NISSAN COM TUDO EM LE MANS

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O mundo nunca viu um carro de corrida como o GT-R LM NISMO. Com conceito radical e construção ousada, o modelo foi criado por meio da convergência entre imaginação, know-how e coragem. Ele foi feito para explorar novas ideias, abrir caminhos inexplorados com velocidade e eficiência nunca antes alcançadas, com o objetivo principal de vencer a maior de todas as corridas, as 24 Horas de Le Mans.

 

Ninguém jamais ousou vencer em Le Mans de ponta a ponta com um carro de corrida equipado com motor frontal e tração dianteira. Para alguns, a própria noção parece ilógica, já que a história demonstra que os carros que apresentaram exatamente a configuração oposta tiveram condições de chegar à vitória. Mas se você estiver preparado para deixar as convenções de lado e olhar para a ciência, o regulamento e a própria corrida, novas respostas convincentes podem surgir. A da Nissan é o GT-R LM NISMO.

Ao adotar uma configuração radical, com tração dianteira e motor montado na frente, o GT-R LM NISMO literalmente vira o regulamento do avesso, com liberdade criativa dentro das mesmas regulamentações técnicas que evoluíram para restringir a performance dos competidores convencionais da categoria LM P1. Junto com um sistema de propulsão híbrida que associa um motor compacto e ao mesmo tempo potente V6 twin turbo a gasolina supereficiente, que armazena energia através de sistema mecânico com volante de inércia (sistema de recuperação de energia – ERS), o revolucionário GT-R LM NISMO é privilegiado pela excepcional velocidade nas retas, impressionante estabilidade em qualquer condição climática e uma eficiência invejável.

SEGREDOS DO GT-R LM NISMO

Para compreender sua complexidade e entender quais são suas vantagens, ninguém melhor para explicar o raciocínio por trás do GT-R LM NISMO e revelar alguns de seus diferenciais que o seu criador, Ben Bowlby, Diretor Técnico da Categoria LM P1 na Nissan:

“Irado. Atrevido. Genial.” – O CONCEITO NISSAN GT-R LM NISMO

Pode-se dizer que GT-R LM NISMO é um conceito bem ‘irado’. De onde ele surgiu?

Bowlby: Este carro sem dúvida é a estrela de Le Mans. Isso é muito importante porque, talvez, mais do que qualquer outra competição, esta é uma verdadeira corrida de engenharias. Estreando em nosso primeiro ano, tivemos que perguntar a nós mesmos como poderíamos ter uma chance de sermos competitivos enquanto nossos principais concorrentes estão 15 anos e vários bilhões de dólares à nossa frente em termos de experiência e desenvolvimento. A resposta – nossa resposta – era inovar. Não temos um imenso orçamento como os outros ‘caras’, mas somos ricos em ideias. É quase impossível enfrentar nossos rivais jogando o jogo deles, por isso ao inovar temos mais chance em termos de competitividade.

Em que você se baseou quando projetou o GT-R LM NISMO?

Bowlby: Para vencer em Le Mans, em primeiro lugar você deve consultar o regulamento e depois observar como é a prova. As regras estão abertas à interpretação – como acho que conseguimos comprovar – mas a corrida é sempre uma surpresa. Existem muitas variáveis em potencial que estão fora do seu controle – calor extremo, chuva torrencial, tráfego intenso, derramamento de óleo ou líquido de arrefecimento do motor. Grande parte do desafio consiste em saber disso e projetar um carro com uma ampla faixa de utilização.

E então, quais são as principais forças do GT-R LM NISMO?

Bowlby: É difícil individualizar suas qualidades, pois o conceito e o projeto deste carro se baseiam em um sistema – cada elemento tem influência sobre outro. Mas se eu tiver que destacar três coisas eu diria que são a eficiência, a estabilidade e a velocidade nas retas. É importante lembrar que eles são fruto da aerodinâmica que, por sua vez, foi possível devido à posição dianteira da transmissão e do motor, além de nosso comprometimento em usar a tração dianteira.

CHASSI E AERODINÂMICA

O GT-R LM NISMO parece bem diferente de seus rivais. Por que isso acontece?

