ONU LANÇA DOCUMENTÁRIO COM EMPREENDEDORISMO SUSTENTÁVEL

0

O Centro RIO+ da ONU, com apoio da Escola Nacional de Seguros e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), reuniu na noite da última quarta-feira (21) no Cine Odeon – no centro da capital fluminense – cerca de 470 pessoas para a estreia do documentário ‘CenaRIO: Sustentabilidade em Ação’, que exibe histórias de 16 pequenos empreendimentos sustentáveis do Rio e da Baixada Fluminense.

O documentário de 25 minutos, inteiramente gravado por aparelhos celulares por 30 alunos da Escola Nacional de Seguros, dá voz a iniciativas e empreendimentos criativos da região que implementam práticas mais conscientes em seus negócios, além de contribuir para a construção de um mundo mais sustentável e justo.

Da arquitetura ao comércio, passando por salão de beleza para negros, táxi elétrico, entre outros, todos os empreendimentos relatam histórias que provam que o sucesso pode andar de mãos dadas com a sustentabilidade.

“Mesmo sendo um microempreendedor, você pode harmonizar a parte econômica com a ambiental e a social – o que sintetiza o desenvolvimento sustentável. O documentário quer mostrar que todos nós, como cidadãos, temos a responsabilidade de mudar a forma como consumimos, a forma como nos comportamos, e quer mostrar às pessoas que pretendem criar microempresas que é possível ter uma metodologia sustentável e economicamente viável e inteligente’’, disse a vice-diretora do Centro RIO+, Layla Saad.

“’Através de uma forma simples e sustentável, é possível fazer a diferença. Por isso, resolvemos fazer o documentário com o celular. Nós temos aqui no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, onde foi o nosso foco, muitas pessoas criativas e inovadoras que, a partir de um pedaço de papel, por exemplo, criam coisas maravilhosas”, disse o coordenador da Escola Nacional de Seguros, José Antonio Varanda.

“Se a gente quer que este planeta continue, temos de trabalhar mais com a sustentabilidade, fazer com que os ODS sejam efetivamente implementados e não fiquem somente no papel”, acrescentou José Antonio.

‘Pequenas’ ações que mudam o mundo

Para o estudante Leonardo do Santos Fernandes, um dos envolvidos na produção do documentário, há várias formas de trabalhar conscientemente e de não se omitir em relação à saúde do meio ambiente.

“A gente imagina que é preciso fazer coisas muito grandes para ser sustentável. As coisas pequenas que são valiosas acabam, às vezes, passando despercebidas, tais como separar o lixo adequadamente; não sujar as ruas; ter uma consciência em relação ao meio ambiente; e gerar emprego a outras pessoas que precisam”, disse.

“Às vezes, o empreendedor pequeno não tem noção de quão importante são essas ações e de que elas estão ao alcance de todos”, continuou, ressaltando que se surpreendeu com os pequenos negócios conscientes registrados na produção audiovisual.

Cristina Barroso, proprietária do escritório de arquitetura ArteCriba – que restaura prédios preservados e de valor histórico do Rio de Janeiro –, é uma das empreendedoras sustentáveis apresentadas no documentário.

“Eu estou descobrindo um valor importante no meu trabalho. A gente fica naquele dia a dia, na pedreira, e às vezes se esquece desse olhar de fora para dentro. Além da revitalização de cada sobrado preservado, o valor do meu trabalho está em participar da recuperação de áreas degradadas, devolvendo esse patrimônio histórico à população do Rio”, contou.

Cristina disse que as questões levantadas pelo documentário estão a ajudando – bem como ajudando outros empreendedores – a trabalhar cada vez mais de forma alinhada com a saúde do meio ambiente.

A produção audiovisual, que contou com o apoio de documentaristas, produtores, fotógrafos e cineastas do Rio, é apontada como um legado da Rio+20 – conferência das Nações Unidas ocorrida há quatro anos. Neste encontro, que reuniu cerca de 50 mil pessoas, foram lançadas as bases da atual agenda global de desenvolvimento sustentável – a Agenda 2030 –, cujo objetivo é preservar os recursos naturais e acabar com a pobreza, entre outros objetivos, até o prazo final de 2030.

Aplicativo WeAppHeros será lançado em outubro

Durante o evento, o Centro RIO+ também apresentou o aplicativo ‘WeAppHeros’, previsto para ser lançado oficialmente durante a Conferência Mundial ONU-Habitat III, que acontece em outubro, em Quito, no Equador.

O aplicativo, desenvolvido pela empresa italiana ‘Sunscious’ em colaboração com Centro RIO+, pretende revolucionar o voluntariado para o desenvolvimento sustentável a nível mundial, incentivando cidadãos do mundo todo a tomar atitudes mais conscientes em suas vizinhanças e comunidades.

“Nós queríamos aproveitar esta noite para anunciar outra iniciativa que estávamos há tempo trabalhando – o aplicativo ‘Nós Somos Heróis’, que eu chamo de ‘aplicativo do bem’. A ideia é dar mais valor às iniciativas que as pessoas têm, às coisas que parecem pequenas, mas que, na verdade, são muito importantes”, disse Layla Saad.

“O aplicativo foi desenvolvido para dar um canal que seja às pessoas, para que elas façam mais ações, mapeiem outras e para o mundo ver que há muita solidariedade e atitudes legais ocorrendo atualmente’’, continuou.

Cerca de 500 voluntários do Rio de Janeiro serão mobilizados para uma fase de teste e experimentação do aplicativo, que acontecerá simultaneamente na cidade carioca e na Itália, em parceria com a Universidade de Pádova.

Banda com músicos da Baixada Fluminense encerrou o evento

O evento foi encerrado com a apresentação inédita do show “Música para Avançar o Desenvolvimento Sustentável”, que contou com a participação de 17 músicos de Belford Roxo e de outras cidades da Baixada Fluminense.

Atualmente, os músicos estão trabalhando com o Centro RIO+, no desenvolvimento de um trabalho piloto de mobilização jovem através da música, cultura e da arte, que promete embalar as Nações Unidas com muito reggae, funk, hip hop e rock’n roll sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

O projeto, que está começando em Belford Roxo e visa a criar um modelo de trabalho colaborativo para ser replicado especialmente na África Subsaariana e na América Latina, conta com o apoio do Centro Cultural Donana, da Banda BXD e da voluntária Denise Silveira.

“Nós acreditamos no papel do jovem como protagonista no contexto do desenvolvimento sustentável. Hoje em dia, não adianta a gente usar relatórios e grandes conceitos complexos sobre políticas públicas para se comunicar com essa geração”, sublinhou Layla.

“Precisamos entrar na linguagem dos jovens e abrir o espaço para que eles sejam também produtores de conteúdo. Além do documentário, a parceria com os músicos é mais um esforço nosso de divulgar o desenvolvimento sustentável usando a linguagem das pessoas, dos cidadãos.”

Compartilhar.

Sobre o autor

Comentários desativados.