  em 5 anos sejam indicadas as  cultivares com melhor desempenho. O material em teste vem da  Espanha, Itália e Portugal.

As regiões do sul mais promissoras para o cultivo de oliveiras já foram identificadas no pré-zoneamento realizado pela Embrapa e seus parceiros. Extensionistas da Emater-RS também serão treinados para levar aos interessados as informações essenciais. A partir de março, será disponibilizado na  página da Embrapa Clima Temperado na internet, um link para que os resultados e avanços do projeto, em termos de pesquisa e desenvolvimento possam ser acompanhados. Uma novidade em relação a  projetos semelhantes.

Depois de passar duas semanas em Portugal para tratar do assunto, Enilton Coutinho, acompanhado pelo chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa de Pelotas, Waldyr Stumpf, e pelo difusor de tecnologia Fernando Costa Gomes, está convicto de que há, no Sul do Brasil, várias regiões com clima e solos semelhantes aos da região lusitana, os quais apresentam excelentes perspectivas para o cultivo de oliveiras. Com o uso do zoneamento e de cultivares recomendadas, minimiza-se o risco de insucesso que alguns cultivos tiveram no passado.

Durante a viagem, os técnicos da Embrapa garantiram também mecanismos de cooperação técnica internacional. Um deles foi o convênio firmado entre a Embrapa e o Instituto Superior de Agronomia de Lisboa. Além disso, foram assentadas as bases de cooperação com a Casa do Azeite, centenária fundação lusitana que abriga informações, tradição e conhecimentos sobre o óleo de oliva. Já a partir de meados deste ano, alguns dos principais especialistas portugueses passarão a vir a Pelotas e a desenvolver ações conjuntas de cooperação e consultoria.

Expectativas

As ações da Embrapa Clima Temperado são motivadas pelo interesse cada vez mais evidente de um grande número de produtores que demandam informações sobre o cultivo de oliveiras. A isso somam-se aspectos estratégicos de relevante valor econômico para o Brasil. O País tem gasto, anualmente 250 milhões de dólares diretamente com importações, sendo 100 milhões com azeite e 150 milhões com azeitonas. Os números retratam, contudo, que o negócio envolve mais de 800 milhões de dólares anuais, considerando os aspectos de transportes, distribuição e logística, e vai continuar crescendo nos próximos anos.

As fronteiras agrícolas para a expansão dos olivais na Europa encontram-se praticamente no limite e a comunidade européia sabe que o consumo de azeite continuará crescendo nas próximas décadas. Isso devido, em grande parte, à popularização do conhecimento de que a ‘dieta do Mediterrâneo’, capitaneada pelo óleo de oliva, não tem contra-indicações médicas e nutricionais e está ligada aos aspectos de longevidade e funcionalidade dos alimentos. Assim, tudo leva a crer que plantar oliveiras e produzir azeitonas e azeite continuará sendo um negócio altamente interessante.

Atualmente, há cultivares que já começam a produzir a partir do terceiro ano (embora a estabilização ocorra a partir do sexto ano). Em um hectare de oliveiras, se pode colher aproximadamente 10 mil quilos e vendê-los por mais de um dólar o quilo. “Pode-se falar em um faturamento de 10 mil dólares (cerca de 21 mil reais) por hectare”, calcula Enilton.


Aproveitamento total

Enilton observa que as plantações de oliveiras não são agressivas ao meio ambiente nem demandam grandes insumos. Em Portugal, eles encontraram, em plena produção, pomares com mais de 100 anos. Na Europa, existem oliveiras plantadas há mais de 600 anos. Trata-se de uma espécie da qual tudo se aproveita: a polpa do fruto pode ser consumida ou fornecer azeite; o caroço, além do azeite, pode ter seus resíduos usados em fornos e caldeiras, as folhas (obtidas junto aos lagares, após a limpeza das azeitonas) servem como fertilizante e se alguém imagina que os troncos descartados podem ir parar na lareira, engana-se: a madeira de oliveira tem altíssimo valor comercial e é usada para esculturas ou entalhes em móveis de estilo.

O chefe da unidade da Embrapa em Pelotas, João Carlos Costa Gomes, que em 2006 recebeu uma comitiva de empresários e técnicos europeus interessados no assunto, afirma que a cadeia produtiva ligada ao cultivo de oliveiras também encontra alta repercussão social, seja como nova alternativa para o campo, seja como geração de renda e milhares de empregos diretos e indiretos. Sem contar com a questão estratégica da auto-suficiência nacional e da possibilidade de exportar. “A aposta na cultura da oliveira hoje é mais do que uma expectativa só da região ou de nossa unidade, devendo ser considerada como uma perspectiva de interesse da Embrapa e do Brasil”, garante Costa Gomes.

 

 

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