#Rio450janeiros DE BOA GENTE

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Curiosidades/#Rio450janeiros – Ser carioca é mais do que nascer no Rio de Janeiro, é um estado de espírito. É amar essa cidade e seus rostos, seu sotaque de “erres” puxados e a alegria estonteante de viver. Muitos, nascidos nos vários cantos do Brasil e de outros países, amaram essa cidade e fizeram dela a sua morada, deixaram marcas. Devolveram como o gaúcho Leonel de Moura Brizola e o mineiro Darcy Ribeiro o amor e o voto dos cariocas no desejo de espalhar escolas, escolarizar, pois é isso que faz a diferença e ainda fará, quiça um dia apesar da resistência de nossa medíocre elite.

E o carioca é esse ser mesmo, em si, onde a irreverência fez morada, mas também onde o respeito ao outro expresso no desejo de compartilhar emoções que está no presente, no ar, no mar, na terra, nos calçadões, nas curvas arquitetônicas de Oscar Niemeyer, nos jardins de Roberto Burle Marx e nos traçados de Lúcio Costa.

Nunca vou esquecer o dia em que uma educadora brilhante, hoje estrela na constelação celestial de Mangueira, se sentiu acanhada em sentar-se na minha mesa de professor na Faculdade de Comunicação Helio Alonso (Facha) para proferir uma palestra a meu convite, reforçado por dois dos alunos de então, filhos da famosa e inesquecível passista Gigi da Mangueira. Dona Neuma, de fala sempre mansa, mas viva, me disse num canto que não tinha concluído os estudos e que não ficava bem, numa faculdade, sentar-se à mesa de um professor e que preferia ficar entre os alunos e, assim, eu a entrevistando sobre a Mangueira, a sua visão de mundo, o mundo onde a vida e o prazer têm sempre um encontro marcado.

Que nada! Quebrada a timidez, numa sala lotada, no segundo andar da Facha, no bairro de Botafogo, aquela mulher, com sua simplicidade, sua luminosidade e seu conhecimento, começou a falar, primeiro timidamente, depois mais abertamente, sorridente com as perguntas dos meus alunos. Deu uma “senhora” aula! Mostrou ser com naturalidade uma PhD da vida que muitos intitulados sequer um dia chegarão perto, continuarão por certo aprisionados aos seus conceitos, escrevendo papers e mais papers que nunca serão lidos, apenas servindo como fermento de currículo na chamada plataforma Lattes. Alguns ainda produzirão livros acadêmicos, chatos, chatíssimos, que apenas servirão para preencher estantes de bibliotecas, sem nenhuma utilidade sequer para a reciclagem ou a abertura de novos ciclos de conhecimento.

Dona Neuma é de inesquecível brasilidade e carioquice. Abria as portas de sua casa, no Morro da Estação Primeira dos subúrbios da Central do Brasil, para as crianças estudarem, guardava livros e transformara sua modesta sala em biblioteca, onde se podia viajar pelo mundo da leitura. É ela a face do Rio que a Revista Publicittà escolheu para brindar nesse especial #Rio450janeiros como exemplo de carioca, nesta foto cortejada por dois grandes mestres da música, Chico Buarque e Tom Jobim, dois brasileiros de espírito carioca. Dona Neuma é ícone, representante legítima e verde e rosa de pessoas que se empenham todos os dias e se empenharam como ela no passado e ainda se empenharão no futuro para, por meio da educação, possamos formar um país de cidadãos sem a divisão preconceituosa entre o andar de cima e o andar de baixo, com o de cima sempre procurando jogar o de baixo para o fundo do poço. Ainda bem que temos o carnaval, onde o gari vira rei e a cabrocha é indiscutivelmente a rainha, uma nobreza que poucos conhecem e que, ainda que dure apenas um carnaval, traz em si a esperança seguinte, combustível inviolável da alegria e a certeza mais uma vez que a educação nivelará a todos e o andar de cima e de baixo passarão a ser apenas figura de linguagem, tema enredos do tempo presente que desejamos passado. Enquanto houver carnaval, haverá “#Rio450janeiros”, fevereiros, marços….Ainda bem!.

E, finalizando, obrigado Dona Neuma por ter sido um Rio que passou em nossas vidas, a minha e a dos meus alunos, hoje profissionais do mercado de comunicação, muitos dos quais perdi o contato, mas não o afeto que trago na memória. Vida que segue! como as ondas desse Rio que passou em nossas vidas e eu me deixei levar.

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Sobre o autor

Carlos Franco

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