BURBERRY PASSEIA PELO MUNDO DE ORLANDO, DE VIRGINIA WOOLF

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O que difere as marcas do mercado de luxo das demais é que estas têm um compromisso com a história e sempre buscam, no conteúdo, a arma secreta de suas coleções, aquele algo mais que inspira e que faz pensar, permanecer. É voltando às coisas mesmas, o fenômeno como o classifica a corrente filosófica da fenomenologia, que agrega nomes como os de Husserl, Merleau-Ponty, Kierkegaard, Heidegger e Jean-Paul Sartre, que se pode experimentar novamente o fenômeno e, assim, fazer uma leitura nova do sensível. É o que se propõe Burberry na coleção lançada este mês ao revisitar a importante obra literária Orlando, de Virginia Woolf. Neste livro, apresentado pela escritora em 1928, ela narra a vida de Orlando, nascido no seio de uma família nobre e rica da Inglaterra que acorda mulher numa viagem a Turquia, vivendo as ambiguidades de gênero e atravessando 350 anos da história britânica.

Voltando às coisas mesmas, num exercício fenomenológico, Burberry traz na bagagem tecidos, hábitos e os recoloca em cena na modernidade, nestes tristes e sombrios dias, sobretudo para os brasileiros, do ano de 2016. E Orlando revive em sua viagem interior e exterior, sem distinção de gênero, na completude de uma vida plena.

Burberry pelas mãos talentosas de  Mario Testino nos leva a passear pela galeria de escultura Walker Art Gallery, em Liverpool, onde as silhuetas do mundo de Virginia Woolf agora emolduram a nova coleção, fruto do trabalho de artesãos que dão vida à coleção e que também estão em cena, em retratos.

Uma grife de luxo sabe que é preciso ter conteúdo para se diferenciar e Burberry o faz com delicadeza, chá e filosofia. Uma experiência que desperta os sentidos e que ressalta o valor do conhecimento para o mundo dos negócios, caso contrário Burberry seria apenas mais uma boutique, ainda que muitos dos seus consumidores desconheçam a forma com que o talento emerge, usam por usar, mas não passeiam como Burberry pelos jardins da filosofia conduzidos pelas talentosas mãos de Virginia Woolf. Uma pena.

A coleção completa pode ser conferida aqui 

 

 

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