MAIS DE 100 JORNALISTAS FORAM ASSASSINADOS EM 2016, DIZ A ONU

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Mais de 100 jornalistas foram assassinados no mundo no ano passado enquanto realizavam suas funções, o equivalente a um a cada quatro dias, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). A maior parte das mortes ocorreu em países como Síria, Iraque e Iêmen. A América Latina e o Caribe é a segunda região com maior número de mortes, com 28 assassinatos.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) informou na última segunda-feira (16) que 101 jornalistas foram assassinados no ano passado no mundo enquanto realizavam suas funções, o equivalente a um a cada quatro dias.

Apesar de alto, o número é menor que o registrado em 2015 (115 mortes), mas ficou acima de 2014 (98 assassinatos), de acordo com a agência da ONU.

“Mesmo que o número de jornalistas assassinados em 2016 tenha sido um pouco menor que no ano anterior, os perigos e desafios enfrentados pelos trabalhadores de mídia no mundo todo não mostram sinais de diminuição”, afirmou em comunicado o diretor-geral assistente para comunicação e informação da UNESCO, Fank La Rue.

“A profissão de jornalista não é segura, e a apresentação de credencial de imprensa ou a posse de equipamentos de mídia frequentemente servem de mais uma razão para torná-los alvo”, completou.

A maior parte dos assassinatos ocorreu em Estados árabes onde há conflitos armados, como é o caso de Síria, Iraque e Iêmen. No entanto, a América Latina e o Caribe aparece como a segunda região com o maior número de mortes, em um total de 28 assassinatos — comparados a 25 em 2015 e 26 no ano anterior. Os números incluem blogueiros e freelancers.

Apesar de estatísticas detalhadas sobre 2016 ainda não estarem disponíveis, a disseminada impunidade para atos de violência contra jornalistas têm sido há anos motivo de preocupação por parte da UNESCO, uma vez que no passado apenas um em cada dez casos levou à condenação dos perpetuadores.

“Quando crimes de qualquer tipo contra jornalistas permanecem impunes, isso significa que a mídia pode ser continuadamente assediada e atacada”, afirmou La Rue. “A impunidade censura jornalistas e a mídia, onde o temor de represálias se transforma em autocensura, privando cada um de nós de informações vitais”.

A UNESCO coordena o Plano de Ação da ONU para a Segurança de Jornalistas e Combate à Impunidade, cujo objetivo é auxiliar profissionais de mídia e jornalistas em situações de conflito.

Cada assassinato foi condenado pela diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, que pediu que as autoridades investigassem as mortes. Além da violência física, jornalistas também foram ameaçados com discurso de ódio na Internet e sofreram assédio baseado em gênero.

Brasil foi 5º país com mais mortes em 2015

A UNESCO já havia divulgado em novembro do ano passado relatório com os dados de assassinatos de jornalistas em 2015 no mundo.

No documento, o Brasil aparecia em quinto lugar entre os países com mais profissionais mortos (7 assassinatos), ficando atrás apenas de Síria, Iraque, Iêmen e França — país que naquele ano teve o ataque contra o jornal satírico Charlie Hebdo.

A UNESCO ainda não divulgou os dados de 2016 detalhados por país.

Clique aqui para acessar o relatório com dados de 2014 e 2015.

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