BC corta juros. Que venham novos cortes

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou ontem, uma quarta-feira, dia 7 de março de 2007, a taxa básica de juros da economia em 0,25 ponto porcentual, o que resultou em 12,75% em relação aos 13% que vigoravam até então. É a menor taxa de juros básica, a chamada Selic (Serviço Especial de Liquidação e Custódia), desde a implantação do Plano Real, em fevereiro de 1994.

Centrais sindicais e associações de indústria e comércio, no entanto, ainda acham a taxa elevada para garantir um maior crescimento do País. De qualquer forma, é um começo. Como a economia brasileira cresceu modestos 2,9% no ano passado, a expectativa é que cesça mais este ano, pelo menos acima de 4%, na visão dos mais otimistas, e em torno de 3,5% entre os pessimistas. E a taxa de juros é um importante instrumento desse movimento, quanto menor, maior o crescimento face ao crédito mais barato e a redução dos custos do Estado, que paga juros sobre a sua divida e alimenta, assim, os grandes bancos com uma rentabilidade segura.

O problema é que o Banco Central, extremamente desvinculado das preocupações de crescimento que afligem a sociedade brasileira como um todo – representam emprego e renda -, tem mantido um ritmo extremamente conservador em relação à taxa básica de juros. Tanto que qualquer analista de banco que ainda usa fraldas acerta esse comportamento: uma redução de 0,25 ponto porcentual, como indicava pesquisa Focus, que o BC faz com a turma das casas bancárias. E aí parece que fica tudo combinado. Diretores do BC saem de bancos e regressam a bancos. Então é melhor seguir essa cartilha, frustrar a todos, menos à corporação da qual fazem parte.

O que o BC precisaria seria surpreender o chamado “mercado”, com decisões mais ousadas que apontem para o crescimento. Caso contrário, o PAC, o esperado plano de aceleração do crescimento, corre o risco de ser mais uma promessa de espetáculo sempre adiada.

A queda dos juros é boa para todos. É boa para o governo, que passa a gastar menos com juros de sua dívida; é boa para o cidadão comum, que precisa de crédito para realizar seus sonhos; é boa para estimular a competição entre as casas bancárias; é boa para a indústria e o comércio; e é gás para a maior competitividade de produtos brasileiros tanto no mercado interno com externo. Enfim, boa para você, para eu, para nós, vós, tu, eles.

Para os que gostam de consolo, é melhor acreditar que, de grão em grão, a galinha encha o papo, se conseguir, é claro, sobreviver até lá sem ser sacrificada pela falta de crédito ou as caras dívidas e taxas incidentes na sua ração.

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