A MORTE DE CRISTIANO ARAÚJO E A MÚSICA

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Desde a fatalidade ocorrida com o cantor Cristiano Araújo, pessoas de todo tipo querem exprimir sua opinião nas redes sociais. De citações às canções de maior conteúdo ( já que barabará bereberê não diz muito sobre nada), a piadas de mau gosto. No entanto, em meio a tanto sentimento, existem os que gostam de olhar pra tudo com olhar de superioridade e de análise. Ao ler um desses textos, me deparei com uma observação leviana e equivocada, que basicamente se resumia a criticar as pessoas que diziam não conhecer o trabalho do artista, classificando estas como “(…)cidadãos de classes médias tradicionais, dos grandes centros urbanos, como Rio de Janeiro e São Paulo, e que vivem dentro de uma bolha cultural(…)”.

 

POR GUILHERME VIDAL

A música sempre gerou polêmica e causou discussões, principalmente por parte dos mais fervorosos, que não entendem que ela fala em diversas linguagens, que toca de diversas formas. Aquilo que eu considero melhor, pode ser péssimo pra alguém, e isso não tem nada a ver com lugar, classe social, estado civil ou coisas do tipo.
 
Existem aspectos a se considerar, como a falta de oportunidade ou de acesso a determinados conteúdos, mas que servem tanto para os mais humildes quanto para a “elite”. Tão inadequado quanto afirmar que pessoas que não conhecem música erudita, fusion, jazz, heavy metal, MPB, o funk da periferia e o samba de raiz vivem numa bolha cultural, é dizer que aquele que não conhece o sertanejo é ignorante. O discurso atual é uma total inversão de valores  mais antigos. Se você não conhece o mainstream, é alienado. Antigamente costumava se dizer o contrário. No entanto, nenhuma das afirmações pode, por si só, ser considerada verdade. O camarada pode não conhecer por simplesmente não conhecer. Ninguém conhece tudo. E quem tem o direito de julgar se o seu conhecimento tem mais valor que o do colega?.
O sertanejo (principalmente o intitulado “universitário”), assim como alguns outros estilos musicais, é recente, tem seus meios próprios de propagação e nada tem a ver com classe social ou localidade. Enquanto pessoas das camadas mais desprovidas da sociedade ouvem e se identificam via rádio, as casas noturnas mais badaladas e caras do Brasil tocam o mesmo estilo e causam a mesma identificação. Mas e se o indivíduo não frequenta esses lugares e nem tem o costume de ouvir uma das muitas rádios que tocam o estilo, ele é “culpado” ou ignorante?. 
Há que se concordar que a ignorância, que existe tanto do lado dos defensores quanto dos inquisidores do estilo, não está ligada a conhecer algo, mas sim a respeitar. Eu posso não gostar do funk carioca, não ouvir, exceto por acidente, mas entender que em grande parte do movimento existe verdade, existe a auto-expressão de grupos específicos. A grande baboseira em meio a tanta gente implorando por atenção, é essa coisa de querer afirmar que não conhece pra se sentir intelectual. Esse é outro assunto mais delicado e muito mais relacionado com carência e necessidade de auto-afirmação que com qualquer aspecto do intelecto.
Sobre o sertanejo em especial, existe uma crítica a ser feita. A música sempre teve seu lado  mercadológico, mas mesmo nos estilos considerados “de massa” sempre fez um pouquinho de questão de parecer que não era apenas pelo dinheiro. Por fazer parte do mercado musical, percebo que ultimamente existem muitos cantores e duplas que estão nisso apenas pela grana. Escrevem letras a toque de caixa e que não falam nada com nada, com melodias e harmonias repetidas, as mesmas expressões “fáceis” e rimas pobres. No entanto, em meio a esse bombardeio de gente querendo o estrelato e alguns pagando caro por espaço na mídia, ainda existem muitos dos bons, dos tradicionais, dos que se destacam, que fazem de verdade.
Ao pararmos pra observar situações isoladas como projetos sociais em comunidades carentes que despontam grandes músicos eruditos para o mundo, bandas de heavy metal extremo nacionais que excursionam por toda a Europa mas não lotam uma casa de shows pequena em sua cidade natal, grandes músicos de formação jazzistica ou rockeira se destacando no meio do sertanejo, bandas independentes de tecnobrega se tornando cult em ambientes universitários, percebemos que a música fala com qualquer um que se identificar. As barreiras geográficas e sociais até podem impedir que alguém conheça um estilo, mas nunca vão ser obstáculo para alguém gostar ou deixar de gostar de algo. Se ainda assim você não conhece ou não gosta, não se sinta burro. Deixe essa alcunha pra quem gosta de apontar o dedo e ditar regra sobre o que é cultura ou não.
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