MERKEL, CUNHA E OS NIBELUNGOS

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Poucos chefes de Estado são tão arrogantes e insensíveis quanto a alemã Angela Merkel. Uma insesibilidade que surge até quando joga por terra os esforços em mostrar simpatia num diálogo com crianças. É o que ressalta um vídeo que circula na internet desde a última quinta-feira, 17, quando Merkel foi mais que dura, insensível ao problema que uma criança palestina, Reem, de 13 anos e que há quatro vive como refugiada na Alemanha, trouxe à tela em encontro da chanceler numa escola. Em alemão fluente, segundo os que dominam a língua de Goethe e Wagner, a menina expõs o seu drama: “Nós vivemos tempos difíceis recentemente por quê estamos próximos de ser deportados. Eu estava me sentindo muito mal na escola e os professores e estudantes estavam comentando isso.”. Por isso, Reem decidiu participar da conversa com Merkel. A resposta da chanceler não poderia ser mais insensível e socialmente irresponsável: “Estamos nesta situação e a única resposta que eu tenho é: não deixe isso ir muito longe antes de ser decidido. Algumas pessoas vão ter que ir embora.”

Merkel evidentemente não mentiu. Falou a verdade e o que pensa, mas externou também a crueldade com que vê o mundo, a mesma que demonstrou e tem demonstrado em relação à Grécia na sua tentativa de manter a liderança alemã na zona do euro e conter qualquer tipo de desgaste para a moeda a qualquer preço, ainda que isso represente o desgaste de vidas. Ceifem sonhos e adiem aquilo que chamamos de civilização, instigando à barbárie. Merkel vai demonstrando assim do que são capazes chefes de Estado insensíveis e arrogantes, mais preocupados em manter poder, liderança e finanças em alta (um tesouro inabalável) ainda que isso tenha um custo social altíssimo ao futuro.

A insensibilidade de Merkel fica assim como registro triste da semana que também teve o seu lado bufão no terreno da política brasileira protagonizado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), ao anunciar que estava rompendo com o governo. Talvez o nobre deputado desconheça os verbetes de dicionário e a língua de Camões, pois rompimento pressupõe, para ocorrer, a existência de laços, associações, alianças anteriores. E esta condição em relação ao governo e ao próprio país e aos brasileiros, o deputado nunca demonstrou ter. Novidade seria se rompesse consigo mesmo, com seus interesses em impor uma pauta que joga o país no atraso e no abismo dos gastos injustificados, isenções tributárias e aumentos de salários para o legislativo e o judiciário como que querendo constituir um poder paralelo, numa tentativa bufa de agregar em torno de si legislativo e judiciário, desgastando o executivo com o qual anunciou o pressuposto rompimento. Sorte que as delações premiadas, as quais ele via com tão bons olhos, agora o atingem diretamente, o colocando como suspeito de uma desenfreada corrupção que corrói sua imagem e provoca, aí sim, o rompimento de aliados que ele de fato tinha até então.

Não foi sem motivo que ao publicar hoje, 18, os top trends do dia anterior, 17, o Twitter destacou que tanto no Brasil como globalmente a hashtag #CunhaNaCadeia liderou todos os seus rankings. Uma resposta dos internautas às denúncias que envolvem Cunha e que constituem um fato significativo da operação LavaJato que começou direcionada ao PT da presidenta Dilma Rousseff e que agora atinge outras figuras da República, algumas do PSDB inclusive já citadas, mas que a grande mídia omite ou secundariza no pé de página na tentativa talvez de proteger aqueles que vê como alternativa de poder e que a alimenta com promessas a serem resgatadas futuramente.

Nesse mundo de óperas (e operetas no caso de Cunha), existe um universo de nibelungos, como os da obra Wagner, em busca de um anel de poderes míticos. Em comum, são todos anões, não pela estatura física, mas pela estatura política, nos dois casos, daquilo que representam.

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Sobre o autor

Carlos Franco

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