MARCHA DAS VADIAS CONTRA A CULTURA DO ESTUPRO

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Por Flávia Villela/Repórter da Agência Brasil

A Marcha das Vadias 2016 percorreu ontem (2) a orla de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro, para protestar contra o machismo e a cultura do estupro.

 

Marcha das Vadias, na orla de Copacabana ao Leme

Marcha das Vadias, na orla de Copacabana ao Leme. Foto:Flávia Villela/Agência Brasil

Por volta das 16h, o grupo de maracatu feminista Baque Mulher fez apresentação de música com tambores. Em seguida, a marcha percorreu três quilômetros pela orla, até o Leme, com palavras de ordem pelos direitos das mulheres, trans e travestis.

Neste ano de Olimpíada e eleições municipais, o movimento abordou também as violações cometidas em nome dos Jogos Olímpicos, como remoções, gastos excessivos dos governos municipal e estadual. Criticaram também a candidatura de Pedro Paulo (PMDB) a prefeito do Rio – acusado de espancar a ex-mulher – e o deputado federal Jair Bolsonaro, réu no Supremo Tribunal Federal por injúria e apologia ao estupro.

Para uma das organizadoras da Marcha no Rio Heloisa Melino, é papel do movimento também denunciar abusos como os que têm sido cometidos contra a população pobre da cidade.

“Neste ano de megaeventos não poderíamos deixar de falar contra esses gastos excessivos, que não vão deixar nada para a população do estado, e [contra]essa política higienista, de remoções de favelas e ocupações, violência contra os camelôs, pessoas trans e travestis”, disse ela. “Além disso, não podemos aceitar a candidatura de um homem que agrediu física e psicologicamente a esposa”, acrescentou.

O protesto também defendeu a legalização do aborto e a regulamentação da prostituição. A ativista Jaqueline Toledo, 23 anos, trouxe o filho, Miguel, de oito meses, de carrinho, e declarou: “Quero que meu filho veja as outras mulheres como [seres]humanos, assim como ele é, para que cresça respeitando a mulher e seja contra a cultura do machismo”.

“Fora Temer” também esteve na boca e nos cartazes da marcha. Para a presidenta do grupo TransRevolução do Rio, Indianara Alves Siqueira, que participa da Marcha das Vadias desde 2011, também é papel do movimento denunciar o afastamento de Dilma Rousseff.

“Por mais que seja um governo que não nos represente em sua totalidade, estamos falando de uma mulher que foi eleita democraticamente pelo povo e que não cometeu nenhum crime. Essa tentativa de impeachment é golpe”, disse ela.

Indianara também condenou o estupro coletivo cometido contra uma adolescente no Rio de Janeiro, no mês passado. “Estamos ocupando o espaço público com as mulheres para dizer que isso é inadmissível. E queremos que isso se multiplique para as próximas gerações, para que a sociedade se torne inclusiva e segura”, desdtacou.

A manifestação continuou à noite, no centro da capital fluminese, no Palácio Capanema, onde ocorre o Desfile Daspu, encerrando o Puta Dei 2016, na Ocupa Minc. De lá, as participantes pretendem sair em cortejo para a CasaNem, onde será encerrada a Marcha das Vadias –  movimento iniciado em Toronto, no Canadá, em 2011, com efeito multiplicador em várias cidades mundo afora.

As assessorias do deputado Bolsonaro e do candidato a prefeito Pedro Paulo não foram encontradas para comentar as críticas.

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