Takashi Fukushima no Cultural Citi

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O Espaço Cultural Citi da Avenida Paulista, com curadoria do crítico Jacob Klintowitz, apresenta um panorama da carreira do pintor Takashi Fukushima em 18 trabalhos de três fases do artista, incluindo 16 obras inéditas, na mostra A Pintura do Universo que abre em 12 de maio e permanece até 20 de junho.

Os inéditos fazem parte de duas séries: “Cidade e Campo”, oito obras que estavam em Paris e nunca foram mostradas no Brasil; “Planetas”, oito trabalhos que foram realizados entre 2007 e 2008.

Segundo um dos mais importantes críticos de arte brasileiros, Frederico Morais, “… Takashi Fukushima mantém em sua pintura um ideal de beleza associado a um domínio oficinal que beira o virtuosismo. Sua pintura, tranqüila e elegante, é o retrato de sua personalidade discreta, quase tímida, mas persistente…” e “… com seus antepassados, Takashi Fukushima contempla a natureza, mas o faz dinamicamente, com os filtros da vida moderna. Mais do que contemplar, a atitude passiva, procura refletir ativamente sobre esta mesma natureza. Não é nostálgico, nem maniqueísta. Como ele mesmo afirma: ‘Eu não contesto. Constato’ “.

Curador da mostra, Jacob Klintowitz afirma no texto do catálogo, “Eu não sei se o pintor Takashi Fukushima é o mais brilhante dos nisseis que tivemos a sorte de ver nascer no Brasil. Mas tenho certeza de que em nenhum outro o sentimento profundo de identificação com a natureza é tão presente.“

O Espaço Cultural Citi renova a sua vocação de mostrar obras de arte no centro vital de São Paulo, no espaço que, atravessando o prédio do Citi, liga a Avenida Paulista à Alameda Santos, um dos principais ícones de São Paulo, e é visitado mensalmente por cerca de 50 mil pessoas. Desde 2005, passaram por ali nomes consagrados, como Rubens Gerchman, Luiz Paulo Baravelli, Cláudio Tozzi, Gregório Gruber, Romero Britto, Newton Mesquita, Ivald Granato e a ceramista Shoko Suzuki, entre outros.

O Espaço Cultural Citi (Av. Paulista, 1111, térreo, fone 11 4009 3000) fica aberto para visitação de segunda a sexta-feira, das 9 às 19 horas; aos sábados, domingos e feriados, das 10 às 17 horas. Acesso a portadores de deficiência física pela Alameda Santos, 1146. A entrada é gratuita.

 

A Pintura do Universo, por Jacob Klintowitz
 

Eu não sei se o pintor Takashi Fukushima é o mais brilhante dos nisseis que tivemos a sorte de ver nascer no Brasil. Mas tenho certeza de que em nenhum outro o sentimento profundo de identificação com a natureza é tão presente. Esta relação amorosa com a ordem natural é de tal maneira reveladora que podemos chamá-la de sacra. E a manifestação concreta desta relação, pois se trata de um artista que objetiva este sentimento, é um percurso pontuado por delicadas paisagens terrenas e cósmicas que nos permitem vivenciar a sutileza deste universo que é também a nossa casa.

Este binômio, estes dois vetores existenciais, determinam a obra de Takashi Fukushima: o seu profundo sentimento da natureza e a obrigação do ofício da arte. A sua obra é a celebração desta dupla fidelidade. Ele percebe a paisagem do planeta, as formas primitivas dos mais ínfimos habitantes, a música sideral das esferas e torna em conhecimento esta sensação ao codificá-la em formas estéticas numa pintura sem igual entre nós, feita de diáfanas relações cromáticas, organizada espacialmente com tal sabedoria que temos, numa linguagem inteiramente humana, a representação da época e de nosso lugar, o universo.

Certamente a sua é uma pintura que nos adverte para o insano relacionamento do homem com a natureza. Não há diferença entre a cidade e o campo, dicotomia clássica que a literatura, desde o século dezenove, tornou explícita. A destruição é comum à cidade e ao campo, pois o elemento desarmônico é o mesmo, o homem que se julga senhor do mundo. A sua conhecida série “Cidade e Campo” (1985), magnífica construção de contrastes formais, fixou esta realidade.

A constante presença da paisagem na sua pintura, da mesma altura do registro de Alberto da Veiga Guignard, nos conscientiza da beleza natural do mundo, vista pelo artista como a verificação do existente, como a lição da natureza colocada diante dos nossos olhos. Takashi Fukushima nos diz que é possível ver, e nos mostra uma maneira de ver, desde que o nosso olhar não esteja velado pela vaidade.

Na sua fase onde registra a existência de animais marítimos (1995), nas suas enoveladas organizações celulares, o artista valeu-se dos avanços da ciência e da peregrinação em busca do inventário do real. Ciente deste mundo, até então submerso, ele o tornou linguagem, em pinturas literalmente complexas e holísticas, onde cobriu o suporte de cores e novas formas, numa aventura similar a criação dos oceanos. O submerso emergiu como arte, neste caso, igualmente um comentário sobre o processo de criação artística. Takashi Fukushima deu concretitude ao que habitava na profundidade.

Atualmente, o assunto de sua arte é o universo. Da paisagem que estava diante do nosso olhar velado, aos pequenos seres submersos que a ciência nos presenteou, até o macro, este universo do qual sabemos por imagens especulares e cálculos matemáticos e nos quais, a referência terrena da linha do horizonte, desaparece. No universo não existe o acima e o abaixo, a linha do horizonte, mas uma relação de massas cujo paradigma é a totalidade. É este assunto, quase impossível para um pintor, que Takashi Fukushima enfrenta e tornou em sinfonia pictórica, ao organizar uma visualidade abrangente, deslocada do hábito convencional da leitura paulatina e progressiva. O artista procedeu como se, ao pintar, estivesse descobrindo um novo universo e aprendendo com ele um deslumbrante paradigma conceitual.

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