Olho de boi

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Olho de Boi transpõe a tradição da tragédia grega para o sertão profundo do Brasil. Ao mesmo tempo em que faz uma livre adaptação da tragédia de Édipo Rei, de Sófocles, o filme também explora o Brasil Profundo, o território geográfico e literário onde habitam os personagens do mestre Guimarães Rosa. Olho de Boi integrou o 35o Festival de Cinema de Gramado, em 2007, onde foi contemplado com os prêmios de Melhor Ator para Gustavo Machado e Melhor Roteiro para Marcos Cesana, e chega agora aos cinemas nacionais. O filme marca a primeira experiência de Hermano Penna na direção de um roteiro que não foi escrito por ele. História original de Cesana, conta o drama de Modesto (Genézio de Barros) e seu protegido Cirineu (Gustavo Machado), dois peões de fazenda que se embrenham no sertão em busca de vingança. Modesto sofre com a suspeita trazida pela revelação que Cirineu lhe faz. Sua mulher Evangelina (Angelina Muniz) o está traindo com seu próprio irmão. Fato ou não, o ódio, a mágoa, o ciúme e o amor formam um amálgama de sentimentos que confundem a razão e cegam a verdade. Tudo está refletido no olho escuro de um boi e no olhar cego de um Deus mudo. “O que me encantou foi a possibilidade de dar forma cinematográfica à história e aos belos diálogos escritos por Cesana. Praticamente mantive história e diálogos conforme escritura original. Meu ideal com esse fi lme é estético e, portanto, moral. Lembro da última, e terrível, frase do Édipo de Sófocles: Por isso, não tenhamos por feliz homem algum, até que tenha alcançado o último de seus dias.” Rodado em película 35mm, tendo como locações o interior de São Paulo, mais precisamente nas redondezas da cidade de Itu, “Não tive condições de filmar em Minas como desejava. Mas ao me deparar com o micro ecossistema da região de Itu e de ver os campos onde boa parte dos filmes paulistas de cangaço foi realizada, aquela natureza áspera, pedregosa, não tive dúvidas – aqui também são os campos de Minas Gerais. O difícil foi controlar o boi para filmar o seu olhar lagunar e triste”, comenta o diretor. Tão importante quanto adequar a produção ao orçamento do filme, foi também adequar o conceito estético à história que Hermano e Cesana haviam concebido. Por isso, o trabalho de fotografia de Uli Burtin e a direção de arte de Chiquinho Andrade são cruciais para a identidade de Olho de Boi. “Considero a fotografia e a direção de arte pontos altos no filme. Há uma bela comunhão entre a luz feita pelo Mestre de Luz Uli e a paleta de cores usada por Chiquinho Andrade, elas dão ao filme uma cara única”, analisa Hermano. O elenco também tem papel crucial na criação livre deste universo tão profundo, comum e trágico ao mesmo tempo. Genézio de Barros e Gustavo Machado dão vida, e voz, a personagens seculares da história brasileira que nem sempre ganham um retrato fi el nas telas tanto do cinema quanto da TV. “A escolha dos atores foi tranqüila. Genézio eu já tinha visto em soberba interpretação no filme de Sérgio Rezende – Quase Nada. Gustavo conheci em uma peça dirigida por Laís Bodanzky. Assim que o vi atuando, não tive dúvidas”, conta o diretor, que fez questão de levar seu elenco para uma imersão no universo a ser retratado em uma fazenda no interior de São Paulo. “O resto do projeto foram muitos dias na fazenda em Itu, em que nos isolamos para discutirmos o roteiro, aprender a andar a cavalo, e ajudá-los na criação de seus personagens. Escolher Angelina Muniz foi só a memória viajar na busca das belas e grandes atrizes criadas pelo cinema brasileiro. Não há Jocasta mais bela e forte que Angelina.” Para finalizar, a trilha sonora criada pelo Duofel deu o tom universal ao fi lme. “Mais uma vez recorro à música para deslocar espaço e tempo e superar regionalismos folclorizantes.”

 

SINOPSE

 

“Sem acreditar, eles foram até o fim” – Olho de Boi é uma livre recriação da tragédia de Édipo Rei transposta para um sertão próximo do território humano e literário onde habitam os personagens do mestre Guimarães Rosa. Modesto (Genézio de Barros) e seu protegido Cirineu (Gustavo Machado) são dois peões de fazenda que se embrenham na noite em busca de vingança. Modesto sofre com a suspeita criada pela revelação que Cirineu lhe faz. Sua mulher Evangelina (Angelina Muniz) o está traindo com seu próprio irmão. Fato ou não, a dúvida, o ódio, a mágoa, o ciúme e o amor formam um amálgama de sentimentos que confundem a razão e cegam a verdade. Tudo está refletido no olho escuro de um boi e no olhar cego de um Deus mudo. Mais informações: Blog do Filme / Pandora Filmes. Links para o Trailer: Youtube

 

Serviço:

OLHO DE BOI – Dir: Hermano Penna (Brasil, 2007, cor 72 min.)

Estréia dia 15 de agosto de 2008

HSBC – Belas Artes – Rua da Consolação 2423 – Tel. 3258 4092

 

FICHA TÉCNICA

 

Direção: Hermano Penna

 

Elenco: Modesto: Genézio de Barros / Cirineu: Gustavo Machado / Evangelina: Angelina Muniz / Justo: Cacá Amaral / Magarefe: Francisco Ferraz

 

Roteiro: Marcos Cesana (in memoriam a Giuseppe Cesana)

Assistência de Direção: Flavia Thompson

Produção Executiva: Farid Tavares

Diretor de Fotografia: Uli Burtin

Diretor de Arte: Chico de Andrade

Montagem: Lessandro Sócrates

Som Direto: Lia Camargo e Tide Borges

Edição de Som: Miriam Biderman e Ricardo reis

Música original: Duofel

DADOS TÉCNICOS

Longa metragem / Ficção / Duração 72 minutos / Ano de Produção: 2007 / Bitola Original: 35mm / Finalização e cópias 35mm / Janela 1:85 / Processo cor EASTMANCOLOR / Som Dolby SRD / Filmagem PANAVISION.
 

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Sobre o autor

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