Bowlby: Durante anos, os maiores competidores da categoria LM P1 projetaram carros que seguiam o mesmo projeto básico e, por isso, as regras evoluíram para que fossem encontradas formas de limitar sua performance dificultando a geração de uma força de sustentação negativa na parte traseira, pois as dimensões e o formato da asa traseira também são limitados. Entretanto, a frente sempre foi considerada relativamente livre e, por isso, pensamos: “Por que não virar as regras do avesso e fazer um carro com muita força de sustentação negativa na frente?” Isso não apenas nos dá muito mais liberdade dentro das regras, mas a força de sustentação negativa é gerada de forma mais eficiente na frente, com menos arrasto. Além disso, com a parte dianteira fazendo a maior parte do trabalho, poderíamos reduzir o tamanho da asa traseira, ganhando ainda mais em termos de arrasto, o que é inestimável em Le Mans.

Muito bem bolado. Fale mais sobre isso.

Bowlby: Conseguir um equilíbrio aerodinâmico dianteiro já é uma artimanha em si, mas para fazer com que isso funcione você também precisa mudar radicalmente a distribuição das massas e dos pneus. Foi neste ponto que levamos nossas ideias ainda mais além e pensamos: “E se colocássemos o motor na frente do motorista?”.

Seria natural escolher um potente motor V6 twin turbo compacto como aquele que equipa o GT-R de produção em série, principalmente porque isso significaria que teríamos espaço para instalar o sistema ERS na frente. Ao montar a caixa de câmbio na frente do motor e a estrutura anti-impacto depois de tudo isso, temos um chassi que está dentro das regras, mas toda essa grande massa sobre as rodas motrizes nos oferece todo aquele equilíbrio aerodinâmico que queríamos na frente, permitindo um desenho em “A” de baixo arrasto e extremamente eficiente.

Por que o baixo arrasto é tão importante em Le Mans?

Bowlby: Grande parte do circuito de Le Mans é formada por longas retas de alta velocidade. O baixo arrasto permite alta velocidade para entrar com tudo nessas retas! Ter uma vantagem em termos de velocidade nas retas também é a forma mais simples e segura de ultrapassar os outros carros. Tentamos fazer um carro que proporcionasse aos nossos pilotos aquele nível de conforto sabendo que podem ultrapassar em alta velocidade em vez de ficarem presos no pelotão nas áreas de frenagem e nas curvas. É uma forma muito menos estressante, cansativa e inteligente de correr.

O baixo arrasto também melhora a eficiência de consumo. A quantidade de combustível consumida em uma volta é agora regulamentada e, portanto, você não pode exceder os limites definidos pelas regras. Um arrasto menor significa que você não fica nas retas por muito tempo com grandes aberturas de válvula e, por isso, um formato deslizante não apenas significa que você vai se mover mais rápido, mas também vai usar menos combustível, aumentando sua eficiência.

 GRUPO MOTOPROPULSOR

 Descreva o sistema de propulsão do GT-R LM NISMO.

 Bowlby: Resumidamente, utilizamos um sistema de propulsão a energia elétrica e gasolina formado por um motor de combustão interna (ICE) V6 twin turbo compacto a gasolina de 3 litros, além de um sistema mecânico de recuperação de energia cinética (ERS) com volante inercial que funciona em 2 MJ. Os motores V6 turbo são uma especialidade da NISMO e, portanto, nossa filosofia no que diz respeito ao ICE era construir uma versão supereficiente, com excelente dirigibilidade com RPM relativamente baixas. Ele oferece bastante torque, com uma curva de potência bastante constante; por isso, precisamos apenas trabalhar com um câmbio de 5 velocidades. Assim, trocamos de marcha menos vezes e desgastamos menos os componentes da transmissão. O motor também tem uma eficiência térmica espetacular e, portanto, tiramos dele a máxima potência possível de cada gota de gasolina que utilizamos.

 Fale sobre o Sistema de Recuperação de Energia…

 Bowlby: Estamos utilizando um sistema de recuperação de energia com volante inercial, assim como a Audi, mas eles utilizam um mecanismo elétrico, enquanto nós utilizamos um sistema mecânico. É um sistema diferente e inteligente, que oferece um enorme potencial. Durante os testes no dinamômetro, produzimos tranquilamente 1.100 bhp somente a partir do sistema KERS de 8 MJ. Junto com o motor a combustão interna, temos condições chegar a pouco mais de 1.600 bhp.

