PESQUISA DA UFSCAR COMPROVA EFICÁCIA DE INSETICIDAS BIOLÓGICOS

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Uma pesquisa realizada pela aluna Isabella Tavares de Oliveira Silva, do curso de graduação em Biotecnologia do Centro de Ciências Agrárias (CCA), Campus Araras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), sob a orientação do professor Ricardo Toshio Fujihara, do Departamento de Ciências da Natureza, Matemática e Educação (DCNME), avaliou a eficácia de inseticidas biológicos no controle de Helicoverpa armigera, praga responsável por significativas perdas econômicas em diversas culturas.

O estudo teve início em agosto de 2015 e faz parte de um projeto de Iniciação Científica apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) por meio de bolsa do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC). “Seu objetivo foi avaliar a mortalidade de lagartas de H. armigera em condições de laboratório por meio de bioensaios, ou seja, por aplicação de inseticidas biológicos. Neste caso, aplicou-se baculovírus (NPV)”, explica Isabella, que faz parte do Grupo de Estudos e Pesquisa em Entomologia Geral (GEPEG).

De acordo com a aluna, H. armigera é uma praga que, durante sua fase jovem, quando lagarta, se alimenta de mais de 60 espécies de plantas cultivadas ou não, como soja, algodão, sorgo, girassol, amendoim, feijão, tomate e pimentão, fato que pode causar prejuízos significativos aos produtores rurais no Brasil. “Nas safras 2012/2013, esses prejuízos ficaram em torno de R$ 2 bilhões”, conta.

Nesse sentido, a pesquisa pode auxiliar os produtores na escolha de um bioinseticida que seja tão eficaz quanto o inseticida químico e que traga menos degradação ao ambiente, até mesmo auxiliando no Manejo Integrado de Pragas (MIP). Este, inclusive, foi o diferencial do estudo: o trabalho com inseticidas biológicos em vez de químicos.

“A principal diferença é que os inseticidas biológicos utilizam como ingrediente ativo agentes entomopatogênicos parasitoides e até nematoides, enquanto que os químicos têm como ingrediente ativo moléculas químicas. Os bioinseticidas vêm se mostrando como uma boa alternativa para o controle desta praga, pois são seletivos e apresentam baixa toxidade ao meio ambiente – enquanto que os inseticidas químicos podem causar desequilíbrio biológico, prejudicando o homem e outros animais. Os químicos também têm um aplicação de alto risco de evolução de resistência da praga”, ressalta.

Em sua pesquisa – que, na maior parte, foi realizada no laboratório, com a criação das lagartas e os bioensaios realizados com a aplicação dos bioinseticidas –, Isabella analisou dois inseticidas biológicos comerciais à base de baculovírus e seus respectivos resultados de eficácia em relação à mortalidade das lagartas.

“Cada bioinseticida possui a sua forma de manifestação no inseto. Fungos, por exemplo, causam intoxicação por contato no inseto; já o baculovírus, causa intoxicação por ingestão. A ação do baculovírus se resume simplificadamente à ingestão das partículas virais pela lagarta, que ocorre durante a ingestão das folhas e partes da planta tratadas com o produto. As partículas virais são liberadas no intestino médio do inseto, que é alcalino, provocando uma infecção generalizada em todos os tecidos e levando-o a morte. Eu testei somente dois inseticidas biológicos e os resultados de eficácia foram equivalentes, sendo acima de 75% de mortalidade larval”, informa. Além dos resultados eficazes, a utilização desses produtos na pesquisa também comprovou um processo infectivo mais lento e, assim, uma degradação menor ao ecossistema.

Embora o projeto já tenha sido finalizado, Isabella pretende dar continuidade aos estudos na área. “Tenho vontade de continuar trabalhando com essa praga e com controle biológico de pragas, pois me interessei muito pela área de Entomologia”, reforça. Para a discente, o período dedicado ao projeto foi essencial para perceber a importância da pesquisa e a responsabilidade no meio acadêmico.

“Obtive conhecimento sobre a vasta gama de artigos científicos sobre os diversos assuntos em Entomologia e passei a me interessar cada vez mais pela área. Acho que o contato com esse tipo de pesquisa auxilia os alunos a desenvolverem a escrita e a estarem em contato com o mercado de trabalho precocemente de uma forma mais prática, algo que somente a graduação não oferece ao estudante”, opina a aluna.

Segundo o professor Fujihara, orientador do estudo, pesquisas de cunho prático ou experimental como esta permitem aos alunos a vivência além do cotidiano da sala de aula. “Isso complementa o aprendizado teórico. Acredito ser uma experiência que todos os alunos deveriam estar em contato”, finaliza o docente. O Grupo de Estudos e Pesquisa em Entomologia Geral (GEPEG), além de realizar pesquisas na área, promove atividades práticas. No dia 10 de novembro, o grupo realiza o I Simpósio em Entomologia Agrícola, que acontece no Anfiteatro do CCA, em Araras. As inscrições são gratuitas para alunos de graduação da UFSCar, mediante a entrega de 1 kg de alimento não perecível no dia do evento.

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