Bush, Lula e o etanol

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Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

 

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, destacou hoje, em visita ao terminal da Transpetro, subsidiária da Petrobras, em Guarulhos, o fato de o Petrobrás ser líder em biocombustível e o interesse de seu país nesse tema. Em encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anfitrião da visita de Bush à Petrobrás, ficou evidente o interesse de ambos os países em aumentar a produção de etanol e biodiesel, como forma de alterar o panorama mundial das fontes de energia, muito dependente do petróleo.

“A sua visita ao Brasil pode significar definitivamente uma aliança estratégica que permita um convencimento do mundo mudar sua matriz energética”, disse Lula a Bush num breve discurso. Lula lemgrou que na sexta-feira passada, dia 2 de março de 2007, foi criado o Fórum Internacional de Biocombustíveis por Brasil, África do Sul, China, Estados Unidos, Índia e União Européia na Organização das Nações Unidas (ONU).

Em retribuição ao entusiasmo de Lula, Bush disse que pretende aumentar em mais de seis vezes o consumo de etanol (álcool combustível) de seu país até 2017, passando dos atuais 20 bilhões de litros anuais para 132 bilhões. Ao lado de Lula, Bush fez um discurso que enfatizou as vantagens do etanol, a necessidade de proteger o meio ambiente e as vias de cooperação com o Brasil.

Uma das possibilidades mencionadas foi na área de pesquisa. Bush elogiou os acadêmicos dos dois países e afirmou que eles podem trabalhar conjuntamente no desenvolvimento de tecnologia de biocombustível. Contou também que pediu ao Congresso a aplicação de US$ 1,6 bilhão a mais nos próximos dez anos em pesquisas na área. O presidente mencionou também a relação com países pobres, citando especificamente a América Central. “Quero colaborar com o Lula para fazer com que a América Central aumente sua independência do petróleo e se torne auto-suficiente em energia”.

As informações são da Agência Brasil.

Agora, vamos ao que interessa. Mais importante que os discursos é Bush, na prática, reduzir as tarifas impostas ao etanol brasileiro como medida de proteção aos produtores americanos de biocombustível de milho. O discurso também é um recado a Hugo Chavéz, presidente da Venezuela, que além de ser crítico feroz de Bush, tem no mercado americano o seu principal comprador. Ao tentar se aproximar de Lula e do Brasil, Bush dá um recado a Chavez, da falta de disposição para costurar acordos com a Venezuela, onde várias empresas enfrentam processos de estatização e, com plenos poderes, Chavéz hoje pode dispensar investimentos que foram feitos em seu país pelo capital estrangeiro.

Que o biodiesel é o futuro ninguém dúvida. Mas é preciso saber, nos bastidores, o ânimo real de medidas práticas, mais importantes do que discursos. E é, sem dúvida, o que interessa. O resto é jogo de platéia e Bush deu o seu recado a Chavéz nas dependências da Petrobrás.



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