Infelizmente, devido ao prazo extremamente desafiador do projeto – menos de 1 ano para formar a equipe e desenhar, projetar e desenvolver o carro a partir de zero – tivemos que ser pragmáticos e modestos com o sistema híbrido para participar de Le Mans neste ano. Este é o lado inconveniente da inovação: é chato quando nem tudo acontece como gostaríamos dentro do prazo esperado. Mas vamos aprender bastante sobre como obter o máximo de um motor V6 a gasolina na corrida deste ano e você pode ter certeza de que voltaremos com tudo a Le Mans em 2016.

COMO FUNCIONA A TRAÇÃO DIANTEIRA

A tração dianteira é bem comum em carros produzidos em série, mas bastante incomum em carros produzidos especialmente para as pistas. O GT-R LM NISMO tem tração dianteira, além do motor montado na frente. Esta combinação única permite que ele seja um concorrente do mais alto nível em Le Mans.

 A Nissan acredita que esta combinação seja fundamental para proporcionar vantagens em termos de tração, estabilidade e velocidade nas curvas em comparação com modelos com tração e motor traseiro que competem na categoria LM P1. Como e quando isso se aplica?

 Bowlby: Fundamentalmente, o que o conceito GT-R LM NISMO nos permite é uma maior porcentagem da massa do carro (em torno de 65%) sobre o eixo frontal movido a combustão interna. Combinado a uma grande quantidade de força de sustentação negativa na frente e pneus mais largos montados nas rodas motrizes, podemos gerar mais tração e correr em velocidades mais altas, sem estarmos sujeitos à aquaplanagem em condições de umidade extrema. Ter o equilíbrio aerodinâmico, de peso e dos pneus na frente significa também que você tem um carro inerentemente mais estável, e não apenas no limite aceitável. Oferecer aos nossos pilotos um carro rápido, estável, que é muito mais eficiente naqueles típicos momentos de Le Mans quando o inesperado acontece era um de nossos principais requisitos estratégicos.

 Quais desafios este carro radical apresenta aos pilotos, e como é pilotá-lo? Michael Krumm, o piloto mais experiente da NISMO e também o homem que esteve envolvido desde o início dos primeiros testes no programa de desenvolvimento do GT-R LM NISMO, vai explicar o que se sinte no comando desta máquina.

 Krumm: A posição de dirigir é localizada bem atrás do motor e, por isso, é meio estranho quando você senta ao volante (você acaba vendo uma parte muito maior da dianteira do que normalmente ocorre). Mas quando você pilota o carro, de cara você já se surpreende como ele é preciso nas curvas e como a tração é extremamente boa. Estamos colocando muitos cavalos-força nas rodas dianteiras e, portanto, achei que ele patinaria muito, mas ele tem um empuxo muito bom.

As rodas sempre “puxam” o carro, e isso significa que enquanto você estiver sob aceleração, a traseira do carro sempre estará estável e não fará você rodar. Isso é bastante útil em condições de pista molhada. Também existem alguns tipos de curvas onde este “empuxo” do carro pode produzir muito mais aderência do que um carro com tração traseira tradicional.

Acho que vai ser bastante interessante em Le Mans, pois vamos ser mais rápidos e mais lentos do que outros carros em pontos diferentes da pista. Vai ser realmente emocionante descobrir onde seremos melhores. Se estiver úmido ou um pouco mais perigoso, de repente acho que a tração dianteira vai mostrar algumas vantagens bastante importantes.

O conceito aerodinâmico e o baixo arrasto do carro significam que quando você entra nas retas ele não para de acelerar! Vamos atingir velocidades máximas bastante altas em Le Mans. Normalmente, quando você dirige um protótipo LM você acelera bem rápido, mas acaba atingindo certo limite aerodinâmico; o GT-R parece estar deslizando totalmente no ar. E eu também sou louco por este motor V6. É um motor turbo fantástico, com um torque incrível em todas as faixas de velocidades.

 

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