UM FESTIVAL CONTRA O RACISMO

0

Por Daniel Lima/Repórter da Agência Brasil

 

Crianças e adolescentes debateram o combate ao racismo, hoje, na nona edição do Festival Latinidades, no Museu da República, em Brasília. Sob a mediação da produtora cultural e articuladora social Renata Morais, Gustavo Gomes, 11 anos, a MC Soffia, 12 anos, e o youtuber Pedro Henrique Cortês, 14 anos, expuseram as dificuldades que os jovens negros ainda enfrentam no Brasil.

Os três fizeram várias críticas à escola pela forma que trata o tema e, principalmente, à mídia pelo pouco espaço que concede aos negros, notadamente nas novelas e nos programas de TV ou a forma estereotipada dos personagens. Renata Morais, que tem um movimento Crespinhos SA,  disse que acha incrível o papel desses jovens. “Quando eles tomam essa afirmação e essa consciência desde cedo, muita coisa muda. Sempre digo que a gente ainda vai continuar sofrendo com o racismo, mas vai passar”, destacou.

Gustavo Gomes, autor do livro Meu Universo  elogiou o Latinidades porque, segundo ele, dá visibilidade para a cultura negra e principalmente para as mulheres negras, pessoas que, argumenta, sofrem muito com o racismo. “Mas é importante mostrar não só esse lado, mas também um lado bonito e importante dos negros. Importante dá visibilidade tanto para o lado bom como para o ruim”, afirmou.

Racismo

Para ele, é importante rejeitar o racismo “desde pequeno”. “Quando vemos que muitas pessoas que lutam por essa causa conseguem muita coisa, vale a pena. Dá pra dizer eu sou negro e vou ser negro de boa e ninguém tem o direito de me denegrir por isso. Então, é importante mostrar também para as crianças que existe motivo para lutar”, acrescenta.

Pedro Henrique, chamado também de PH, e que tem um canal no Youtube que defende heróis negros brasileiros, o festival está sendo incrível por ser um evento para celebrar a mulher negra. Ele destaca que isso permitiu que ele conhecesse várias pessoas “incríveis”, com um trabalho parecido com o dele . “Você sai inspirado. São várias pessoas com histórias incríveis para contar…. [No festival] são shows, são palestras, bate-papo, que você sai inspirado e querendo mudar alguma coisa”, enfatizou.

Para combater o racismo, PH destaca que é preciso educar as pessoas. Ele lembra que, embora a Lei 10.639 defenda que todos têm o direito de aprender sobre a cultura afro-brasileira nas escolas, isso muitas vezes não acontece. “Então, se a gente não vê a história do Brasil em todos os sentidos, só a dos colonizadores, e não a de pessoas incríveis, como a dos abolicionistas negros, seria uma forma de ver que homens e mulheres negros fizeram coisas incríveis também”.

Além da educação, ele, que pretende ser produtor e diretor, defende a representatividade dos negros nas mídias, como nas novelas e na TV de maneira geral. “Você se vendo representando, a coisa já muda e passamos a nos ver de igual para igual”, acrescenta.

Bem humorada, a MC Soffia destaca que sua música, ao falar da questão das negras, lembra que elas devem se aceitar e gostar de si mesmas. “É difícil fazer rap no Brasil. Há dificuldades, pois sou criança e mulher. Não possa cantar em certos lugares por conta da idade. Mas a gente dá um jeito”.

Menina pretinha

Com letras como “Menina pretinha, exótica não é linda; Você não é bonitinha, Você é uma rainha”, MC Soffia afirmou que nem bem chegou direito no Latinidades e já está adorando o festival. “Mães deem voz a suas crianças. Diga que elas podem ser a melhor médica, o melhor jogador de futebol e invistam nelas. Que todas as crianças se aceitem e se gostem e nas escolas comecem a falar a questão dos negros. Mas não [só[ que eles foram escravos, mas que foram heróis e heroínas”.

O Latinidades , que se consolidou como o maior festival de mulheres negras da América Latina, vai até amanhã (31), em Brasília, no Museu Nacional, na Esplanada dos Ministérios. Organizado pelo Instituto Afrolatinas, tem a parceria da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil e patrocínio do Governo do Distrito Federal. De acordo com os organizadores, nasceu para celebrar o Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha e abrir espaço para convergir debates e iniciativas do estado e da sociedade civil relacionadas à promoção da igualdade racial e enfrentamento ao racismo e sexismo.

Compartilhar.

Sobre o autor

Comentários desativados.

000-017   000-080   000-089   000-104   000-105   000-106   070-461   100-101   100-105  , 100-105  , 101   101-400   102-400   1V0-601   1Y0-201   1Z0-051   1Z0-060   1Z0-061   1Z0-144   1z0-434   1Z0-803   1Z0-804   1z0-808   200-101   200-120   200-125  , 200-125  , 200-310   200-355   210-060   210-065   210-260   220-801   220-802   220-901   220-902   2V0-620   2V0-621   2V0-621D   300-070   300-075   300-101   300-115   300-135   3002   300-206   300-208   300-209   300-320   350-001   350-018   350-029   350-030   350-050   350-060   350-080   352-001   400-051   400-101   400-201   500-260   640-692   640-911   640-916   642-732   642-999   700-501   70-177   70-178   70-243   70-246   70-270   70-346   70-347   70-410   70-411   70-412   70-413   70-417   70-461   70-462   70-463   70-480   70-483   70-486   70-487   70-488   70-532   70-533   70-534   70-980   74-678   810-403   9A0-385   9L0-012   9L0-066   ADM-201   AWS-SYSOPS   C_TFIN52_66   c2010-652   c2010-657   CAP   CAS-002   CCA-500   CISM   CISSP   CRISC   EX200   EX300   HP0-S42   ICBB   ICGB   ITILFND   JK0-022   JN0-102   JN0-360   LX0-103   LX0-104   M70-101   MB2-704   MB2-707   MB5-705   MB6-703   N10-006   NS0-157   NSE4   OG0-091   OG0-093   PEGACPBA71V1   PMP   PR000041   SSCP   SY0-401   VCP550   HP0-S42   70-483   101   000-080   1z0-434   CCA-500   CAP   1Z0-804   220-802   70-483   SY0-401   70-980   300-101   c2010-652   ICGB   1Z0-144   101   70-533   000-017   1Z0-060   640-916   9L0-012   MB2-704   9L0-066   2V0-621D   1Z0-144   1Y0-201   74-678   EX200   70-483   700-501   210-260   200-310   100-105  , JK0-022   350-080   300-070   CISSP   810-403   CAS-002   300-206   200-101   OG0-093   000-104   MB6-703   CISSP   1Z0-144   070-461   1Z0-060   SSCP